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Israel anunciou em 28 de maio a morte de Mohammed Odeh, apontado por Tel Aviv como novo chefe das Brigadas Izz al-Din al-Qassam, braço militar do Hamas, durante bombardeios noturnos contra a Cidade de Gaza. Os ataques atingiram edifícios no centro do enclave palestino e deixaram ao menos seis mortos, além de dezenas de feridos, segundo fontes médicas palestinas e relatos publicados pelo The New Arab. A ofensiva ocorreu enquanto negociações patrocinadas pelo governo estadunidense seguem travadas e o número de palestinos mortos no genocídio em Gaza ultrapassa 72,7 mil desde outubro de 2023.

Em comunicado divulgado na quarta-feira, 28 de maio, o exército israelense afirmou que Mohammed Odeh foi morto em uma operação conjunta com o serviço de inteligência Shin Bet. Segundo Tel Aviv, o dirigente teria participado do planejamento das operações palestinas de 7 de outubro de 2023 e coordenado atividades de inteligência contra forças israelenses nos meses seguintes.
O Hamas não confirmou oficialmente a morte de Odeh. Veículos palestinos, porém, relataram que ele morreu junto de membros de sua família, incluindo esposa e filhos, durante os ataques conduzidos na noite anterior.
Mohammed Odeh havia assumido o comando das Brigadas Izz al-Din al-Qassam semanas antes, após a morte de Izz al-Din Haddad em outro ataque israelense. Antes disso, atuava como chefe de inteligência do movimento palestino. Caso confirmada, sua morte se soma às execuções de dirigentes do Hamas realizadas por Israel desde o início do genocídio, entre eles Mohammed Deif, Yahya Sinwar e Ismail Haniyeh.
O pesquisador Nasser Khdour, gerente assistente de pesquisa para Oriente Médio da organização ACLED, declarou ao The New Arab que “a morte de chefes militares como Odeh e Haddad aponta para a capacidade operacional de Israel de alcançar a liderança militar do Hamas”. Ele acrescentou que, “apesar das perdas, a ala militar do Hamas permaneceu resiliente” e continua conseguindo substituir comandantes mortos.
Os bombardeios atingiram o bairro de Rimal, na Cidade de Gaza. Fontes palestinas relataram ao The New Arab que aviões israelenses lançaram ataques simultâneos contra o edifício Ajjour. Equipes de resgate retiraram corpos dos escombros e transportaram feridos ao hospital Al-Shifa.
A organização Medical Aid for Palestinians informou que uma funcionária da entidade e seu filho bebê ficaram feridos no ataque. Trabalhadores humanitários relataram que a área estava ocupada por civis que realizavam deslocamentos e compras antes do Eid al-Adha, celebrado por muçulmanos em diversos países.
Mai Elawawda, responsável pela comunicação da Medical Aid for Palestinians em Gaza, afirmou que os bombardeios ampliaram o sofrimento da população palestina em um período que tradicionalmente seria marcado por celebrações religiosas. “Esses ataques acontecem em um momento que deveria ser marcado por celebrações do Eid, mas em vez disso é ofuscado por ataques contínuos durante o chamado cessar-fogo”, declarou.
O cessar-fogo mencionado entrou em vigor em 11 de outubro de 2025, após mediação envolvendo Catar, Omã e Paquistão. Apesar do acordo, ataques israelenses continuaram ocorrendo em diversas áreas da Faixa de Gaza. Autoridades palestinas de saúde afirmam que ao menos 906 pessoas morreram desde o início da trégua.
Segundo dados palestinos publicados em 28 de maio, o total de mortos no genocídio em Gaza desde outubro de 2023 ultrapassou 72,7 mil pessoas. O número inclui civis mortos em bombardeios, ataques de artilharia e operações terrestres conduzidas por Israel ao longo de mais de dois anos e meio de ofensiva militar contínua contra o território palestino sitiado.
A nova escalada ocorre enquanto o plano de cessar-fogo patrocinado pelo presidente estadunidense Donald Trump permanece sem avanço concreto. A proposta apresentada por Washington previa uma trégua em etapas, o desarmamento do Hamas e a instalação de uma administração tecnocrática em Gaza durante um processo de reconstrução financiado por aliados regionais dos Estados Unidos.
As negociações entraram em impasse após a guerra conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã no início de 2026. O tema central do bloqueio diplomático segue sendo o desarmamento palestino. O Hamas mantém a posição de que não entregará armas enquanto Israel continuar ocupando partes da Faixa de Gaza.
Nasser Khdour afirmou ao The New Arab que “a morte de comandantes seniores dificilmente, por si só, levará o Hamas ao desarmamento ou fará o grupo aceitar a remoção completa de seu papel na segurança e governança de Gaza”. Segundo ele, as decisões do movimento palestino estão ligadas à sobrevivência política e militar da organização, à manutenção de influência interna e à ausência de garantias de que Israel encerrará os ataques.
A segunda fase do plano patrocinado por Washington deveria ter começado em janeiro de 2026, mas não saiu do papel. O Hamas continua exercendo controle administrativo sobre Gaza e reativou setores de sua polícia interna, segundo relatos publicados pelo The New Arab, ampliando o impasse político em torno do futuro do enclave palestino.
A continuidade dos ataques israelenses durante negociações diplomáticas expõe o padrão adotado por Tel Aviv e por seus aliados estadunidenses na região: manter ofensivas militares e assassinatos seletivos enquanto pressionam adversários a aceitar termos definidos sob ocupação, bloqueio econômico e destruição sistemática da infraestrutura civil palestina.
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28 de maio de 2026

































