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Trump ameaça Minnesota com “dia de acerto de contas”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um “dia de acerto de contas e retribuição” se aproxima de Minnesota, em meio à onda de protestos provocada após morte de uma mulher durante uma operação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minneapolis. A declaração ocorre enquanto o governo amplia o envio de agentes federais ao estado e enfrenta ações judiciais e críticas de autoridades locais e internacionais.


©NYCLU
©NYCLU

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (13) que Minnesota enfrentará um “dia de acerto de contas e retribuição”, em meio à intensificação de protestos após a morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, baleada por um agente do ICE durante uma operação em Minneapolis, a maior cidade do estado.


A afirmação foi publicada ao final de um longo texto divulgado por Trump em sua rede social, a Truth Social, sem detalhamento sobre quais medidas seriam adotadas. A mensagem foi posteriormente repercutida pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, responsável pela supervisão das políticas de imigração.

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A declaração de Trump ocorre dias após o governo federal anunciar o envio de centenas de novos agentes do ICE para Minnesota. Com isso, o número de agentes federais na região passou a superar significativamente o efetivo das forças policiais locais, situação que autoridades municipais e estaduais classificaram como uma escalada perigosa e desproporcional.


Em suas declarações, Trump afirmou que os agentes do ICE atuam para remover imigrantes indocumentados, a quem associou a antecedentes criminais, e voltou a responsabilizar a política migratória do governo anterior, comandado por Joe Biden, pelo aumento da imigração irregular. Ele concluiu a mensagem afirmando que a população do estado não deveria temer, pois o “dia do acerto de contas” estaria próximo.


Paralelamente, o governo de Minnesota e as prefeituras de Minneapolis e Saint Paul ingressaram com uma ação judicial contra o Departamento de Segurança Interna. O processo sustenta que o aumento do contingente federal viola a liberdade de expressão dos moradores e fere prerrogativas constitucionais do estado. Um juiz federal começou a analisar os argumentos apresentados nesta terça-feira.


Em nota, o procurador-geral de Minnesota afirmou que moradores estariam sendo alvo de discriminação racial, assédio e intimidação. Segundo o comunicado, escolas entraram em regime de confinamento, comércios fecharam as portas e a polícia estadual tem dedicado grande parte de seus recursos para lidar com o impacto da presença ampliada do ICE.


Os protestos se mantêm diários desde a morte de Renee Nicole Good. Pouco após o episódio, o governo Trump classificou a mulher como “terrorista doméstica” e afirmou que o agente agiu em legítima defesa, alegando que ela teria usado o veículo como arma. No entanto, vídeos amplamente divulgados levantaram dúvidas sobre essa versão, ao sugerirem que Good tentava deixar o local quando foi atingida pelos disparos.


Autoridades locais também criticaram a decisão do FBI de impedir a participação de um órgão investigativo estadual independente nas apurações do caso. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, declarou que tanto essa medida quanto as declarações do governo federal colocam em xeque a credibilidade de qualquer conclusão oficial sobre o ocorrido.


A repercussão do caso ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos. O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou a abertura de uma investigação rápida, independente e transparente sobre a morte de Good e sobre a conduta das forças federais envolvidas.


Antes mesmo do episódio, o governo Trump já havia reforçado a presença de agentes de imigração em Minnesota, estado que abriga uma expressiva comunidade somali-americana. O presidente vinha denunciando supostas fraudes associadas a esse grupo, em declarações que foram criticadas por lideranças locais e organizações de direitos civis.


Na quarta-feira (14), o governo federal anunciou ainda a revogação do Status de Proteção Temporária (TPS) para cidadãos da Somália. Segundo o Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos, os beneficiários da medida deverão deixar o país até 27 de março. O Conselho de Relações Americano-Islâmicas (CAIR) condenou a decisão, classificando-a como mais um ataque discriminatório contra a comunidade somali nos Estados Unidos.

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