"Respeitosamente, Bill Gates precisa calar a boca."Mother Jones
- www.jornalclandestino.org

- 9 de nov de 2025
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Bill Gates provocou forte reação pública ao relativizar a urgência da crise climática justamente na semana em que o furacão Melissa — o mais intenso a atingir o Atlântico em 90 anos — devastou Jamaica e outros países do Caribe. Em um texto publicado em seu site pessoal, o fundador da Microsoft afirmou que há um “excesso de ênfase” em metas de redução de emissões, defendendo um “pivô estratégico” que priorize pobreza e doenças. As declarações ocorreram enquanto a tempestade, intensificada pelo aumento da temperatura oceânica, avançava com ventos de 185 mph.
O bilionário reforçou sua posição em entrevista à CNBC, justificando inclusive o aumento da infraestrutura energética baseada em combustíveis fósseis para sustentar projetos de inteligência artificial da Microsoft. Ele argumentou que o aquecimento global “deve ser pensado em termos de bem-estar humano geral”, sem comentar a tragédia em curso no Caribe, que já havia deixado dezenas de mortos em Cuba, Haiti, Bahamas e República Dominicana.

Especialistas e analistas climáticos contestaram a premissa central de Gates, classificando como falsa a ideia de que existe um conflito entre qualidade de vida e redução de emissões. Pesquisadores destacam que eventos extremos — como o próprio Melissa — têm impacto direto no agravamento da pobreza, da insegurança alimentar e das doenças, especialmente em regiões já vulneráveis.
O posicionamento de Gates ocorre em um momento em que governos e corporações reduzem investimentos em políticas climáticas, redirecionando orçamentos para setores como defesa. Organizações internacionais alertam para o retrocesso global no financiamento de mitigação e adaptação climática, apesar de o secretário-geral da ONU afirmar que ultrapassar o limite de 1,5°C do Acordo de Paris é agora “inevitável”.
Críticos também apontam que países ricos vêm cortando assistência internacional e reduzindo apoio a iniciativas de adaptação, agravando desigualdades para nações que contribuem pouco para as emissões, mas enfrentam os impactos mais severos. Em contrapartida, nações como Paquistão e Ruanda têm avançado no uso de energia solar para agricultura e serviços essenciais, enquanto hospitais caribenhos reconstruídos após o furacão dependem de sistemas solares para garantir energia frente a apagões.
Apesar das controvérsias, Gates reconheceu avanços no setor de inovação climática e destacou a importância de transformar agricultura e uso da terra, embora críticos afirmem que seu diagnóstico ignora as responsabilidades dos principais emissores e minimiza os riscos reais do aquecimento global.
Fonte: Mother Jones (Climate Desk Collaboration).



















































