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O assessor especial da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, afirmou nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, que o Brasil deve “se preparar para o pior” diante da escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A declaração foi dada às 8h23 à GloboNews, em entrevista aos jornalistas Túlio Amâncio e Delis Ortiz. Amorim classificou como “condenável e inaceitável” o assassinato de um chefe de Estado em exercício, em referência ao martírio de Khamenei. Segundo ele, o risco imediato é o alastramento regional das hostilidades. O assessor informou que conversará por telefone com o presidente Lula ainda nesta segunda-feira para tratar do tema.
“Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior”, declarou Amorim durante a entrevista. Questionado sobre o que significaria esse “pior”, respondeu: “O aumento vertiginoso das tensões no Oriente Médio, com grande potencial de alastramento.”.

A escalada teve início no sábado, 28 de fevereiro, quando forças israelenses e forças militares estadunidenses realizaram uma ofensiva aérea de grande escala contra alvos militares e estratégicos no Irã, sob a justificativa de neutralizar o programa nuclear iraniano. Horas depois, Teerã confirmou o martírio de Khamenei, além da morte do chefe do Estado-Maior e do ministro da Defesa. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e contra bases militares estadunidenses em diferentes países do Oriente Médio.
Os desdobramentos imediatos incluíram o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde transita parcela significativa do petróleo comercializado globalmente, além de centenas de mortes registradas em território iraniano e ataques em múltiplos pontos da região. A ofensiva marca um salto qualitativo na instabilidade regional, com potencial de impacto direto sobre os mercados energéticos e a economia internacional.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou nota na noite de sábado (28) afirmando que a escalada representa “grave ameaça à paz”. Diferentemente do comunicado emitido na manhã do mesmo dia, que condenou explicitamente ataques realizados por Israel e pelos Estados Unidos contra alvos iranianos, a nota posterior evitou mencionar diretamente os dois países. O governo brasileiro também expressou solidariedade a países atingidos por ataques retaliatórios iranianos e defendeu a interrupção das ações militares na região do Golfo.
Amorim declarou que ainda não discutiu em profundidade o tema com o presidente Lula, mas que a conversa ocorrerá ainda hoje. A crise ocorre às vésperas de uma possível viagem de Lula a Washington, prevista entre 15 e 17 de março, para encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A agenda, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, ainda não está confirmada.
“Estamos a poucos dias do encontro do presidente com Trump, em Washington. É sempre difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência. Não perder a capacidade de diálogo sem comprometer a credibilidade exige destreza”, afirmou Amorim.
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2 de março de 2026

































