Após pressão internacional, TikTok restaura conta da jornalista Bisan Owda
- www.jornalclandestino.org

- há 1 hora
- 2 min de leitura
A jornalista palestina Bisan Owda, reconhecida internacionalmente por sua cobertura da guerra na Faixa de Gaza, recuperou o acesso à sua conta no TikTok após ter sido removida da plataforma. A restauração ocorreu um dia depois do bloqueio, em meio a protestos de organizações de defesa da liberdade de imprensa e ampla repercussão na mídia internacional.

A jornalista confirmou em entrevista que voltou a ter acesso à sua conta no TikTok, que havia sido retirada do ar de forma inesperada. Segundo ela, embora o perfil esteja novamente disponível, usuários precisam digitar o nome de usuário completo para localizá-lo, o que limita o alcance espontâneo do conteúdo.
Owda também relatou ter recebido uma notificação da plataforma informando que vários de seus vídeos não seriam “elegíveis para receber referências”, sem detalhamento público dos critérios utilizados. Até o momento, não há registros de novas publicações em sua conta desde setembro de 2025, período em que jornalistas em Gaza enfrentam severas restrições de comunicação.
A jornalista ganhou projeção global ao publicar vídeos diários diretamente de Gaza, documentando o impacto da ofensiva israelense sobre a população civil. Em seus registros, ficou conhecida pela saudação recorrente: “Esta é Bisan, de Gaza, e ainda estou viva”, frase que se tornou símbolo da resistência de comunicadores palestinos em meio ao conflito.
O trabalho de Owda também integrou produções do AJ+, braço digital da Al Jazeera, e foi reconhecido com alguns dos mais importantes prêmios do jornalismo internacional, incluindo Emmy, Peabody e Edward R. Murrow, consolidando sua relevância como correspondente em zona de guerra.
Antes da suspensão de sua conta, a jornalista alertou seguidores sobre a possibilidade de remoção, mencionando o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que é investigado por crimes de guerra relacionados às ações genocidas em Gaza. Ela também comentou que mudanças na estrutura de controle do TikTok poderiam ter “consequências” para criadores de conteúdo político.
Apesar do cessar-fogo anunciado, os ataques israelenses continuam no território palestino. Na semana anterior à restauração da conta de Owda, três jornalistas palestinos foram mortos em Gaza. Dados do Comitê para a Proteção dos Jornalistas indicam que ao menos 207 profissionais da imprensa e trabalhadores da mídia palestinos morreram desde outubro de 2023, a maioria em ações atribuídas às forças israelenses.

O episódio ocorre paralelamente ao adiamento, pelo Supremo Tribunal de Israel, de uma decisão sobre a autorização para que jornalistas estrangeiros possam cobrir a Faixa de Gaza de forma independente, sem escolta militar israelense, o que é apontado por entidades internacionais como uma restrição à liberdade de imprensa.
Procurado, o TikTok afirmou que não comenta casos individuais. No entanto, em declaração a um veículo internacional, um porta-voz informou que a conta de Bisan Owda havia sido “temporariamente restrita” por preocupações relacionadas a risco de falsidade de identidade, sendo posteriormente restabelecida após nova análise.
A restauração da conta acontece em um contexto mais amplo de mudanças na operação do TikTok nos Estados Unidos. A empresa anunciou recentemente a conclusão de um acordo para criar uma versão separada da plataforma no país, controlada por um consórcio de investimentos majoritariamente ligado a empresas norte-americanas, incluindo grupos associados ao presidente Donald Trump.



































