Três garimpeiros morrem asfixiados em mina de Moçambique
- www.jornalclandestino.org

- 16 de jan.
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Três garimpeiros morreram asfixiados após um incidente envolvendo um gerador em uma mina no distrito de Vanduzi, na província de Manica, no centro de Moçambique. O caso reacende o alerta sobre as condições precárias e a exploração desordenada da mineração na região, segundo autoridades do governo moçambicano.
O ministro da Defesa de Moçambique, Cristóvão Chume, confirmou as mortes durante uma visita à mina conhecida como “Seis Carros”, em Manica. De acordo com o governante, as vítimas dormiam em condições consideradas degradantes quando ocorreu o incidente que provocou a asfixia.
Chume afirmou que o episódio evidencia a ausência de regras e de condições mínimas de segurança no local. Segundo ele, não há serviços básicos de emergência, como ambulâncias, o que pode ter contribuído para o desfecho fatal. O ministro destacou que um dos trabalhadores ainda apresentava sinais de vida ao ser encontrado e poderia ter sido socorrido se houvesse estrutura adequada.

O caso ocorre poucos dias após outro acidente na mesma mina. Na semana anterior, pelo menos uma pessoa morreu e outras duas ficaram gravemente feridas após um desabamento, segundo informações do hospital provincial de Manica. O incidente aconteceu no dia 8 de janeiro, quando um grupo numeroso invadiu a área para explorar recursos minerais de forma irregular.
Relatos de moradores indicam que mais de 100 pessoas estavam no local no momento do desabamento, embora apenas três feridos tenham sido encaminhados ao hospital, todos homens. As autoridades apontam que a mineração informal e sem fiscalização tem ampliado os riscos à vida dos trabalhadores.
Os acidentes ocorrem em meio à suspensão das atividades mineiras determinada pelo governo moçambicano, adotada para conter a erosão do solo, o assoreamento de rios e outros impactos ambientais provocados pela exploração desordenada. Em dezembro, o Executivo estabeleceu um prazo de 90 dias para que empresas do setor recuperassem áreas degradadas e estabilizassem os solos afetados.
Segundo o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, na província de Manica a Agência de Controlo de Qualidade Ambiental notificou 25 empresas para iniciar processos de reabilitação ambiental. Em Tete, outra província afetada, uma comissão multissetorial avalia o descumprimento de planos ambientais por parte das mineradoras.
O presidente de Moçambique, Daniel Chapo, já classificou a situação como um “desastre ambiental” e admitiu a possibilidade de suspensão total da atividade mineira em áreas críticas. Relatórios oficiais apontam poluição grave de rios, com alteração da cor da água e descarte de resíduos sem tratamento adequado.
Diante do cenário, o governo criou uma comissão interministerial envolvendo diversas pastas, incluindo Defesa, Saúde, Ambiente, Justiça e Trabalho, para avaliar os impactos da mineração, fiscalizar irregularidades e propor medidas para proteger trabalhadores, comunidades locais e o meio ambiente.



















































