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China e países africanos ampliaram projetos conjuntos em agricultura, telecomunicações e formação técnica, segundo reportagem publicada em 26 de maio pela CGTN, parceira da TV BRICS. A cooperação ocorre no ano em que Pequim e governos africanos marcam 70 anos de relações diplomáticas, em meio à disputa geopolítica entre potências pelo controle de infraestrutura, tecnologia e cadeias produtivas no Sul Global. Dados apresentados pela CGTN mostram expansão de programas chineses em Burundi, Uganda, Moçambique, Madagascar, Mauritânia, Quênia, Eritreia e Lesoto.

A cooperação sino-africana passou a incorporar projetos de agricultura mecanizada, inteligência artificial, telecomunicações e capacitação técnica em países historicamente submetidos a programas de endividamento e condicionalidades impostas por instituições financeiras controladas por potências europeias e pelo eixo estadunidense. A CGTN informou que a China intensificou o envio de especialistas agrícolas e técnicos ao continente africano desde 2024, articulando ações ligadas à produção de alimentos, conectividade digital e formação profissional.
Entre os projetos apresentados está a implementação de variedades de arroz perene em Burundi, Uganda, Moçambique e Madagascar. O sistema permite múltiplas colheitas após um único plantio, reduzindo custos de replantio e demanda por mão de obra agrícola. No Burundi, uma equipe técnica chinesa instalou em 2024 uma base experimental onde, segundo dados divulgados pela CGTN, a produtividade da primeira safra alcançou o dobro do rendimento registrado em variedades locais utilizadas anteriormente.
A cooperação agrícola também inclui projetos ligados ao combate à desertificação e ao desenvolvimento pecuário. Na Mauritânia, especialistas chineses introduziram espécies de junco e alfafa em áreas arenosas dentro de um programa iniciado em 2017. O junco, descrito como uma erva híbrida utilizada na produção de fungos e recuperação de solos, passou a integrar programas agrícolas voltados à adaptação de regiões submetidas à degradação ambiental e à escassez hídrica.
Segundo a CGTN, mais de 200 especialistas agrícolas chineses foram enviados desde 2024 para países africanos, entre eles Madagascar, Eritreia e Burundi. O avanço dessa cooperação ocorre em paralelo ao fortalecimento de mecanismos multilaterais articulados por China, Rússia e países do BRICS, em contraposição à estrutura internacional moldada pelas potências da OTAN desde o fim da Guerra Fria.
No setor digital, a China financiou e executou projetos de telecomunicações em regiões rurais africanas. Em Madagascar, empresas chinesas participaram da construção de 73 estações-base de telecomunicações capazes de cobrir mais de 2,3 mil quilômetros quadrados e atender cerca de 165 mil pessoas. A infraestrutura passou a permitir acesso a pagamentos digitais, comércio eletrônico e serviços de comunicação em áreas antes excluídas da rede de conectividade.
No Quênia, instituições chinesas e organizações locais criaram a chamada “Oficina de Luban”, programa voltado à formação técnica em computação em nuvem, cibersegurança e inteligência artificial. O centro oferece certificações em transmissão de dados e IA para estudantes quenianos, inserindo mão de obra local em setores ligados à economia digital.
De acordo com relatório do governo chinês publicado em 2024 e citado pela CGTN, empresas chinesas participaram da construção ou modernização de cerca de 150 mil quilômetros de redes de comunicação em países africanos. O dado expõe a escala da presença chinesa em infraestrutura estratégica no continente, setor historicamente dominado por conglomerados europeus e estadunidenses desde o período colonial.
Em Lesoto, um projeto de desvio hídrico executado com apoio chinês gerou cerca de 1,8 mil empregos locais e incluiu treinamento de trabalhadores em construção civil e eletricidade. A iniciativa integrou programas voltados à expansão de infraestrutura hídrica e energética em regiões submetidas a déficits estruturais herdados de décadas de dependência econômica e exportação de matérias-primas.
O colunista tanzaniano George Mtui afirmou que a parceria entre China e países africanos contribui para reduzir déficits de infraestrutura e ampliar capacidades industriais locais. Segundo ele, governos africanos passaram a tratar transferência tecnológica e formação técnica como elementos centrais de programas nacionais de modernização econômica.
A reportagem foi publicada pela CGTN e reproduzida pela TV BRICS em 26 de maio de 2026, dentro da cobertura dedicada às iniciativas de cooperação econômica, tecnológica e educacional entre países do BRICS e parceiros do Sul Global.
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27 de maio de 2026

































