Israel afirma ter matado o novo chefe militar do Hamas em uma noite de intensos bombardeios
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A ocupação israelense anunciou em 28 de maio a morte de Mohammed Odeh, apontado por Tel Aviv como novo comandante das Brigadas Izz al-Din al-Qassam, braço militar do Hamas, durante bombardeios contra a Cidade de Gaza. Os ataques atingiram edifícios residenciais no bairro de Rimal e mataram ao menos seis pessoas, segundo fontes médicas palestinas citadas pelo The New Arab. A ofensiva ocorreu durante o Eid al-Adha e em meio ao genocídio conduzido por Israel contra a população palestina desde outubro de 2023.
![Os ataques israelenses à Cidade de Gaza na noite de terça-feira mataram pelo menos seis pessoas, incluindo o chefe do Hamas, Mohammed Odeh [Getty]](https://static.wixstatic.com/media/3a76c2_a393e70b2cd64d8eac08be0cf92c4298~mv2.avif/v1/fill/w_980,h_654,al_c,q_85,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/3a76c2_a393e70b2cd64d8eac08be0cf92c4298~mv2.avif)
Em comunicado divulgado na quarta-feira, o exército israelense e a agência de inteligência Shin Bet afirmaram que Mohammed Odeh foi morto em uma operação conjunta realizada durante a noite de terça-feira, 27 de maio, contra diversos alvos localizados no centro da Faixa de Gaza. Israel acusou Odeh de atuar na coordenação das Brigadas Izz al-Din al-Qassam e de participar do planejamento das operações palestinas de 7 de outubro de 2023.
O Hamas não confirmou oficialmente a morte de Odeh. Veículos palestinos, porém, relataram que ele morreu junto de integrantes de sua família, incluindo esposa e filhos, após os bombardeios israelenses atingirem áreas residenciais da Cidade de Gaza.
Segundo o The New Arab, Mohammed Odeh havia assumido a liderança das Brigadas al-Qassam semanas antes, após a morte de Izz al-Din Haddad em outro ataque israelense. Antes disso, Odeh atuava na inteligência interna do Hamas. A ofensiva integra uma sequência de assassinatos promovidos por Israel contra dirigentes políticos e militares palestinos, incluindo Mohammed Deif, Yahya Sinwar e Ismail Haniyeh.
O pesquisador Nasser Khdour, gerente assistente de pesquisa para o Oriente Médio da plataforma ACLED, afirmou ao The New Arab que “a morte de chefes militares como Odeh e Haddad aponta para a capacidade operacional de Israel de alcançar a liderança militar do Hamas”. Ele acrescentou que “apesar das perdas, o braço militar do Hamas permaneceu resiliente” e continuou substituindo dirigentes mortos.
Fontes palestinas informaram que os bombardeios deixaram dezenas de feridos no bairro de Rimal, uma das áreas de maior densidade populacional da Cidade de Gaza. Equipes de resgate retiraram corpos e sobreviventes dos escombros do edifício Ajjour, atingido por múltiplos ataques simultâneos realizados por aviões israelenses.
A organização Médicos pela Palestina informou que uma funcionária da entidade e seu filho bebê ficaram feridos nos ataques. Trabalhadores humanitários relataram que as ruas estavam cheias devido à preparação para o Eid al-Adha no momento dos bombardeios.
Mai Elawawda, responsável de comunicação da entidade em Gaza, declarou ao The New Arab que “esses ataques acontecem em um momento que deveria ser marcado pelas celebrações do Eid, mas que está sendo encoberto por ataques contínuos durante o chamado cessar-fogo”.
O cessar-fogo mencionado entrou em vigor em 11 de outubro de 2025, após negociações mediadas por governos árabes e pela administração estadunidense do presidente Donald Trump. Apesar disso, bombardeios e ataques de artilharia israelenses continuaram em diversas regiões da Faixa de Gaza.
Autoridades palestinas de saúde afirmaram que ao menos 906 palestinos foram mortos desde o início da trégua. O número total de mortos no genocídio em Gaza ultrapassou 72,7 mil pessoas desde outubro de 2023, segundo dados palestinos citados pelo The New Arab.
As negociações relacionadas ao plano de cessar-fogo patrocinado pelo governo estadunidense seguem sem avanço. A proposta apresentada por Donald Trump previa uma trégua em etapas, desarmamento do Hamas e criação de uma administração tecnocrática para governar Gaza durante a reconstrução do território destruído pelos bombardeios israelenses.
As conversas sofreram paralisação após a escalada militar envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã no início de 2026. O desarmamento do Hamas permanece como ponto central do impasse. O movimento palestino afirma que não entregará armas enquanto Israel mantiver tropas em partes da Faixa de Gaza.
Nasser Khdour afirmou ao The New Arab que “a morte de comandantes seniores dificilmente levará o Hamas ao desarmamento ou à aceitação da remoção completa de seu papel na segurança e governança de Gaza”. Segundo ele, as decisões do grupo “são moldadas por cálculos relacionados à sobrevivência do movimento, sua coesão interna e pela possibilidade de qualquer acordo realmente obrigar Israel a interromper seus ataques”.
A segunda fase do plano de cessar-fogo, prevista inicialmente para janeiro de 2026, não foi implementada. O Hamas segue exercendo controle administrativo sobre Gaza e reativou setores de sua força policial interna, enquanto Israel mantém operações militares, bloqueios e ataques contra diferentes regiões do território palestino.



































