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MODO DE NAVEGAÇÃO

Cerca de 850 mil sudaneses que fugiram do conflito em seu país vivem atualmente no Egito, mas enfrentam risco crescente de perder serviços essenciais, alertou a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). O número de refugiados aumentou de 300 mil, há três anos, para mais de 1,1 milhão, intensificando a pressão sobre programas de assistência já escassos. A porta-voz do ACNUR no Egito, Christine Beshay, destacou que o financiamento insuficiente reduziu o apoio disponível de US$ 11 para US$ 4 por refugiado ao mês.


El Fasher, Darfur, Sudão | ALJAZEERA
El Fasher, Darfur, Sudão | ALJAZEERA

O ACNUR fornece registro, determinação de status de refugiado, proteção, apoio em saúde, educação, assistência infantil e psicológica, além de auxílio financeiro às famílias mais necessitadas, incluindo Nawal, mãe de seis filhos que sobrevive com 1.530 libras egípcias (cerca de US$ 29) por mês e trabalho de meio período. “O valor de 11 dólares já era insuficiente para cobrir todas as necessidades dos refugiados e, portanto, com o número de refugiados dobrando e a falta de verbas, o apoio que oferecemos foi reduzido”, disse Beshay à ONU News. Apenas dois por cento do financiamento necessário chegou aos programas de assistência financeira, reduzindo o número de famílias atendidas para mais da metade.


O impacto da redução de fundos atinge diretamente crianças e mulheres chefes de família. Nawal só conseguiu matricular três de seus filhos na escola, enquanto o mais velho precisou abandonar os estudos para cuidar dos irmãos. “Quando esse apoio termina, a mãe é forçada a tomar decisões muito difíceis: alimentar os filhos ou mandá-los para a escola”, afirmou Beshay. O ACNUR enfatiza que o apoio em dinheiro permite que as famílias escolham com dignidade como suprir necessidades de alimentação, aluguel, saúde e educação, mas a escassez ameaça encerrar o programa nas próximas semanas.


A agência busca parcerias com o setor privado para criar oportunidades de emprego e treinamento para refugiados e requerentes de asilo, preparando-os para aquisição de habilidades que poderão ser utilizadas no retorno seguro e digno a seus países de origem. Apesar desses esforços, a realidade permanece grave, com milhares de famílias enfrentando fome e insegurança em meio à falta de recursos e à pressão estrutural sobre sistemas de acolhimento.

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