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A ONU adiciona Israel à "lista negra" de perpetradores de violência sexual

As Nações Unidas incluíram Israel em sua “lista negra” de perpetradores de violência sexual em zonas de conflito, segundo informações divulgadas pela agência palestina WAFA nesta quinta-feira (28). A medida atinge o Serviço Prisional Israelense e outras autoridades israelenses colocadas sob monitoramento por denúncias de abusos sexuais contra palestinos presos e detidos durante o genocídio em Gaza e a ocupação da Cisjordânia. A inclusão ocorre após meses de relatos produzidos por organizações palestinas, entidades internacionais de direitos humanos e testemunhos de ex-prisioneiros submetidos a tortura, estupros e violência sexual sob custódia israelense.


Organizações palestinas afirmam que detenções em massa foram acompanhadas por métodos de tortura
Organizações palestinas afirmam que detenções em massa foram acompanhadas por métodos de tortura

De acordo com a WAFA, a decisão será formalizada pela ONU em relatório sobre violência sexual em zonas de conflito. O site israelense Ynet informou que entidades israelenses passaram a integrar a lista de países e organizações acusadas de praticar violência sexual durante operações militares, detenções e interrogatórios.


Entre os órgãos citados está o Serviço Prisional Israelense. Outras autoridades israelenses foram colocadas sob um “quadro de monitoramento”, mecanismo utilizado pela ONU para acompanhar denúncias e avaliar futuras inclusões formais na lista de perpetradores.


A medida foi anunciada em meio ao crescimento de denúncias sobre abusos cometidos contra palestinos presos por forças israelenses desde o início do genocídio em Gaza, em outubro de 2023. Relatórios palestinos e internacionais registraram centenas de depoimentos de prisioneiros oriundos de Gaza, da Cisjordânia ocupada e de Jerusalém Oriental.


Os relatos descrevem espancamentos, choques elétricos, privação de alimentação, isolamento prolongado, nudez forçada, ameaças de estupro e violência sexual durante interrogatórios conduzidos por militares, agentes penitenciários e serviços de inteligência israelenses. Organizações palestinas afirmam que detenções em massa foram acompanhadas por métodos de tortura empregados em centros militares e prisões israelenses.

Entidades de direitos humanos também denunciaram o uso de cães durante interrogatórios, privação de atendimento médico e desaparecimento temporário de palestinos detidos em Gaza. Diversos familiares relataram ausência de informações sobre paradeiro de presos transferidos para instalações militares israelenses após operações terrestres e bombardeios contra a Faixa de Gaza.


A ONU já havia incluído anteriormente forças militares e grupos armados de diferentes países em listas relacionadas a violência sexual em zonas de conflito. A inclusão de Israel ocorre em um contexto de pressão internacional sobre Tel Aviv diante do aumento das denúncias ligadas ao genocídio palestino, ao sistema prisional israelense e à expansão da ocupação militar na Cisjordânia.


A WAFA também destacou que organizações de mídia e direitos humanos documentaram depoimentos detalhando tortura e abuso sexual contra palestinos durante prisões, interrogatórios e períodos de detenção. Parte dessas denúncias foi apresentada por entidades palestinas perante organismos internacionais e tribunais ligados às Nações Unidas.


No mesmo dia em que a inclusão de Israel na lista foi divulgada, a WAFA publicou que o número de mortos em Gaza chegou a 72.819 desde 7 de outubro de 2023. A agência também informou que forças israelenses detiveram seis palestinos em Hebron e agrediram mulheres e crianças durante operações militares na cidade ocupada.


O anúncio da ONU ocorre enquanto ministros israelenses ligados à extrema-direita defendem ampliação das operações militares em Gaza e manutenção das detenções em massa de palestinos. O governo israelense rejeita acusações internacionais relacionadas ao genocídio palestino e às denúncias de tortura e violência sexual contra prisioneiros sob custódia do Estado israelense.

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