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MODO DE NAVEGAÇÃO

Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, afirmou em 29 de abril de 2026, em Nova Iorque, que Estados podem considerar o desenvolvimento de armas nucleares diante de tensões geopolíticas e desconfiança entre governos. Ele apresentou a declaração durante coletiva de imprensa vinculada à 11ª Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear, em andamento na sede das Nações Unidas. O dirigente da AIEA relacionou o cenário ao enfraquecimento de compromissos de não proliferação e à reavaliação de políticas nucleares por diferentes Estados.


(Foto: Michael M. Santiago/Getty Images)
(Foto: Michael M. Santiago/Getty Images)

Grossi declarou: “Penso que existe uma grande preocupação de que, devido às crescentes tensões, à desconfiança e às dúvidas sobre a fiabilidade das alianças, os países possam encontrar incentivos para reconsiderar a sua abstenção passada de desenvolver armas nucleares”. Ele também afirmou que Estados com capacidade tecnológica possuem condições de desenvolver armamentos nucleares em curto prazo caso decidam seguir esse caminho.


O diretor da AIEA afirmou: “Tenho sido muito claro ao afirmar que um mundo com mais países com armas nucleares não seria um mundo mais seguro. Por isso, temos de reafirmar o nosso compromisso com a norma da não proliferação”.

A Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear ocorre em Nova Iorque até 22 de maio, na sede da Organização das Nações Unidas. O encontro inclui discussões sobre desarmamento nuclear, salvaguardas de não proliferação, uso da energia nuclear para fins pacíficos, segurança nuclear e implementação de resoluções relacionadas ao Oriente Médio.


O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, declarou na abertura do evento que o tratado deve lidar com transformações tecnológicas. Ele afirmou: “Hoje a ameaça nuclear é agravada por novos perigos provenientes de tecnologias em rápida evolução, como a inteligência artificial e a computação quântica. O Tratado não é uma relíquia de uma era passada, congelada no âmbar. Deve lidar com a relação entre as armas nucleares e as novas tecnologias”.


Na mesma coletiva, Grossi tratou do material nuclear enriquecido do Irã que poderá estar enterrado após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra instalações iranianas. Ele afirmou que o material esteve sob inspeção da AIEA até junho de 2025.


Grossi declarou: “Trata-se de uma grande quantidade de material nuclear altamente enriquecido, próximo do grau de enriquecimento para armas nucleares, que estávamos a inspecionar até junho de 2025”.

Ele afirmou que acordos de salvaguardas com o Irã preveem mecanismos de verificação em circunstâncias extraordinárias quando há restrição de acesso a material nuclear. Grossi declarou que a situação depende de condições de acesso para inspeções da agência.


O diretor da AIEA também se referiu ao processo eleitoral para a liderança da Organização das Nações Unidas e afirmou que continuará no cargo enquanto participa da campanha. Ele disse: “Seria até irresponsável da minha parte deixar o meu emprego e concentrar-me nos esforços da campanha. Estou muito focado no trabalho que estou a fazer. Estou a negociar com a Rússia e estamos a tentar evitar um acidente nuclear. Estamos envolvidos nas negociações com o Irã. Seria realmente uma negligência da minha parte”.


Grossi afirmou que a continuidade no cargo evita interrupção nas negociações envolvendo Rússia e Irã e respondeu a críticas sobre acúmulo de funções durante o processo de candidatura à liderança da ONU.

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