Seguradoras abandonam Ormuz, frete dispara e bloqueio expõe custo da escalada contra o Irã
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As principais seguradoras marítimas anunciaram o cancelamento da cobertura contra riscos de guerra para embarcações que atravessem o Estreito de Ormuz, em meio à paralisação da navegação no Golfo Pérsico. Avisos publicados em 1º de março de 2026 estabelecem que a suspensão passa a valer a partir de 5 de março. A decisão ocorre após ataques retaliatórios iranianos contra alvos ligados a Israel e ao aparato militar estadunidense, que deixaram navios danificados e elevaram drasticamente os prêmios de seguro. O Brent chegou a subir até 13% nos mercados globais, refletindo o risco sobre uma rota responsável por cerca de 20% do petróleo e do GNL comercializados no mundo. Dados de rastreamento indicam que aproximadamente 150 embarcações permanecem ancoradas ou à deriva na região.

Entre as seguradoras que retiraram a cobertura estão Gard, Skuld, NorthStandard, London P&I Club e American Club, conforme comunicados divulgados em seus próprios sites. Com a retirada das apólices de risco de guerra, armadores passaram a buscar contratos emergenciais com prêmios significativamente mais altos ou simplesmente suspenderam a travessia. Nas últimas 48 horas, os prêmios subiram de cerca de 0,2% para até 1% do valor da embarcação, o que acrescenta centenas de milhares de dólares a cada viagem.
David Smith, chefe da área marítima da corretora McGill and Partners, afirmou que “cada seguradora está invariavelmente aumentando as taxas ou, em alguns casos, para embarcações que passam pelo Estreito de Ormuz, até mesmo se recusando a oferecer condições neste momento”. Já Munro Anderson, da Vessel Protect, parte da Pen Underwriting, declarou que o mercado enfrenta “o que é essencialmente um fechamento de fato do Estreito de Ormuz, baseado principalmente na percepção de ameaça, e não em um bloqueio tangível”.
Segundo a Bloomberg, pelo menos 40 superpetroleiros do tipo VLCC, cada um com capacidade para cerca de 2 milhões de barris, estão ociosos no Golfo Pérsico, com base em dados da Kpler. A consultoria Vortexa registrou que apenas quatro superpetroleiros atravessaram o estreito no domingo, contra 22 no dia anterior, evidenciando a queda abrupta no tráfego.
O Centro Conjunto de Informação Marítima (JMIC) elevou o nível de alerta para “crítico”, citando “ataques confirmados de mísseis e drones contra várias embarcações comerciais no Golfo de Omã, nas proximidades de Musandam e nas águas costeiras dos Emirados Árabes Unidos”. Um navio-tanque de petróleo e produtos químicos com bandeira estadunidense, o Stena Imperative, foi atingido por dois projéteis enquanto estava atracado no porto do Bahrein.
As colisões e impactos recentes deixaram pelo menos cinco embarcações danificadas, cerca de 150 ancoradas na região e duas pessoas mortas. O fechamento de fato ocorre após a ofensiva militar conjunta israelense-estadunidense contra o Irã no sábado anterior, que desencadeou ataques retaliatórios iranianos contra alvos israelenses nos territórios ocupados e bases militares estadunidenses no Golfo.
Analistas do JPMorgan & Chase estimaram que, se o Estreito de Ormuz permanecer efetivamente fechado por mais de 25 dias, produtores poderão ser forçados a interromper a produção devido ao congestionamento das exportações e à limitação de navios disponíveis. Com cerca de um quinto do petróleo e do GNL globais transitando pela rota, a escalada militar patrocinada por Tel Aviv e Washington impõe custo imediato às cadeias energéticas internacionais e amplia a instabilidade estrutural no Oriente Médio.
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