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Israel intensificou sua ofensiva terrestre no sul do Líbano ao declarar abertamente a intenção de ocupar a região até o rio Litani. A operação, que já deslocou mais de 1 milhão de pessoas, enfrenta resistência armada do Hezbollah e dificuldades no terreno. Paralelamente, surgem evidências de articulações envolvendo os Estados Unidos para ampliar o conflito ao território sírio. Segundo relatos, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou o líder sírio Ahmed al-Shara'a a atacar posições do Hezbollah a partir da fronteira.

O foco estratégico da ofensiva israelense é o Vale do Bekaa, considerado pelo think tank israelense Alma Research and Education como o “centro de gravidade operacional e logístico” do Hezbollah. A região é vista como essencial para enfraquecer a capacidade militar do grupo libanês, o que explica a insistência em uma incursão terrestre, apesar dos custos elevados já evidentes no campo de batalha.
Diante das dificuldades para avançar diretamente pelo sul do Líbano, Washington e Tel Aviv avaliam alternativas. Entre elas, a utilização das forças armadas sírias para atacar o Hezbollah pelo leste libanês. Outra possibilidade envolve o uso direto do território sírio pelas forças israelenses para abrir uma nova frente de invasão. Essa opção ganha viabilidade diante da postura do governo de Ahmed al-Shara'a, que não tem impedido violações da soberania síria por Israel.
Um acordo recente mediado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos formalizou um mecanismo conjunto entre Síria e Israel para
“coordenação imediata e contínua no compartilhamento de informações de inteligência, na desescalada militar, no engajamento diplomático e nas oportunidades comerciais sob a supervisão dos Estados Unidos”.
Na prática, o arranjo consolida a influência estadunidense sobre decisões estratégicas em Damasco e reduz a margem de ação soberana síria diante das operações israelenses.
Mesmo com esse alinhamento, Israel mantém ataques frequentes contra o território sírio. Bombardeios recentes atingiram o Ministério da Defesa em Damasco e posições militares na zona rural da capital. Em Beit Jinn, uma localidade com população síria e palestina, ataques israelenses mataram ao menos 13 civis após uma emboscada local contra forças invasoras.
A instabilidade interna da Síria adiciona um fator de risco à estratégia israelense. Grupos armados têm realizado ataques contra posições israelenses e forças estadunidenses, incluindo o lançamento de foguetes em Palmira em 8 de março. A fragmentação do território sírio aumenta a possibilidade de que qualquer incursão se transforme em um confronto multifacetado.
A possibilidade de uma ofensiva síria contra o Hezbollah também ameaça ampliar o conflito para além das fronteiras imediatas. O Comitê de Coordenação da Resistência Islâmica no Iraque declarou que, caso a Síria “ouse violar a soberania do Líbano”, transformará o território sírio em “um campo de batalha aberto”. A declaração explicita o risco de entrada de forças iraquianas alinhadas ao Hezbollah.
No campo militar, Israel enfrenta obstáculos significativos. Uma operação realizada em 6 de março contra a vila libanesa de Nabi Cheet, lançada a partir de território sírio, foi repelida por forças conjuntas do Hezbollah, milícias locais e o Exército Libanês. Além disso, cerca de 70 tanques Merkava israelenses foram danificados ou destruídos, evidenciando a capacidade de resistência no terreno.
Ao tentar redesenhar o equilíbrio regional por meio da força, Israel e seus aliados estadunidenses aprofundam um ciclo de destruição que ameaça transformar o Levante em um teatro de guerra permanente, com consequências que ultrapassam fronteiras e consolidam ainda mais a instabilidade estrutural na região.
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2 de abril de 2026

































