Proposta espanhola de força para atuar na Groenlândia expõe tensão com EUA
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A proposta da Espanha de criar um exército europeu e uma coalizão de países voluntários para atuar na Groenlândia foi recebida com ceticismo dentro e fora da União Europeia. Especialistas avaliam que a iniciativa carece de base militar, econômica e política, além de evidenciar o desconforto do governo espanhol diante das pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre gastos em defesa e o futuro da segurança no Ártico.

A iniciativa defendida pela Espanha, prevê a formação de um exército europeu e de uma coalizão de voluntários para garantir a integridade territorial da União Europeia, enfrenta fortes questionamentos quanto à sua viabilidade prática. Analistas apontam que a União Europeia não dispõe, atualmente, de estrutura logística, capacidade militar integrada ou consenso político para uma operação desse porte.
O debate ganhou força após declarações do ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel Albares, durante compromissos oficiais na Índia e no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Na ocasião, ele defendeu maior integração das indústrias de defesa europeias e sugeriu a criação de uma força comum como resposta às incertezas envolvendo a Groenlândia e a segurança no Ártico.
As declarações ocorreram em paralelo a articulações diplomáticas de alto nível entre os Estados Unidos e a OTAN. Em Davos, Donald Trump afirmou ter avançado em entendimentos com o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, sobre um futuro acordo relacionado à Groenlândia e à região ártica como um todo. O conteúdo dessas conversas, no entanto, não foi detalhado aos parceiros europeus.
O governo espanhol reconheceu desconhecer os termos de qualquer acordo em negociação. Albares afirmou apenas que iniciativas seriam bem-vindas se contribuíssem para o fortalecimento da segurança euro-atlântica, ressaltando, ainda assim, a liderança dos Estados Unidos dentro da OTAN.
Especialistas em defesa avaliam que a ideia de mobilizar dezenas de milhares de soldados europeus para atuar na Groenlândia é inviável no curto e médio prazo. Além da ausência de consenso político entre os Estados-membros, faltariam recursos financeiros, interoperabilidade militar e infraestrutura adequada para sustentar uma missão desse tipo.
A proposta espanhola surge em meio à pressão de Washington para que países aliados ampliem seus gastos militares. Trump voltou a criticar publicamente a recusa da Espanha em elevar o orçamento de defesa para 5% do Produto Interno Bruto, percentual defendido pelo governo norte-americano.

Apesar do discurso assertivo, Madri mantém cooperação militar, de inteligência e diplomática com os Estados Unidos, que operam bases estratégicas em território espanhol. Analistas avaliam que o governo de Pedro Sánchez busca ganhar tempo e evitar isolamento político dentro da OTAN e da União Europeia, sem romper com Washington.
A discussão também remete ao histórico do Eurocorps, força multinacional sediada em Estrasburgo, da qual a Espanha faz parte. Embora reconhecido pela OTAN como quartel-general de alta prontidão, o Eurocorps nunca ultrapassou a dimensão de uma brigada, sendo citado por críticos como exemplo das limitações da política de defesa comum europeia.
No cenário mais amplo, cresce entre governos europeus a percepção de vulnerabilidade diante das pressões dos Estados Unidos. O debate sobre a Groenlândia expôs receios de que aliados tradicionais possam se tornar alvos de constrangimentos políticos e estratégicos, ampliando as incertezas sobre o futuro da segurança europeia e da própria coesão da OTAN.



































