Trump confirma que ficou "perturbado" com Netanyahu por causa da guerra no Líbano
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O governo do primeiro-ministro Narendra Modi intensificou ações contra dirigentes e militantes do Partido Comunista da Índia (Marxista), PCI(M), por meio de investigações, operações policiais e intervenções do aparato estatal. A escalada ocorre após derrotas eleitorais da esquerda em estados historicamente administrados pelo partido e em meio a denúncias de manipulação do processo eleitoral. Dirigentes comunistas acusam o governo de utilizar órgãos estatais para enfraquecer a oposição e restringir direitos democráticos.

Dados divulgados pelo próprio PCI(M) indicam que a Diretoria de Fiscalização (DF), órgão subordinado ao poder executivo indiano, abriu mais de 4.400 investigações contra integrantes da oposição durante o governo Modi. Segundo o partido, esse número corresponde a 95% dos casos conduzidos pelo órgão no período, enquanto integrantes e aliados do Partido Bharatiya Janata (BJP), legenda do primeiro-ministro, permaneceram fora do alcance das mesmas medidas.
A ofensiva ganhou novos contornos durante as eleições realizadas em abril de 2026 em Bengala Ocidental. O estado foi governado pelo PCI(M) entre 1977 e 2011 e permanece como um dos principais redutos históricos da esquerda indiana. Nos dois meses anteriores ao pleito, a Diretoria de Fiscalização realizou mais de 20 operações contra dirigentes oposicionistas. Paralelamente, segundo dados citados pelo PCI(M), 9,1 milhões de eleitores foram retirados das listas eleitorais, incluindo 3,11 milhões de muçulmanos.
O resultado da eleição marcou a primeira vitória do BJP em Bengala Ocidental. Para setores da oposição, o processo ocorreu em meio a intervenções administrativas que alteraram as condições da disputa política. A retirada de milhões de nomes dos registros eleitorais tornou-se um dos principais pontos de contestação levantados por organizações oposicionistas após o pleito.
A pressão sobre o PCI(M) continuou em Kerala. Em maio de 2026, o partido perdeu o governo estadual que administrava havia dez anos. O BJP saiu vencedor da disputa eleitoral e ampliou sua presença institucional em uma região que historicamente concentrou movimentos sindicais, organizações camponesas e forças políticas de esquerda.
Dias após a derrota eleitoral, em 27 de maio, agentes da Diretoria de Fiscalização realizaram buscas na residência de Pinarayi Vijayan, ex-ministro-chefe de Kerala e integrante do Secretariado do PCI(M). A operação foi vinculada ao chamado "caso Exalogic", investigação na qual tribunais indianos já haviam concluído que Vijayan não possuía envolvimento.
O secretário-geral do partido, M.A. Baby, classificou a ação como um "ato de vingança politicamente motivado". A declaração foi divulgada pelo PCI(M) após a operação conduzida pela Diretoria de Fiscalização.
Em resposta, o partido organizou uma manifestação diante da sede da Diretoria de Fiscalização, em Nova Délhi. O protesto foi liderado por M.A. Baby e reuniu militantes, dirigentes e apoiadores da organização.
A reação estatal ocorreu por meio de detenções realizadas pela polícia. Mais de cem manifestantes foram presos durante a mobilização, entre eles a dirigente feminista Brinda Karat, além dos membros do Secretariado do PCI(M) Ashok Dhawale, Mariam Dhawale e Vijoo Krishnan.
Após as detenções, M.A. Baby convocou a realização de "fortes protestos em todo o país" contra o que definiu como perseguição seletiva de lideranças oposicionistas e ataques a direitos democráticos.
O episódio ocorre em um cenário de fortalecimento institucional do governo Modi e de expansão dos mecanismos de vigilância, investigação e repressão política utilizados contra adversários. Organizações oposicionistas apontam que o emprego de estruturas estatais para atingir partidos concorrentes segue um padrão observado em outros países, onde processos judiciais, investigações administrativas e operações policiais passaram a desempenhar papel central na disputa política.
Fundado em 1964, o Partido Comunista da Índia (Marxista) permanece como uma das maiores organizações de esquerda do país e uma das poucas legendas com presença em diversas regiões do território indiano. Em sua página oficial, o partido afirma estar "comprometido em trabalhar para o estabelecimento da democracia popular e da transformação socialista através da unidade revolucionária de todas as forças patrióticas e democráticas com a aliança operário-camponesa como seu núcleo".
A trajetória do PCI(M) está ligada a movimentos camponeses, greves operárias, mobilizações estudantis e campanhas por direitos sociais. O apelo lançado por M.A. Baby após as operações da Diretoria de Fiscalização buscou mobilizar essa estrutura organizativa em escala nacional diante da sequência de investigações, operações policiais e detenções registradas nas últimas semanas.



































