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MODO DE NAVEGAÇÃO

O gabinete de segurança israelense entrou em confronto interno após novos ataques de drones do Hezbollah matarem soldados israelenses no sul do Líbano ocupado. Ministros do governo de Benjamin Netanyahu defenderam ampliar bombardeios contra Beirute e cidades libanesas enquanto o Hezbollah continua atingindo posições militares israelenses apesar da ofensiva aérea israelense iniciada em março. As discussões ocorreram em meio à manutenção da ocupação israelense no sul libanês, às violações do cessar-fogo denunciadas por Beirute e à continuidade da destruição de bairros civis promovida por Israel.


Primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu - arquivo
Primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu - arquivo

Uma reunião de cinco horas do gabinete israelense terminou marcada por embates entre Netanyahu e o ministro das Finanças Bezalel Smotrich, segundo o portal israelense Ynet. Smotrich, integrante da extrema direita israelense e ocupante de um cargo no Ministério da “Defesa”, exigiu ataques contra áreas civis libanesas após a morte de soldados israelenses em operações conduzidas pelo Hezbollah. “Precisamos demolir 10 prédios em Dahiyeh em resposta a cada drone”, afirmou o ministro, em referência aos subúrbios do sul de Beirute, região submetida a sucessivos bombardeios israelenses desde o início da escalada militar.


Segundo o Ynet, Netanyahu questionou a proposta durante a reunião e reagiu perguntando se Israel deveria destruir edifícios a cada ataque com drones. O chefe do exército israelense, Eyal Zamir, também defendeu ampliar os ataques contra Beirute e contra a cidade de Tiro, no sul do Líbano, utilizando o argumento da “dissuasão”, expressão utilizada pelo aparato militar israelense para justificar ataques contra infraestrutura urbana e bairros residenciais.


A campanha militar israelense no Líbano deixou extensas áreas destruídas nos subúrbios do sul de Beirute e em vilarejos do sul do país. Bairros inteiros foram atingidos por bombardeios israelenses desde março, enquanto Israel mantém tropas em partes do sul libanês apesar das exigências do governo do Líbano por retirada total do território ocupado e das acusações contínuas de violações do cessar-fogo.

As disputas no gabinete israelense ocorreram após a morte de outro soldado israelense em um ataque de drone do Hezbollah contra um veículo blindado de transporte de tropas no sul do Líbano. Outro militar israelense ficou ferido, segundo meios de comunicação israelenses.


O Hezbollah matou 23 soldados israelenses desde o início da ofensiva regional em 2 de março, incluindo 10 após o início do cessar-fogo firmado em abril, de acordo com números divulgados pela imprensa israelense. O exército israelense afirma que mais de mil soldados foram feridos desde o início da confrontação regional envolvendo o Irã e o Hezbollah.


A ocupação israelense de áreas do sul do Líbano ao longo da chamada “linha amarela” deslocou moradores de diversas aldeias fronteiriças. Tropas israelenses demoliram casas e infraestrutura civil em localidades ocupadas enquanto milhares de libaneses seguem impedidos de retornar às suas residências.


Apesar da campanha aérea israelense e do aparato tecnológico financiado por Washington, drones do Hezbollah continuam atravessando os sistemas de defesa israelenses e atingindo alvos tanto em territórios libaneses ocupados quanto no norte de Israel. Os drones guiados por fibra óptica utilizados pelo grupo têm reduzido a eficácia dos sistemas israelenses de interceptação, já que não dependem de sinais de rádio sujeitos a bloqueio eletrônico.


Em discurso realizado no domingo, o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou pedidos pelo desarmamento do grupo e afirmou que essa medida retiraria do Líbano a capacidade de enfrentar ataques israelenses. Qassem também criticou as negociações diretas entre o governo libanês e Israel, classificando-as como vantajosas para Israel enquanto prosseguem os ataques militares e a ocupação territorial.


“O povo tem o direito de ir às ruas e derrubar o governo, no enfrentamento ao projeto americano-israelense”, declarou Qassem.


Na segunda-feira, o presidente libanês Joseph Aoun voltou a exigir a retirada completa das tropas israelenses do território libanês durante cerimônia do Dia da Resistência e da Libertação. Segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano, Aoun defendeu negociações voltadas à retirada israelense e afirmou que elas representam “uma reafirmação do direito exclusivo do Líbano de proteger seu território, sua soberania e sua autoridade”.


O primeiro-ministro libanês Nawaf Salam também pediu o fim da ocupação israelense e escreveu na plataforma X que “o feriado só será restaurado no dia da retirada completa de Israel de nossa terra e do retorno de nosso povo a ela em segurança e dignidade”.

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