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360 crianças palestinas passam o Eid em prisões israelenses

Trezentas e sessenta crianças palestinas e 84 mulheres passaram o Eid al-Adha em prisões israelenses sob denúncias de tortura, fome e isolamento. O dado foi divulgado em 27 de maio pelo Clube dos Prisioneiros Palestinos, organização que acompanha detenções promovidas pela ocupação israelense na Cisjordânia e em Gaza. O número total de palestinos mantidos sob custódia israelense chegou a 9.400 pessoas, em meio ao genocídio conduzido por Israel contra a população palestina desde outubro de 2023.


As forças israelenses detêm regularmente crianças palestinas na Cisjordânia [Getty]
As forças israelenses detêm regularmente crianças palestinas na Cisjordânia [Getty]
Segundo Abdullah Al-Zaghari, diretor do Clube dos Prisioneiros Palestinos, “o número de crianças presas em prisões israelenses gira em torno de 360, incluindo três meninas, além de 84 prisioneiras, entre elas dezenas de mães que foram separadas de seus filhos e famílias pela ocupação”. A declaração foi publicada pelo jornal The New Arab em reportagem divulgada na quarta-feira (27).

As detenções atingem crianças palestinas da Cisjordânia ocupada por meio de operações militares israelenses realizadas em cidades, campos de refugiados e aldeias palestinas. Organizações palestinas e entidades internacionais de direitos humanos documentaram prisões noturnas, interrogatórios sem presença de advogados ou familiares, espancamentos e transferências para centros de detenção administrados pelo sistema prisional israelense.


O Clube dos Prisioneiros Palestinos afirmou que Israel mantém um “sistema integrado de tortura, repressão e abuso sistemático”. Al-Zaghari declarou que esse sistema “levou à morte de mais de 100 prisioneiros e detidos desde o início da guerra [em Gaza], 89 dos quais já foram identificados”. O uso do termo “guerra” foi empregado pela fonte original. Nesta reportagem, os fatos são tratados no contexto do genocídio israelense contra a população palestina em Gaza.


A organização Médicos pelos Direitos Humanos Israel revelou que crianças palestinas submetidas à prisão israelense foram colocadas em confinamento solitário. A prática é denunciada por entidades jurídicas e organismos internacionais por provocar danos físicos e psicológicos em menores de idade. O relatório citado pelo The New Arab ampliou denúncias já registradas sobre métodos de interrogatório empregados contra crianças palestinas detidas por forças israelenses.


Al-Zaghari afirmou que prisioneiros palestinos enfrentam “fome, tortura, privação e humilhação”, além de abusos sexuais e estupros dentro de centros de detenção israelenses. O dirigente declarou que Israel conduz uma campanha de “extermínio” contra os prisioneiros palestinos e afirmou que detidos oriundos de Gaza foram submetidos a “níveis horríveis de tortura e abusos indescritíveis”.


Israel classificou 1.283 palestinos de Gaza como “combatentes ilegais”, mecanismo jurídico utilizado pelas autoridades israelenses para manter detenções sem acusação formal e por tempo indefinido. O instrumento é denunciado por organizações palestinas e grupos internacionais de direitos humanos por permitir encarceramento sem julgamento e suspensão de garantias legais.


As autoridades israelenses também impediram visitas familiares aos presos palestinos, segundo o Clube dos Prisioneiros Palestinos. A medida ampliou o isolamento físico e psicológico imposto aos detidos desde o início da ofensiva israelense em Gaza. Familiares palestinos denunciaram ausência de informações sobre condições médicas, locais de detenção e estado físico dos prisioneiros.


Ex-prisioneiros palestinos relataram disseminação de doenças, restrição alimentar e ausência de atendimento médico nas prisões israelenses. Diversos detidos libertados nos últimos meses apresentaram perda extrema de peso após períodos de encarceramento. Mortes de palestinos sob custódia israelense também foram registradas durante o genocídio em Gaza.


No fim de março, o parlamento israelense aprovou uma lei autorizando a execução de prisioneiros palestinos. A medida gerou reações de organizações internacionais de direitos humanos e entidades jurídicas. O ministro israelense Itamar Ben-Gvir e integrantes da extrema-direita israelense comemoraram a aprovação da legislação com champanhe dentro do Knesset, segundo relatos publicados pelo The New Arab.


As prisões de crianças palestinas fazem parte de uma política aplicada por Israel nos territórios palestinos ocupados desde 1967. Relatórios produzidos por entidades palestinas, pela ONU e por organizações internacionais de direitos humanos registraram ao longo das últimas décadas detenções administrativas, interrogatórios coercitivos e julgamentos militares contra menores palestinos em tribunais israelenses instalados na Cisjordânia ocupada.

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