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Trump confunde Brasil com Índia e ataca sistema eleitoral dos EUA

há 1 hora
3 min de leitura

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras provocou manifestações de dirigentes da direita internacional após Flávio Bolsonaro (PL) terminar a votação à frente de Lula (PT). O senador recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, e os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro. Javier Milei, Benjamin Netanyahu e Abelardo de la Espriella celebraram o desempenho do candidato do PL, enquanto Donald Trump utilizou a apuração brasileira para atacar o sistema eleitoral dos Estados Unidos.


Donald Trump ©Evan Vucci/Reuters
Donald Trump ©Evan Vucci/Reuters

A repercussão começou ainda no domingo (4), poucas horas após o encerramento da votação, e continuou nesta segunda-feira (5). As manifestações partiram de governos e dirigentes alinhados à direita e colocaram a disputa brasileira dentro da disputa política que atravessa a América Latina.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não declarou apoio direto a Flávio Bolsonaro, mas comentou o processo eleitoral brasileiro em uma publicação na rede social Truth Social. Na mensagem, Trump confundiu o Brasil com a Índia ao afirmar que “125 milhões de pessoas votaram hoje” e utilizou a velocidade da apuração das urnas eletrônicas brasileiras para atacar o sistema eleitoral estadunidense.


“Em Detroit, Filadélfia, Califórnia e inúmeras outras cidades e estados dos EUA, os resultados, com números muito menores, muitas vezes levam semanas para serem manipulados, quer dizer, calculados. A votação nos Estados Unidos é corrupta”, escreveu Trump.


A manifestação do presidente estadunidense não mencionou diretamente os dois candidatos que avançaram ao segundo turno. O episódio, porém, transformou a eleição brasileira em instrumento para uma crítica ao próprio sistema eleitoral dos Estados Unidos, enquanto a disputa presidencial do Brasil entrava na fase decisiva.


Na Argentina, o presidente Javier Milei comemorou o resultado de Flávio e publicou uma mensagem de apoio ao candidato do PL. Milei chamou o senador de “querido amigo”, classificou a disputa contra Lula como uma “eleição histórica” e afirmou esperar trabalhar com o brasileiro caso ele vença o segundo turno.


O presidente argentino também publicou imagens ao lado de Flávio Bolsonaro e do ex-presidente Jair Bolsonaro e reproduziu mensagens de apoio ao candidato do PL. Durante o dia da votação, Milei chegou a divulgar uma imagem de Lula detido e voltou a defender a derrota do presidente brasileiro.


Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também parabenizou Flávio pelo resultado. Em mensagem publicada nesta segunda-feira (5), Netanyahu desejou boa sorte ao candidato no segundo turno e declarou esperar o restabelecimento da “extraordinária amizade” entre Israel e Brasil.


A manifestação de Netanyahu ocorre em meio à disputa sobre a política externa brasileira e às posições distintas apresentadas por Lula e Flávio Bolsonaro em relação a Israel. A eleição brasileira passou, assim, a receber manifestações de dirigentes estrangeiros interessados no posicionamento que o próximo governo adotará diante de questões regionais e internacionais.


Na Colômbia, o presidente Abelardo de la Espriella também comemorou o resultado de Flávio. O chefe de Estado colombiano havia tomado posse em agosto e utilizou as redes sociais para apoiar o candidato brasileiro.


“Hoje meu coração está com o Brasil; que Deus tenha misericórdia do país irmão, assim como teve com a Colômbia. A verdadeira mudança é derrotar a esquerda. Um grande abraço, amigo Flávio Bolsonaro. Firme pela Pátria! Viva Cristo Rei!”, escreveu Espriella no X.


Em outra manifestação, divulgada durante a repercussão do resultado, Espriella afirmou: “A liberdade avança no Brasil. Parabéns, caro amigo Flávio Bolsonaro, por esta eleição histórica”.


A declaração provocou reação de Gustavo Petro, ex-presidente da Colômbia e dirigente identificado com a esquerda latino-americana. Petro criticou a interpretação de que a vitória de setores da direita representaria uma mudança histórica na região.


“[Líderes de direita] governam a América Latina há dois séculos e agora lhes ocorre que a mudança consiste em alterar o breve período em que o progressismo e o humanismo governaram a história latino-americana. É a simples contradição de Donald Trump e seu governo que seus fantoches na América Latina não conseguem entender”, escreveu Petro.

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