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MODO DE NAVEGAÇÃO

As forças de paz da ONU destacadas na República Democrática do Congo ampliaram operações militares, logísticas e sanitárias para responder ao novo surto de ebola registrado na província de Ituri. A atuação ocorre sob comando do general brasileiro Ulisses Gomes, chefe da Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo, Monusco. A mobilização coincide com o Dia Internacional dos Boinas-Azuis, celebrado em 29 de maio, data em que a ONU voltou a defender o financiamento de operações de paz em diferentes regiões do mundo.


Durante as comemorações do Dia Internacional dos Boinas-Azuis, António Guterres abordou os ataques registrados contra integrantes das operações de paz
Durante as comemorações do Dia Internacional dos Boinas-Azuis, António Guterres abordou os ataques registrados contra integrantes das operações de paz

Em mensagem divulgada por vídeo para marcar a data, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que mais de 4,5 mil integrantes das missões de paz perderam a vida desde a criação da primeira operação da organização em 1948. Segundo ele, 59 integrantes morreram em serviço apenas no último ano. O lema adotado pela ONU para as celebrações de 2026 é “Investir na Paz”.


A República Democrática do Congo abriga a maior operação de paz das Nações Unidas em atividade. A Monusco reúne contingentes militares e policiais de 45 países e atua em um cenário marcado por confrontos armados, deslocamentos populacionais e crises sanitárias.


O novo surto de ebola identificado neste mês levou a missão a ampliar sua presença em Bunia, capital da província de Ituri e local apontado pela ONU como epicentro da atual disseminação do vírus. Segundo a organização, as tropas mantiveram operações desde a identificação dos primeiros casos.


Em entrevista à ONU News, o comandante da missão, general Ulisses Gomes, afirmou que a proteção da população civil foi combinada com ações de apoio aos serviços de saúde.


“Nós estamos com o mandato de proteção de civis e, além disso, aumentamos as nossas operações diurnas e noturnas e em apoio aos centros de saúde e hospitais para evitar problemas nas cercanias com a população tentando invadir os hospitais. Nós aumentamos a segurança nesses postos de saúde. A missão, com respeito à logística, está fornecendo apoio crítico para garantir a rápida entrega de suprimentos, médicos, equipamentos e pessoal de resposta às áreas afetadas, particularmente na província de Ituri, que foi o epicentro do vírus ebola”, declarou.


A operação da Monusco passou a concentrar recursos militares e logísticos em apoio à resposta sanitária conduzida pela Organização Mundial da Saúde, OMS, e pelas autoridades congolesas. A missão informou que forneceu veículos leves para facilitar o deslocamento de equipes médicas encarregadas do rastreamento de pessoas infectadas e de contatos em aldeias localizadas fora das principais rotas terrestres.

A estrutura mobilizada inclui também meios aéreos. Segundo a ONU, um helicóptero foi posicionado para realizar deslocamentos entre áreas afetadas pelo surto e garantir o transporte de profissionais, equipamentos e suprimentos.


As ações incluem ainda o envio de ambulâncias e veículos blindados para apoiar deslocamentos médicos em regiões onde grupos armados continuam ativos. A ONU relata que equipes de saúde enfrentam riscos de segurança durante operações de atendimento e transporte de pacientes.


Outro desafio relatado pela missão envolve as restrições impostas por países vizinhos ao fluxo de pessoas e mercadorias diante do receio de propagação do ebola além das fronteiras congolesas. O comandante brasileiro defendeu a manutenção de corredores de circulação para trabalhadores humanitários e cargas destinadas à resposta sanitária.


“O pessoal da Monusco e os agentes humanitários precisam dessa liberdade de movimento. As operações de carga e o fluxo de equipes são essenciais para fazer chegar suprimentos e equipamentos que salvam vidas de forma rápida e eficaz ao terreno. Para fortalecer a mobilidade das equipes de saúde desenvolvidas no rastreamento dos enfermos e a resposta rápida, a Monusco também forneceu diversas motocicletas para a OMS, tendo em vista que essas localidades, na sua maioria, são isoladas e de difícil acesso com veículos”, afirmou Ulisses Gomes.


Além dos obstáculos logísticos, a missão aponta a circulação de informações falsas como um dos fatores que afetam o combate ao surto. Segundo a Monusco, boatos relacionados ao tratamento da doença e às atividades das equipes médicas têm dificultado o acesso de profissionais de saúde a determinadas comunidades.


Para enfrentar esse cenário, soldados da ONU passaram a realizar reuniões com lideranças comunitárias e patrulhas voltadas à divulgação de informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da doença. A missão informou que as ações buscam esclarecer o papel das Nações Unidas e reduzir a resistência de parte da população às medidas sanitárias.


Durante as comemorações do Dia Internacional dos Boinas-Azuis, António Guterres também abordou os ataques registrados contra integrantes das operações de paz. O secretário-geral afirmou que ações contra militares e policiais da ONU constituem violações do direito internacional humanitário e defendeu maior apoio político e financeiro aos contingentes destacados em missões internacionais.


Segundo dados apresentados pela organização, dezenas de milhares de capacetes azuis permanecem mobilizados em diferentes regiões do planeta com mandatos voltados à proteção de civis, monitoramento de cessares-fogo e apoio a processos políticos conduzidos sob supervisão internacional.


A Monusco mantém operações na República Democrática do Congo com participação de contingentes militares, policiais e civis de 45 países.

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