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O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a organização e seu principal órgão de manutenção da paz, o Conselho de Segurança, perderam efetividade diante de ações unilaterais e supostas violações do direito internacional por parte dos Estados Unidos. Ele destacou que tais práticas enfraquecem a cooperação multilateral e ameaçam princípios fundamentais da governança global.


António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas
António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas

Em entrevista ao programa Today da BBC Radio 4, Guterres criticou o que considerou a priorização do uso direto de poder por Washington em vez de soluções negociadas entre Estados-membros, afirmando que isso prejudica a credibilidade da ONU e o respeito às normas internacionais.


O chefe da ONU mencionou especificamente a operação militar norte-americana de início de janeiro que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, ressaltando que a ação levantou preocupações sobre respeito à Carta da ONU e ao direito internacional, além de possíveis impactos negativos sobre a estabilidade regional.


Guterres afirmou que a dependência de medidas unilaterais por potências globais, em detrimento de esforços multilaterais, corre o risco de minar a ordem jurídica internacional. Segundo ele, isso ameaça princípios centrais da ONU, como a igualdade soberana entre os Estados e o uso restrito da força.


O secretário-geral também criticou o uso frequente do poder de veto por membros permanentes do Conselho de Segurança, argumentando que essa prática concorre para a perda de legitimidade da instituição e defendeu a necessidade de reformas, incluindo possíveis limitações a esse instrumento.


Guterres alertou que, diante desse cenário, alguns atores parecem privilegiar uma “lei dos poderosos” sobre o “Estado de Direito”, o que, em sua visão, torna a construção de um mundo mais estável e pacífico mais difícil sem uma renovada confiança nas normas coletivas e nos mecanismos multilaterais de governança.

Analistas internacionais afirmam que as declarações refletem uma crescente tensão entre parceiros globais sobre o papel da ONU em mediar conflitos e promover a cooperação, sobretudo em um momento em que grandes potências adotam abordagens divergentes sobre segurança, soberania e intervenção militar.

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