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MODO DE NAVEGAÇÃO

Levantamentos divulgados em abril indicam que eleições estaduais em quatro estados refletem padrões nacionais. Dados mostram diferenças de voto entre homens e mulheres e entre grupos religiosos. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo com base em pesquisas Genial/Quaest.


Lula e Flávio Bolsonaro | ARQUIVO
Lula e Flávio Bolsonaro | ARQUIVO

As pesquisas divulgadas em abril de 2026 apontam que as disputas pelos governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul reproduzem clivagens presentes no cenário político nacional. Segundo os dados, candidatos associados à direita concentram maior apoio entre eleitores homens, enquanto enfrentam resistência entre mulheres. Já candidatos vinculados ao campo político do presidente Lula registram maior dificuldade entre eleitores evangélicos.


Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, aparece com 44% das intenções de voto entre homens, contra 23% de Fernando Haddad, do PT. Entre mulheres, os números se aproximam: Tarcísio registra 33% e Haddad 30%, configurando empate dentro da margem de erro. O resultado evidencia a diferença de comportamento eleitoral entre gêneros e aponta para impacto direto nas estratégias de campanha.


No Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes, do PSD, lidera a disputa, mas apresenta variação conforme o recorte religioso. Entre católicos, ele tem 38% das intenções de voto, enquanto entre evangélicos o índice cai para 28%. No mesmo estado, Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa e aliado de Flávio Bolsonaro, registra 13% entre homens e 6% entre mulheres, indicando diferença significativa de apoio por gênero.


No Paraná, o senador Sergio Moro, do PL, lidera em ambos os recortes, mas também apresenta disparidade. Ele registra 44% entre homens e 31% entre mulheres. Seu adversário, Requião Filho, do PDT, apresenta 21% entre mulheres e 14% entre homens, invertendo a tendência observada em candidatos da direita.


No Rio Grande do Sul, a disputa entre Juliana Brizola, do PDT, e Luciano Zucco, do PL, aparece equilibrada. Juliana registra 21% entre mulheres, contra 16% de Zucco. Entre homens, Zucco aparece com 27% e Juliana com 26%, mantendo equilíbrio no cenário geral.


A cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas, afirmou que a diferença de apoio entre eleitoras e eleitores está associada a fatores sociais e históricos. “Historicamente, as mulheres foram associadas a áreas como cultura, educação e assistência social. Isso faz com que parte do eleitorado feminino identifique em candidatos de esquerda uma maior sensibilidade para essas pautas. Além disso, o voto feminino tende a ser mais crítico, e muitas vezes as propostas da direita não dialogam diretamente com as demandas e prioridades dessas eleitoras”, declarou.


No campo político ligado a Flávio Bolsonaro, há tentativa de ampliar a comunicação com mulheres após a rejeição registrada por Jair Bolsonaro entre eleitoras na eleição presidencial de 2022, quando pesquisas indicaram rejeição superior a 60%. Segundo O Globo, Flávio Bolsonaro passou a utilizar dados de segurança pública para afirmar que, durante o governo de seu pai, mulheres estavam “mais protegidas”.


No campo do governo federal, Lula tem direcionado declarações ao eleitorado evangélico, que apresentou adesão majoritária a Jair Bolsonaro nas eleições anteriores. Em fevereiro de 2026, o presidente afirmou que “90% dos evangélicos recebem benefícios sociais do governo”. A relação sofreu desgaste após o desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro, que incluiu representações com referências religiosas em alegorias.


O cientista político Josué Medeiros, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirmou que o distanciamento entre o PT e o eleitorado evangélico teve início em 2010, durante a campanha presidencial de Dilma Rousseff. “Até então o evangélico tendia a votar em Lula, em uma convergência com o eleitorado mais periférico e de menor renda, alinhado à agenda social que marcou seus governos”, declarou.


Medeiros afirmou que a aproximação entre lideranças religiosas e Jair Bolsonaro consolidou essa mudança ao longo dos anos seguintes. “Desde então, essa inflexão se aprofundou e se consolidou, formando o cenário atual, em que entre 60% e 70% do eleitorado evangélico tende a votar em candidatos de direita à Presidência”, afirmou.

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O que está por trás da divisão do eleitorado por gênero e religião nas disputas ligadas a Lula e Flávio Bolsonaro

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