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Segundo a Reuters, o oficial de defesa israelense declarou que a ação militar foi estruturada com antecedência, apesar das tratativas retomadas em fevereiro entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vinha sendo pressionado por Israel a exigir o fim do enriquecimento de urânio, do programa de mísseis balísticos e do apoio iraniano às forças de resistência regionais.
Durante as negociações, Trump enviou uma “armada” de navios e aeronaves de guerra estadunidenses ao Oriente Médio, acompanhada de ameaças explícitas de ataque caso Teerã não aceitasse os termos impostos. Após a última rodada de conversas, realizada na quinta-feira anterior ao bombardeio, um alto funcionário estadunidense afirmou ao site Axios que as tratativas haviam sido “positivas”. O chanceler de Omã, Badr Albusaidi, que mediou os encontros, declarou que houve “progressos significativos”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, também manifestou expectativa de avanço, afirmando que ambas as partes demonstraram “clara seriedade” na busca de um entendimento. Horas depois, na madrugada de sábado, forças estadunidenses e israelenses iniciaram ataques em larga escala contra alvos iranianos, esvaziando na prática o discurso diplomático. Após os bombardeios, Albusaidi afirmou que as negociações que mediou foram “deliberadamente sabotadas”.
A lógica da sabotagem encontra paralelo em um documento produzido em 2009 pelo think tank estadunidense Brookings Institution, intitulado “Qual o caminho para a Pérsia? Opções para uma nova estratégia americana em relação ao Irã”. O relatório recomendava que Washington conduzisse negociações antes de um eventual ataque, de modo a criar a percepção internacional de que teria feito “todo o possível” para evitar a guerra. “A melhor maneira de minimizar a reprovação internacional e maximizar o apoio [...] é atacar somente quando houver uma convicção generalizada de que os iranianos receberam, mas rejeitaram, uma oferta excelente”, afirma o texto.
O documento acrescenta que, nessas circunstâncias, “os Estados Unidos (ou Israel) poderiam retratar suas operações como motivadas por tristeza, não por raiva”, transferindo a responsabilidade do conflito para Teerã. A estratégia descrita há 17 anos dialoga diretamente com a sequência observada em fevereiro de 2026, quando declarações otimistas precederam uma ofensiva já decidida nos bastidores.
Após o início dos ataques, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançou mísseis balísticos e drones contra alvos em Israel e bases militares estadunidenses na região. As Forças Armadas israelenses impuseram censura à mídia, dificultando a avaliação dos danos internos, enquanto sirenes soaram em diversas cidades. O governo anunciou o fechamento de escolas e locais de trabalho não essenciais, além da suspensão do espaço aéreo para voos civis.
No setor energético, o Ministério da Energia de Israel ordenou à empresa grega Energean a interrupção temporária da produção no campo de gás offshore de Karish e determinou o fechamento do campo de Leviatã, o maior do país. Unidades da refinaria de Haifa também foram paralisadas como medida preventiva, evidenciando o impacto imediato da retaliação iraniana.
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28 de fevereiro de 2026

































