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MODO DE NAVEGAÇÃO

Uma pesquisa conduzida pela brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apresentou resultados inéditos na reversão de lesões medulares consideradas irreversíveis. O estudo, divulgado em 15 de fevereiro de 2026 em reportagem assinada por Pedro Silvini, descreve o desenvolvimento da proteína experimental polilaminina, capaz de estimular a reconexão de neurônios danificados. Dados clínicos iniciais mostram recuperação parcial ou total de movimentos em pacientes paraplégicos e tetraplégicos submetidos ao tratamento. O procedimento ainda está em fase experimental, com autorização judicial para uso em ao menos 16 pacientes brasileiros. A terapia, produzida em parceria com o laboratório Cristália e já aprovada pela Anvisa para fase 1 de testes clínicos, pode levar anos até chegar ao sistema de saúde.


Tatiana Lobo Coelho de Sampaio é bióloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Tatiana Lobo Coelho de Sampaio é bióloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

As lesões na medula espinhal sempre foram tratadas pela medicina como praticamente irreversíveis devido à baixa capacidade de regeneração dos neurônios. A polilaminina, desenvolvida ao longo de quase 30 anos de pesquisa, foi produzida a partir de proteínas extraídas da placenta humana, fundamentais no desenvolvimento do sistema nervoso. Aplicada por injeção diretamente na região lesionada, a substância atua como uma “cola biológica”, criando condições para o crescimento de axônios e reconstrução de circuitos nervosos.


Os primeiros resultados clínicos revelam mudanças significativas. Dos 16 pacientes que obtiveram autorização judicial para receber a substância, ao menos cinco apresentaram recuperação parcial de movimentos. O primeiro caso foi o de Luiz Fernando Mozer, 37 anos, que ficou tetraplégico após um acidente em apresentação de motocross no Espírito Santo. Menos de 48 horas após a aplicação, ele relatou retorno de sensibilidade e contração muscular em regiões antes paralisadas. Outro paciente de 35 anos, vítima de queda de moto, voltou a mover o pé e recuperar sensibilidade nas pernas. O caso mais emblemático é o do bancário Bruno Drummond de Freitas, 31 anos, que voltou a andar após o tratamento.


Os procedimentos foram realizados sob coordenação do neurocirurgião Bruno Alexandre Côrtes, no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro. A aplicação ocorre em ambiente hospitalar e requer intervenção rápida após o trauma para melhores resultados, conforme o protocolo clínico.


Apesar do avanço científico, o acesso ao tratamento permanece condicionado a autorizações judiciais e à futura validação regulatória. A fase 1 dos testes clínicos, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, avaliará segurança e eficácia em pequena escala antes de estudos mais amplos. O investimento necessário para a produção e distribuição da tecnologia gira em torno de milhões de reais, dentro de um modelo farmacêutico que historicamente transforma descobertas científicas em produtos de alto custo.


O reconhecimento internacional já começa a surgir. O potencial da polilaminina vem sendo citado como um dos avanços mais relevantes da medicina regenerativa nas últimas décadas e já aparece em discussões sobre uma possível candidatura ao Prêmio Nobel de Medicina, ainda que as fases clínicas estejam em estágio inicial.


A trajetória da pesquisa escancara uma contradição estrutural: uma descoberta de impacto global produzida por ciência pública brasileira depende de validação, financiamento e posterior exploração comercial para chegar à população. Em um cenário internacional onde tecnologias biomédicas são frequentemente apropriadas por grandes corporações e transformadas em mercadoria, a experiência brasileira recoloca uma questão central — quem terá acesso à cura quando ela finalmente for reconhecida como segura e eficaz.

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