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QUANDO A TERRA APRENDE A CHORAR

Atualizado: 20 de jan.

POESIA

Gilson Luiz Siqueira


Há um cansaço antigo no chão da Palestina,

um cansaço que não dorme,

que acorda antes do sol

e já sabe que o dia virá ferido.


As casas não caem apenas,

elas se despedem.

Cada parede guarda um nome,

cada ruína ainda chama por alguém.


Mulheres caminham com a dor bem treinada,

sabem esconder o medo no fundo dos olhos

para que os filhos consigam seguir respirando.

Carregam a vida no colo

como quem protege uma chama no vento.


As crianças aprendem cedo demais

o som que antecede o silêncio.

Seus brinquedos são restos,

seus desenhos têm fumaça,

e a infância escorre

antes de virar memória.


Os idosos sentam-se sobre o tempo,

contando o que foi perdido

como quem reza sem palavras.

Eles lembram de oliveiras,

de ruas inteiras,

de manhãs que não precisavam de coragem.


O conflito não pede licença.

Chega rasgando o céu,

invade cozinhas, camas, orações.

Ataques não escolhem corpos,

apenas interrompem histórias.


Direitos humanos ali

não são textos,

são urgências.


São pedidos simples:

viver, voltar, enterrar os mortos

sem medo do próximo dia.


Há tristeza em cada intervalo do ar,

mas há também uma recusa silenciosa

em desaparecer.


Mesmo esmagado,

o povo permanece.


Porque aquela terra,

ainda que ferida,

continua humana.




KHALED, Belal. Faixa de Gaza, Palestina. 2025
KHALED, Belal. Faixa de Gaza, Palestina. 2025


 
 

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