top of page

Lula critica debates da Globo e defende confronto direto com adversários

há 3 dias
4 min de leitura

O presidente Lula criticou o formato dos debates presidenciais com vários candidatos durante entrevista ao Flow Podcast, na noite de quinta-feira (1º). Lula afirmou que prefere confrontos diretos e classificou os debates atuais como “infrutíferos”. A entrevista ocorreu no mesmo horário em que estava previsto o debate da TV Globo, posteriormente cancelado após decisões judiciais e a desistência de Flávio Bolsonaro.


Presidente Lula
Presidente Lula

Durante a entrevista, realizada no Palácio da Alvorada e conduzida por Igor Coelho, Lula explicou sua decisão de não participar do debate da Globo e afirmou que considera os confrontos de segundo turno mais adequados para a discussão entre candidatos. A transmissão alcançou pico de 1.635.637 aparelhos conectados simultaneamente no canal do Flow, segundo levantamento do Poder360, que registrou cerca de 1,8 milhão de aparelhos conectados quando somadas as transmissões do podcast e do canal oficial de Lula.


Lula também criticou a trajetória política de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. “Imagina, sabe, você disputar a Presidência da República com uma pessoa desqualificada, como o Flávio Bolsonaro. Ele não tem passado, não tem presente e não tem futuro. Esse rapaz nunca trabalhou na vida”, afirmou.


Na avaliação apresentada pelo presidente, Flávio Bolsonaro construiu sua carreira política a partir de cargos eletivos e de sua relação com a família Bolsonaro, enquanto Lula afirmou considerar diferente a trajetória de adversários com os quais disputou eleições anteriores. Entre os nomes citados estiveram Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Paulo Maluf e Geraldo Alckmin, atual vice-presidente.


Lula também atribuiu o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro ao antipetismo e à oposição de setores da sociedade às políticas implementadas durante seus governos. “O que que ele tem para oferecer? Eu vou te dizer. O passado dele é tenebroso. A única coisa que ele tem é o chamado antilula, antiesquerda”, afirmou.


Ao abordar políticas sociais, Lula citou medidas relacionadas às cotas raciais, à regularização de terras quilombolas e ao acesso de filhos de trabalhadores de baixa renda ao ensino superior. “Essa gente que não gosta de mim vai continuar não gostando, mas eu vou continuar fazendo”, declarou.


Lula relembrou os debates dos quais participou desde 1989 e afirmou que o segundo turno proporciona uma disputa direta entre dois candidatos. Para o presidente, a diferença de votação entre os participantes do primeiro turno torna desproporcional colocar candidatos com percentuais distintos de intenção de voto no mesmo formato de debate.


“Quando você tem cinco, seis candidatos, e você fala 1 minuto e espera 10 minutos, fala 2 minutos e espera 10 minutos, não tem sequência. É como se o jogador desse um pique e voltasse para descansar. Não, o cara tem que jogar o jogo. Então, sinceramente, esses debates são infrutíferos, não produzem nada”, afirmou.


O presidente também questionou o espaço dado a momentos de humor e provocações nos debates. “Você está discutindo o país, está discutindo o povo brasileiro, a soberania brasileira. Você não está discutindo merreca, quem é o mais engraçado, quem vai lacrar mais com aquela piadinha”, disse.


A crítica foi feita no contexto da decisão de Lula de não comparecer ao debate da Globo. O presidente havia comunicado à emissora, na quarta-feira (30), que não participaria do encontro marcado para quinta-feira (1º). A entrevista ao Flow já estava programada para o mesmo período.


Flávio Bolsonaro havia confirmado presença no debate, mas desistiu poucas horas antes do início após decisões judiciais modificarem as regras previstas para o programa. A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada do púlpito destinado a Lula e proibiu perguntas direcionadas ao candidato ausente. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos, candidato pelo Missão. A Globo cancelou o debate após as decisões.


Flávio Bolsonaro realizou uma transmissão própria durante o horário previsto para o debate. Segundo o Poder360, a live do senador atingiu pico de 941,3 mil aparelhos conectados simultaneamente, enquanto a transmissão do Flow chegou a 1,635 milhão no canal principal.


Ao comparar Flávio Bolsonaro com adversários de eleições anteriores, Lula afirmou que Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Paulo Maluf e Geraldo Alckmin possuíam trajetórias políticas que permitiam estabelecer uma disputa baseada em posições e projetos.


O presidente afirmou que não vê problema em disputar eleições com candidatos de diferentes posições ideológicas, desde que exista uma trajetória política que permita discutir propostas e decisões tomadas ao longo da carreira.


Lula também declarou acreditar que a eleição poderia ser definida no primeiro turno, marcado para domingo (4). “Acho que essas eleições vão ser definidas domingo. Se não for, paciência”, afirmou durante a entrevista.


“Aquilo que eu acredito, eu defendo”


Lula afirmou ainda que utiliza pesquisas eleitorais como instrumento para avaliar a campanha, mas disse que os levantamentos não determinam suas posições políticas.


“Eu não trabalho assim. Obviamente que eu levo a sério as pesquisas. Uma pesquisa, quando você analisa ela, é para você saber o que tem que fazer daqui pra frente”, afirmou.


O presidente utilizou como exemplo a pena de morte para explicar que pesquisas de opinião não definiriam suas posições. “Se você fizer uma pesquisa de quem é favorável à pena da morte, vai dar 90%. Eu sou contra a pena da morte e eu tenho coragem de dizer isso. Não sou Maria vai com as outras, sabe? Aquilo que eu acredito eu defendo.”


Lula acrescentou que resultados de pesquisas podem indicar mudanças necessárias na estratégia eleitoral, mas afirmou que existem institutos cuja credibilidade deve ser avaliada. A entrevista ocorreu três dias antes do primeiro turno das eleições, enquanto as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro concentravam agendas na reta final da disputa.

NOSSA LOJA

ÚLTIMAS HISTÓRIAS

EDITORA CLANDESTINO

bottom of page