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Pobreza extrema no Reino Unido alcança maior patamar em três décadas

O Reino Unido registrou em 2024 o maior número de pessoas vivendo em extrema pobreza dos últimos 30 anos, apesar de figurar entre as maiores economias do mundo. Segundo o relatório UK Poverty 2026, da organização beneficente Joseph Rowntree Foundation (JRF), cerca de 14,2 milhões de pessoas — uma em cada cinco no país — não dispõem de renda suficiente para atender necessidades básicas.


RT Brasil
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O estudo indica que quase 7 milhões de britânicos vivem em extrema pobreza, com rendimentos aproximadamente 59% abaixo da linha oficial de pobreza. O dado representa um agravamento significativo das condições sociais em um país que ocupa posições de destaque no ranking global de Produto Interno Bruto (PIB).


De acordo com a JRF, a combinação de estagnação econômica prolongada desde a crise financeira de 2008, políticas de austeridade, os efeitos do Brexit e as consequências da pandemia de covid-19 contribuiu para o avanço da pobreza. O relatório aponta que esses fatores reduziram o crescimento, pressionaram serviços públicos e ampliaram desigualdades regionais e sociais.


A fundação critica a condução das políticas públicas, classificadas como fragmentadas e pouco eficazes, com ênfase em cortes na assistência social em vez de investimentos estruturais. Grupos como pessoas com deficiência, minorias étnicas e famílias numerosas são os mais afetados, enfrentando dificuldades para acessar alimentos, vestuário e itens básicos de higiene.


A pobreza infantil aparece como um dos aspectos mais graves do cenário. Segundo o levantamento, 31% das crianças no Reino Unido vivem em situação de pobreza. A JRF destaca que restrições a benefícios sociais, como o limite de auxílio para famílias com mais de três filhos adotado em 2016, agravaram a vulnerabilidade de milhares de lares.


Outro dado relevante é que dois terços dos adultos pobres residem em domicílios onde ao menos uma pessoa está empregada. Para a fundação, o número evidencia que o mercado de trabalho britânico não tem sido suficiente para garantir renda capaz de manter trabalhadores e suas famílias fora da pobreza.


O relatório é divulgado em meio à apresentação de um orçamento governamental que prevê aumento de impostos e cortes em gastos sociais, com a meta de arrecadar cerca de US$ 39 bilhões. A carga tributária deve alcançar 38% do PIB, o maior nível já registrado no país, em um contexto de inflação estimada em 3,6% e crescimento econômico limitado.


Especialistas alertam que o aumento da carga fiscal, somado ao congelamento das faixas de isenção do imposto de renda até 2028, pode reduzir ainda mais o poder de compra da população e pressionar pequenas empresas. Analistas também avaliam que a estratégia de elevar contribuições para a seguridade social pode desestimular investimentos.


Embora o governo afirme que as medidas buscam proteger serviços públicos e reduzir a pobreza infantil, o relatório aponta um sentimento crescente de frustração entre a população, especialmente em cidades industriais e regiões menos favorecidas. Para a JRF, sem um pacote abrangente de reformas econômicas e sociais, a tendência é de aprofundamento das desigualdades em uma das economias mais ricas do mundo.

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