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MODO DE NAVEGAÇÃO

Cinquenta e três migrantes, entre eles dois bebês, morreram ou seguem desaparecidos após o naufrágio de um bote inflável superlotado na costa da Líbia, informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) em 9 de fevereiro de 2026. A embarcação virou nas águas geladas do Mediterrâneo central, ao norte da cidade de Zuwara, na sexta-feira anterior. Duas mulheres nigerianas foram resgatadas com vida por autoridades líbias, segundo a OIM. Uma delas relatou que o marido se afogou, enquanto a outra afirmou ter perdido os dois filhos bebês. O episódio se soma a uma sequência de tragédias previsíveis em uma rota migratória moldada pelo colapso do Estado líbio após a intervenção militar da OTAN em 2011.


©DW
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De acordo com a OIM, o bote partiu da cidade de Zawiya por volta das 23h de quinta-feira e começou a fazer água cerca de seis horas depois, antes de virar completamente. Os sobreviventes relataram que a embarcação transportava migrantes e refugiados de diversos países africanos, lançados ao mar em condições sabidamente inadequadas para uma travessia de centenas de quilômetros. A ilha italiana de Lampedusa, destino frequente dessas rotas, fica a cerca de 350 quilômetros de Zawiya, distância incompatível com botes infláveis abertos utilizados por redes de contrabando.


Somente em janeiro de 2026, ao menos 375 pessoas foram dadas como mortas ou desaparecidas no Mediterrâneo central, segundo o banco de dados de migrantes desaparecidos da OIM. A agência alertou que o número real tende a ser maior, já que naufrágios ocorridos durante o inverno rigoroso frequentemente não são registrados. Em 2025, mais de 1.300 pessoas morreram ou desapareceram tentando cruzar essa mesma rota, evidenciando a normalização da morte como política de fronteira europeia.


A OIM voltou a afirmar que “não considera a Líbia um porto seguro para migrantes”, destacando a persistência de centros de detenção ilegais e valas comuns no país. Em Ajdabiya, investigações apontaram que vítimas “foram mantidas em cativeiro e submetidas a tortura para forçar o pagamento de resgates por parte de suas famílias”, segundo comunicado oficial da agência. Em Kufra, autoridades descobriram um centro de detenção subterrâneo a três metros de profundidade, de onde 221 migrantes e refugiados foram libertados, incluindo mulheres, crianças e um bebê de um mês.


“As informações iniciais sugerem que os migrantes foram mantidos por um longo período em condições extremamente desumanas”, declarou a OIM sobre o caso de Kufra. A agência relaciona diretamente essas práticas ao ambiente de impunidade criado após a queda do governo de Muammar Gaddafi, resultado direto da intervenção militar liderada pelos Estados Unidos e seus aliados europeus, que fragmentou o país e fortaleceu milícias e redes de tráfico humano.


Paralelamente às mortes no mar, a política de contenção externa da União Europeia segue operando por meio da devolução forçada de pessoas à Líbia. Apenas em 2026, 781 migrantes foram “interceptados e devolvidos” ao país, segundo a OIM, sendo 244 na semana anterior ao naufrágio. Em 2025, esse número chegou a 27.116 pessoas, empurradas de volta para centros de detenção denunciados por tortura, extorsão e violência sistemática.


A OIM informou que mantém programas de retorno voluntário, incluindo voos humanitários, como o que levou cidadãos paquistaneses de Trípoli na semana passada e outro que repatriou 177 nigerianos no fim de janeiro. Ainda assim, a agência reiterou que essas medidas não substituem a necessidade de rotas migratórias seguras e legais, ausentes em um cenário no qual o Mediterrâneo central continua funcionando como fronteira letal de um sistema internacional que criminaliza a mobilidade dos pobres enquanto protege os interesses geopolíticos que ajudaram a produzir o desastre.

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