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Reino Unido divulga detenções e expulsões de migrantes em redes sociais

O governo do Reino Unido passou a divulgar, em vídeos publicados no TikTok, imagens de detenções e expulsões de migrantes em situação irregular. A iniciativa, lançada pelo Ministério do Interior, ocorre em meio ao endurecimento das políticas migratórias, ao aumento das travessias ilegais pelo Canal da Mancha e a críticas de partidos de oposição e organizações de defesa dos direitos humanos.


@arquivo
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O Ministério do Interior britânico lançou uma conta oficial no TikTok chamada “Secure Borders UK” (“Fronteiras Seguras no Reino Unido”) para publicar conteúdos que mostram ações de fiscalização, detenções e expulsões de migrantes sem autorização legal para permanecer no país. Em poucas horas, o perfil ultrapassou 1.400 seguidores e destacou como objetivo a promessa de “restaurar a ordem e o controle” das fronteiras.


O primeiro vídeo divulgado, com cerca de 20 segundos, apresenta pessoas com os rostos desfocados sendo detidas durante operações policiais e escoltadas até aeronaves, algumas algemadas. A gravação termina com a mensagem “Isto é apenas o começo”, reforçando o tom de endurecimento adotado pelo governo.


A estratégia ocorre sob a liderança do primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer, que enfrenta pressão política após o crescimento do partido anti-imigração Reform UK, liderado por Nigel Farage. Desde a eleição de julho de 2024, o governo prometeu intensificar o combate à imigração irregular, com foco no desmantelamento de redes organizadas de tráfico de pessoas.


Apesar das medidas, o número de migrantes que chegaram ilegalmente ao Reino Unido em pequenas embarcações em 2025 foi o segundo mais alto desde o início dos registros oficiais, em 2018, evidenciando a persistência do problema.


A iniciativa nas redes sociais provocou reações imediatas. O deputado conservador Chris Philp, responsável por assuntos de segurança interna e integrante da principal força de oposição, classificou a conta como uma “artimanha patética” e afirmou ser “ridícula” a ideia de que vídeos desse tipo possam desencorajar travessias ilegais.


Organizações da sociedade civil também criticaram a medida. A associação Freedom From Torture, que atua no apoio a refugiados, acusou o governo de promover um conteúdo “populista e desumanizante”, criado para distrair a opinião pública e aprofundar divisões sociais.


Segundo dados oficiais do Ministério do Interior, as operações de fiscalização por trabalho ilegal atingiram níveis recordes no atual mandato. Entre julho de 2024 e dezembro de 2025, foram realizadas cerca de 17.400 inspeções em estabelecimentos considerados de risco, como restaurantes, salões de manicure e barbearias, resultando em 12.300 detenções.


A ministra do Interior, Shabana Mahmood, defendeu a intensificação das ações e afirmou que o objetivo é garantir que “migrantes em situação irregular que atuam na economia clandestina não tenham onde se esconder”.


Autoridades francesas apontam, de forma recorrente, que a facilidade de acesso ao mercado de trabalho informal no Reino Unido é um dos principais fatores que atraem migrantes que entram de forma clandestina no país, mantendo o tema no centro das tensões políticas e diplomáticas europeias.

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