União Africana pressiona Israel a revogar reconhecimento da Somalilândia
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O Conselho de Paz e Segurança da União Africana (UA) exigiu que Israel revogue o reconhecimento da independência da Somalilândia, alegando violação do direito internacional. A manifestação ocorre no mesmo dia em que autoridades de Israel e do território separatista anunciaram planos para abrir embaixadas recíprocas.
O Conselho de Paz e Segurança da União Africana afirmou, em declaração conjunta, que Israel não possui autoridade jurídica para reconhecer a Somalilândia como Estado independente. Segundo o órgão, qualquer iniciativa nesse sentido é “nula e sem efeito” à luz do direito internacional e contraria os princípios que regem a organização continental.
Os ministros das Relações Exteriores dos países membros do conselho reiteraram o compromisso da UA com a soberania, a unidade e a integridade territorial da República Federal da Somália, em conformidade com o Ato Constitutivo da União Africana e com a Carta das Nações Unidas.

A declaração foi divulgada no mesmo dia em que o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, realizou uma visita oficial à Somalilândia. A viagem ocorre semanas após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciar, em 26 de dezembro, o reconhecimento formal do território separatista.
Após encontros oficiais, o "presidente" da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdullahi, confirmou que Israel pretende abrir uma embaixada em Hargeisa, capital do território. Segundo ele, o governo somalilandês também planeja estabelecer uma representação diplomática em Israel nos próximos dias, por meio dos canais diplomáticos formais.
Israel tornou-se o primeiro país a reconhecer oficialmente a Somalilândia como Estado independente, decisão que foi duramente criticada pelo governo federal da Somália e por importantes blocos regionais africanos, que defendem a manutenção das fronteiras herdadas do período colonial.
A Somalilândia declarou unilateralmente sua independência em 1991, após o colapso do Estado somali, mas nunca havia sido reconhecida por nenhum país membro das Nações Unidas. Apesar disso, o território mantém relações informais e cooperação com países como Etiópia, Emirados Árabes Unidos e, agora, Israel.

Na prática, a região opera de forma autônoma, com governo próprio, moeda, forças de segurança e instituições estatais. A Somalilândia também é considerada relativamente estável quando comparada ao restante da Somália, que enfrenta conflitos armados prolongados, instabilidade política e a atuação de grupos extremistas.
Analistas apontam que a aproximação com a Somalilândia tem valor estratégico para Israel devido à localização do território próximo ao estreito de Bab-el-Mandeb, rota marítima crucial para o comércio internacional. A área está situada em frente ao Iêmen, onde atua o grupo Ansar Alaah, apoiado pelo Irã, responsável por ataques contra alvos israelenses desde o início do genocídio em Gaza.



















































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