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Surto de antraz agrava crise de segurança no leste da República Democrática do Congo

Enquanto os holofotes internacionais seguem voltados para outros conflitos, a República Democrática do Congo (RDC) vive uma das mais graves e negligenciadas tragédias humanitárias do planeta. Desde o avanço das forças rebeldes do M23, no início de 2025, quase 7 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência vinculada à ONU.



GOMA, REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO, NOVEMBRO DE 2008 Uma mãe refugiada e sua filha, vítima de cólera, na unidade de emergência de cólera do hospital de Goma. ©Alvaro Ybarra. Arquivo
GOMA, REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO, NOVEMBRO DE 2008 Uma mãe refugiada e sua filha, vítima de cólera, na unidade de emergência de cólera do hospital de Goma. ©Alvaro Ybarra. Arquivo


Apenas nos primeiros meses do ano, mais de 660 mil congoleses fugiram da região de Goma, após o colapso das forças governamentais, que perderam o controle de cidades estratégicas como Goma e Bukavu. A ofensiva insurgente transformou as duas maiores cidades do leste congolês em zonas fantasmas, empurrando milhares para campos de deslocados superlotados, sem saneamento, água potável ou acesso a saúde.


Epidemias como varíola dos macacos e antraz agora se espalham nesses acampamentos — onde a fome, a promiscuidade ambiental e a negligência estatal criam um campo fértil para o colapso biológico. O alerta veio da própria Organização Mundial da Saúde (OMS), que confirma a morte de um civil e pelo menos 16 casos suspeitos de antraz desde março, após a morte misteriosa de dezenas de búfalos e hipopótamos envenenados no Parque Nacional de Virunga.


A escalada sanitária é diretamente conectada à guerra: a insegurança alimentar, provocada pela destruição de plantações e fuga em massa da população rural, tem levado comunidades inteiras a consumir animais selvagens ou carne contaminada — aumentando o risco de zoonoses como o antraz.


Apesar de tratáveis com antibióticos e evitáveis por vacinas, ambas as doenças seguem em expansão, enquanto a resposta internacional permanece tímida. A OMS, em parceria com organizações locais, tenta promover campanhas emergenciais de vacinação animal e humana, mas os esforços são insuficientes diante do colapso social em curso.


Enquanto isso, o mundo assiste em silêncio à desintegração de uma nação rica em recursos e sistematicamente saqueada por interesses estrangeiros — onde a guerra, a doença e o deslocamento forçado caminham lado a lado, invisíveis para os algoritmos de trending topics e para a política externa das potências globais.

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