
MODO DE NAVEGAÇÃO
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou em 3 de junho o recolhimento de um lote da água mineral natural sem gás Crystal após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras do produto. A medida também suspende a comercialização, a distribuição e o consumo das unidades atingidas enquanto prosseguem as investigações sanitárias. O lote afetado compreende cerca de 374 mil garrafas de 500 mililitros distribuídas no Distrito Federal, Goiás, Tocantins e municípios do interior de São Paulo.

A decisão foi adotada após a confirmação da presença da bactéria em análises realizadas pelo sistema público de vigilância sanitária. O lote alvo da medida é identificado pelo código P 200126 e apresenta na embalagem a marcação LZ1 VAL 200127 3 P 200126, com validade até 20 de janeiro de 2027.
Do total de unidades distribuídas, 230.443 garrafas foram destinadas ao Distrito Federal. Em Goiás, foram distribuídas 66.768 unidades para os municípios de Águas Lindas de Goiás, Luziânia, Novo Gama, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental, Santo Antônio do Descoberto, Planaltina de Goiás, Cristalina, Formosa, Campos Belos, Alexânia, Abadiânia e Catalão. No Tocantins, 1.439 garrafas chegaram aos municípios de Arraias, Combinado e Novo Alegre. Em São Paulo, 75.750 unidades foram distribuídas para Sorocaba, Itapetininga, Itu, São Roque e Tatuí.
A Anvisa orienta consumidores que possuam unidades pertencentes ao lote P 200126 a interromper imediatamente o consumo do produto. A substituição ou o reembolso podem ser solicitados por meio do telefone 0800 061 5000 ou pelo endereço eletrônico contato@brasal.com.br.
A bactéria Pseudomonas aeruginosa é encontrada em ambientes úmidos, incluindo água, solo, reservatórios, pias, ralos e equipamentos industriais. Em 2025, o mesmo microrganismo foi identificado em lotes de detergentes da marca Ypê que também foram submetidos a investigação sanitária. A ocorrência dos dois episódios não estabelece relação entre suas origens, mas ambos envolveram contaminação por Pseudomonas aeruginosa.
Classificada como bactéria oportunista, a Pseudomonas aeruginosa representa risco maior para pessoas com imunidade comprometida, pacientes hospitalizados, portadores de doenças crônicas e indivíduos submetidos ao uso de medicamentos imunossupressores. Nesses grupos, o microrganismo pode causar infecções de ouvido, lesões cutâneas, infecções oculares, infecções urinárias e respiratórias.
Em quadros clínicos que exigem atendimento médico, a bactéria também pode atingir a corrente sanguínea, os pulmões, os ossos, as articulações e as válvulas cardíacas. Autoridades sanitárias acompanham ainda a circulação de cepas resistentes a determinados antibióticos, fator que pode limitar opções terapêuticas em alguns casos.
A presença do microrganismo em produtos industrializados está associada a falhas em etapas de captação, armazenamento, envase, manipulação ou transporte. Por essa razão, os procedimentos de monitoramento microbiológico constituem exigência permanente da legislação sanitária para alimentos e águas envasadas.
A contaminação foi detectada durante coleta de rotina realizada pela Diretoria de Vigilância Sanitária do Distrito Federal (Divisa-DF). O Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) identificou a bactéria em amostras do produto e o resultado foi confirmado por contraprova prevista nos procedimentos do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.
A confirmação gerou o Laudo de Análise Fiscal Definitivo nº 76.CP.0/2026. Com base no resultado, a vigilância sanitária do Distrito Federal determinou a interdição do lote e comunicou o caso à Anvisa.
Após analisar a documentação encaminhada pelos órgãos de vigilância, a agência concluiu que o produto apresentava inconformidades em relação às normas sanitárias que estabelecem padrões microbiológicos para alimentos e águas envasadas. A partir dessa constatação, foi determinada a suspensão da comercialização, distribuição e uso do lote até a conclusão das investigações.
A Mineração Bom Jesus, responsável pela fabricação do lote e integrante do Sistema Coca-Cola, proprietário da marca Crystal, informou que iniciou o recolhimento das unidades junto às distribuidoras após ser notificada pelas autoridades sanitárias. Segundo a empresa, mais de 300 amostras foram submetidas a análises após a notificação e apresentaram resultados negativos para microrganismos indicadores de contaminação.
A fabricante declarou que aproximadamente 99,2% das unidades pertencentes ao lote já não estariam disponíveis para venda. Em comunicado, a empresa classificou a medida como um “recolhimento preventivo e voluntário” e informou que mantém cooperação com a Anvisa e demais órgãos de vigilância sanitária durante a apuração das causas da contaminação.
O caso teve origem em procedimentos de fiscalização conduzidos por instituições públicas de controle sanitário. A identificação da contaminação ocorreu a partir de coleta oficial realizada pela Divisa-DF, análise laboratorial executada pelo Lacen-DF e posterior atuação da Anvisa, etapas que resultaram na retirada do lote do mercado e na continuidade das investigações sobre a origem da presença da bactéria nas garrafas distribuídas aos consumidores.
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4 de junho de 2026

































