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Organizações ligadas à ONU relataram em 5 de maio de 2026 que mortes e destruição continuam no Líbano após o cessar-fogo iniciado em 17 de abril. Dados do ACNUR indicam ao menos 380 mortos desde o início da trégua. Civis seguem impedidos de retornar a áreas sob controle militar israelense no sul do país. A representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) no Líbano, Karolina Lindholm Billing, afirmou em Genebra que a população civil permanece sob risco constante. “Os civis no sul do Líbano e em partes do Vale do Bekaa estão vivendo com o mesmo medo de morrer que tinham antes do cessar-fogo, e muitos estão sendo forçados a fugir”, declarou. Segundo ela, deslocados não conseguem retornar a regiões controladas pelo exército israelense.

Desde a entrada em vigor do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, em 17 de abril, estruturas residenciais e serviços públicos foram atingidos em diversas regiões do país. O ACNUR registrou destruição em larga escala que afeta centenas de milhares de pessoas. Em cidades como Nabatieh e Tiro, famílias que tentaram retornar encontraram casas destruídas. “Eles ficaram ainda mais devastados do que antes, depois de verem suas casas completamente destruídas”, disse Lindholm Billing. Ela relatou o caso de um homem que mostrou a imagem de sua residência demolida e agora vive em uma sala de aula adaptada como abrigo coletivo.
O impacto das operações militares também atinge trabalhadores de emergência. Tommaso Della Longa, porta-voz da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, declarou que equipes médicas atuam sob risco constante. “Toda vez que saem em uma missão de ambulância, eles se abraçam e se despedem, sem saber se voltarão em segurança”, afirmou após visita ao país. Ele acrescentou que voluntários pedem proteção diante dos ataques.
Nos últimos dois meses, dois paramédicos da organização foram mortos ou morreram em decorrência de ferimentos após operações no sul do Líbano: Youssef Assaf e Hassan Badawi. Della Longa declarou que, em condições regidas pelo direito internacional humanitário, equipes médicas não deveriam ser alvo. “Num mundo normal, os voluntários da Cruz Vermelha não precisariam de coletes à prova de balas ou capacetes nas ambulâncias; o emblema deveria protegê-los”, afirmou. “Mas este não é um mundo normal.”
O atual cenário no Líbano está ligado à escalada iniciada em 2 de março de 2026, quando forças israelenses ampliaram ataques após disparos de foguetes atribuídos ao Hezbollah. A intensificação ocorreu dias após o início de bombardeios conduzidos por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã, ampliando o eixo regional de confrontos. Desde então, cerca de 1,8 milhão de pessoas foram deslocadas dentro do território libanês.
Segundo o ACNUR, milhares de pessoas permanecem em áreas sob controle militar israelense ao sul do rio Litani. Comboios humanitários da ONU continuam a transportar assistência para essas regiões, porém enfrentam restrições de acesso impostas pela presença militar. Lindholm Billing afirmou que equipes encontram dificuldade para garantir fornecimento de água, alimentos e atendimento médico.
Della Longa declarou que famílias deslocadas relatam perda de moradia e de condições de vida. “As famílias forçadas a deixar suas casas falam não apenas de perdas, mas também de terem sua dignidade roubada”, afirmou. Ele acrescentou que o cessar-fogo não restabeleceu acesso a serviços básicos nem meios de subsistência para a população afetada.
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6 de maio de 2026

































