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O governo da Espanha negou nesta quarta-feira (4) a afirmação da Casa Branca de que teria concordado em cooperar militarmente com os Estados Unidos na ofensiva contra o Irã. A declaração partiu da secretária de imprensa Karoline Leavitt, que sugeriu uma mudança de posição de Madri após ameaças comerciais feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, respondeu que a alegação é “categoricamente” falsa.
Durante coletiva na Casa Branca, Leavitt declarou: “Com relação à Espanha, acho que eles ouviram a mensagem do presidente ontem alta e claramente, e, pelo que entendi, nas últimas horas, eles concordaram em cooperar com os militares dos EUA”.
A afirmação indicava que o governo espanhol teria flexibilizado sua recusa em apoiar a operação militar contra Teerã.

Poucas horas depois, Albares rejeitou a versão apresentada por Washington. Em entrevista ao programa de rádio Hora25, afirmou que nega “categoricamente” a alegação da Casa Branca e acrescentou: “Nem uma única vírgula mudou, e eu não tenho a mínima ideia do que eles possam estar se referindo”. A resposta expôs um embate diplomático direto entre Madri e o governo estadunidense.
Na terça-feira (3), Trump atacou publicamente a posição espanhola e ameaçou retaliar economicamente o país europeu. “Vamos cortar todas as relações comerciais com a Espanha. Não queremos ter nada a ver com a Espanha”, declarou o presidente dos Estados Unidos. A ameaça de usar o comércio como instrumento de coerção política aprofundou a tensão entre aliados históricos no âmbito da OTAN.
O presidente Pedro Sánchez reagiu nas redes sociais, relembrando a participação espanhola na invasão do Iraque em 2003.
“O mundo, a Europa e a Espanha já enfrentaram este momento crítico antes. Em 2003, alguns líderes irresponsáveis nos arrastaram para uma guerra ilegal no Oriente Médio que só trouxe insegurança e sofrimento”, escreveu no X. Ele reiterou que a posição espanhola é contrária à ofensiva, às violações do direito internacional e à “ilusão de que podemos resolver os problemas do mundo com bombas”.
A declaração de Sánchez insere o atual episódio em uma memória política sensível na Espanha, onde a participação na ocupação do Iraque gerou forte rejeição popular e desgaste institucional. Ao evocar 2003, o premiê sinaliza que Madri não pretende repetir o alinhamento automático a decisões militares conduzidas por Washington.
Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian elogiou a postura espanhola. Em publicação nas redes sociais, afirmou que
“a conduta responsável da Espanha ao se opor às flagrantes violações dos direitos humanos e à agressão militar da coalizão sionista-americana contra países, incluindo o Irã, demonstra que a ética e as consciências despertas ainda existem no Ocidente”. Ele acrescentou: “Parabenizo as autoridades espanholas por suas posições”.
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4 de março de 2026

































