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Relatório da ONU aponta corrupção como eixo central do tráfico de pessoas em escala global

Um novo relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) afirma que a corrupção é um fator decisivo para a existência e a expansão do tráfico de seres humanos no mundo. O estudo revela que o crime depende da conivência ou participação direta de agentes públicos em todas as suas etapas, do recrutamento à exploração das vítimas.


©PINTEREST
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A corrupção está presente em praticamente todas as fases do tráfico de seres humanos e é um elemento-chave para que o crime ocorra em larga escala, segundo relatório divulgado pelo UNODC em 20 de janeiro de 2026. A análise se baseia em mais de 120 casos registrados em quase 80 países, reunidos a partir de consultas com legisladores, promotores, investigadores e especialistas independentes de mais de 30 nações.


O estudo detalha como a atuação de funcionários públicos corruptos — ou coagidos por redes criminosas — permite que esquemas de tráfico operem com baixo risco de detecção. Guardas de fronteira, policiais, agentes migratórios e outros servidores aparecem como facilitadores diretos ou indiretos, seja por meio do recebimento de subornos, favores sexuais ou omissão deliberada diante de irregularidades.


Um dos casos citados ocorreu no Chile, em 2011, quando um traficante foi condenado por recrutar cidadãos peruanos em situação de vulnerabilidade econômica e organizar sua entrada no país para fins de exploração sexual. As investigações revelaram que um policial chileno destacado na fronteira colaborou com o esquema, facilitando o deslocamento das vítimas.


Segundo o UNODC, o tráfico de seres humanos assume diversas formas, incluindo exploração sexual, trabalho forçado, mendicância forçada, remoção de órgãos e adoções ilegais. Em todos esses contextos, a corrupção funciona como um “manto protetor” que garante a continuidade das operações criminosas.


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Durante o recrutamento e o transporte das vítimas, agentes corruptos fornecem documentos falsos ou irregulares, ignoram violações legais e cooperam com agências de recrutamento fraudulentas e organizações criminosas. Nas fronteiras, subornos e registros obtidos de forma ilícita permitem que pessoas sejam transferidas entre países sem a devida fiscalização.


O relatório destaca que, uma vez exploradas, as vítimas enfrentam enormes dificuldades para buscar ajuda. A corrupção sustenta ambientes de exploração em setores como agricultura, construção civil, pesca e trabalho doméstico, perpetuando situações de trabalho forçado, exploração sexual e criminalidade imposta. Esse cenário reforça o isolamento das vítimas e reduz as chances de denúncia.


Além de facilitar o crime, a corrupção compromete diretamente os esforços de enfrentamento ao tráfico de pessoas. Segundo o estudo, investigações policiais, processos judiciais e até a prestação de assistência às vítimas podem ser enfraquecidos por interferências ilícitas, resultando em impunidade e desconfiança nas instituições.


Trabalho escravo ©IMRS
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Para romper esse ciclo, o UNODC vem apoiando países na adoção de medidas legais e institucionais mais rigorosas. Entre as recomendações estão o agravamento das penas quando funcionários públicos estiverem envolvidos em casos de tráfico e a criação de mecanismos seguros de denúncia, capazes de proteger vítimas e denunciantes.


Outras agências da ONU também atuam no fortalecimento da prevenção. Com apoio da Organização Internacional para as Migrações (OIM), a Moldávia anunciou recentemente o reforço de sua capacidade de identificar e impedir crimes transfronteiriços, incluindo o tráfico de pessoas, por meio da nova sede da Unidade de Informação ao Passageiro.


A unidade opera com softwares avançados desenvolvidos pelas Nações Unidas, que ampliam a coleta e a análise de dados de passageiros e permitem respostas mais rápidas das autoridades. A Moldávia tornou-se o sétimo país a adotar esse sistema, seguindo iniciativas semelhantes implementadas anteriormente na Noruega, Luxemburgo, Botsuana, Geórgia, Filipinas e Mongólia.


De acordo com o UNODC, o uso de tecnologia aliada à proteção de dados pessoais pode fortalecer políticas públicas baseadas em evidências e ampliar a capacidade dos Estados de identificar redes criminosas, reduzir a corrupção institucional e proteger potenciais vítimas do tráfico de seres humanos.o tráfico de seres humanos.

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