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MODO DE NAVEGAÇÃO

A Indonésia defendeu que a reforma das Nações Unidas produza resultados mensuráveis nos países em desenvolvimento. A posição foi apresentada em 1º de maio de 2026 por Tri Tharyat, vice-ministro cessante das Relações Exteriores para Cooperação Multilateral. O diplomata afirmou que o sistema multilateral precisa responder às demandas concretas fora dos centros de poder global.


A declaração ocorre no contexto da Iniciativa UN80, processo de reforma estrutural da ONU voltado à reconfiguração de suas operações em um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas e desigualdade entre países centrais e periféricos. Para Jacarta, a reestruturação deve alterar a forma como recursos, programas e decisões são distribuídos, diante de um histórico em que organismos multilaterais operam sob influência de interesses de potências, com destaque para a política externa estadunidense e seus aliados.


Tri Tharyat afirmou à ONU News que a Indonésia espera “um sistema multilateral fortalecido que gere impacto real no terreno”. Segundo ele, o sistema de desenvolvimento da ONU deve atuar como parceiro estratégico, com quatro funções: traduzir necessidades nacionais em programas executáveis, conectar governo e setor privado, viabilizar financiamento como títulos verdes e investimentos de impacto, e garantir inclusão social.

O Quadro de Cooperação 2026-2030 entre a Indonésia e a ONU estrutura essa atuação em áreas como desenvolvimento humano, descarbonização e transformação digital. O plano inclui 18 prioridades distribuídas em três eixos, o que, segundo o próprio Tharyat, pode resultar em dispersão de esforços diante da dimensão territorial e social do país, composto por milhares de ilhas e desigualdades regionais.


A execução dessas políticas depende da atuação de governos provinciais e municipais, já que uma estrutura nacional não cobre integralmente as disparidades locais. O diplomata indicou que a descentralização administrativa impõe limites à implementação uniforme de programas multilaterais.


Entre os resultados apresentados pela Indonésia na cooperação com a ONU estão a redução da desnutrição infantil, o enfrentamento da pandemia de COVID-19 e iniciativas ligadas à transição energética. Dados oficiais indicam que a taxa de atraso de crescimento infantil caiu de 37% em 2013 para 21,6% em 2022, com apoio técnico de agências como UNICEF, Organização Mundial da Saúde e Programa Mundial de Alimentos.


Durante a pandemia, essas agências atuaram na vigilância genômica, logística de vacinas e distribuição de oxigênio. Segundo o governo indonésio, mais de 400 milhões de doses de vacina foram entregues com apoio do mecanismo COVAX, além da capacitação de milhares de profissionais de saúde.


Na área ambiental, programas conduzidos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação incluíram restauração de manguezais, implementação de sistemas de alerta precoce e planejamento energético. Essas ações também envolveram projetos de agricultura sustentável e geração de empregos vinculados à transição energética.


Tharyat orientou que outros países alinhem os programas da ONU aos seus planos nacionais de médio prazo e utilizem a coordenação residente da ONU para integrar agências e evitar duplicação de iniciativas. Ele também defendeu a racionalização de programas para reduzir sobreposição institucional.


Ao comentar o futuro da ONU, a Indonésia afirmou que espera uma organização com maior capacidade operacional e representatividade dos países em desenvolvimento. “Acima de tudo, a ONU deve responder às necessidades de seus membros mais amplos, e não servir aos interesses de poucos”, declarou o diplomata.


A Indonésia completou 75 anos como membro da ONU em outubro de 2025, no mesmo período em que a organização marcou 80 anos de existência. O país também anunciou candidatura a uma vaga não permanente no Conselho de Segurança para o período de 2029 a 2030, movimento que busca ampliar sua presença em decisões sobre segurança internacional em uma estrutura historicamente dominada por potências com poder de veto.

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5 de maio de 2026

Indonésia cobra “impacto real” da reforma da ONU

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