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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou nesta terça-feira (3) que as ambições de controle global dos Estados Unidos não devem se limitar a Irã, Venezuela e Cuba. A declaração foi feita durante coletiva conjunta em Moscou com o segundo chanceler de Brunei, Erivan Yusof. Lavrov reagiu a falas recentes do secretário de Estado estadunidense Marco Rubio sobre a possibilidade de Washington “governar o Irã”. O diplomata russo também alertou que os ataques militares iniciados em 28 de fevereiro contra Teerã podem acelerar a proliferação nuclear no Oriente Médio. Segundo ele, a ofensiva conduzida por forças estadunidenses e israelenses representa uma ruptura direta com o direito internacional.


Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov. ©TASS
Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov. ©TASS

Durante a coletiva, Lavrov afirmou que Rubio sugeriu, ao responder a um jornalista, que os Estados Unidos poderiam administrar o Irã da mesma forma que anunciaram governar a Venezuela e testar mecanismos semelhantes contra Cuba. “Marco Rubio, em resposta à pergunta de um repórter, sugeriu recentemente a possibilidade de os Estados Unidos governarem o Irã da mesma forma que anunciaram que governariam a Venezuela. Agora, estão testando um esquema semelhante para Cuba. E isso provavelmente não é tudo”, declarou o chanceler russo.

Lavrov defendeu que já existe uma crise estrutural no sistema internacional e cobrou uma discussão direta com Washington sobre sua visão de ordem global. Segundo ele, o cenário atual representa um retrocesso histórico. “Já passou da hora de uma conversa fundamental com Washington sobre como ele vê o mundo e qual papel atribui aos outros nele”, afirmou, acrescentando que a ausência de normas internacionais remete à lógica de poder do século XIX.


O ministro russo alertou ainda que a ofensiva militar contra o Irã pode produzir o efeito inverso ao declarado pelos Estados Unidos. “Esta ação, esta guerra que foi desencadeada contra o Irã, pode, em primeiro lugar, impulsionar um movimento em direção ao desenvolvimento de armas nucleares, e não apenas no Irã. Tal movimento surgiria imediatamente nos países árabes vizinhos da República Islâmica do Irã”, disse Lavrov.


Ele também criticou declarações do enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Steven Witkoff, que atribuiu o fracasso das negociações nucleares à insistência iraniana em enriquecer urânio. Lavrov rebateu afirmando que “o direito de enriquecer urânio para energia nuclear pacífica é inalienável”, ressaltando que não existem provas públicas de que Teerã estivesse desenvolvendo armas nucleares — justificativa central apresentada por Washington para a ofensiva militar.


Os ataques aéreos realizados em 28 de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos atingiram alvos em território iraniano e resultaram no martírio de Khamenei, além da morte de altos comandantes militares iranianos. Em resposta, o Irã lançou ataques contra bases militares estadunidenses no Oriente Médio e posições israelenses, ampliando o risco de uma escalada regional de grandes proporções.


Moscou tem reiterado que a ação militar constitui violação direta da soberania iraniana. Em declaração divulgada na segunda-feira (2), após conversas telefônicas com líderes do Oriente Médio, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que a ofensiva interrompeu avanços diplomáticos nas negociações nucleares. “O progresso existente foi interrompido por um ato não provocado de agressão armada contra um Estado soberano em violação dos princípios fundamentais do direito internacional”, declarou Putin, segundo o serviço de imprensa do Kremlin.


A posição russa sustenta que a intervenção militar estadunidense amplia a instabilidade regional e fortalece correntes favoráveis à dissuasão nuclear em todo o Oriente Médio, cenário que pode desencadear uma corrida armamentista entre potências regionais e aprofundar o colapso dos mecanismos multilaterais de segurança construídos após a Segunda Guerra Mundial.


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3 de março de 2026

"ambições de controle global dos EUA não se limitam a Irã, Venezuela e Cuba." alerta Lavrov

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