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MODO DE NAVEGAÇÃO

A ONU alertou em 1º de junho que a escalada militar no Líbano continua produzindo mortes, deslocamentos e destruição mesmo após o cessar-fogo firmado em abril. Mais de 600 pessoas morreram desde a entrada em vigor da trégua, enquanto mais de 1 milhão de habitantes foram forçados a abandonar suas casas. A crise ocorre em paralelo ao genocídio israelense contra a população palestina e ao aumento das tensões em diferentes frentes da Ásia Ocidental.


© Unicef/Fouad Choufany Um bairro residencial em Beirute, no Líbano, atacado por mísseis
© Unicef/Fouad Choufany Um bairro residencial em Beirute, no Líbano, atacado por mísseis

Durante sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a coordenadora especial da ONU para o Líbano, Jeanine Hennis-Plasschaert, descreveu a situação do país como a de “um país que está em chamas”. A representante afirmou que a aposta na contenção da escalada representa “um jogo de alto risco, cujo preço é pago por quem já perdeu demasiado”.


No mesmo encontro, a subsecretária-geral da ONU para Operações de Paz, Martha Pobee, apresentou um panorama da situação militar e humanitária no território libanês. Segundo ela, a intensificação dos confrontos entre o Hezbollah e Israel produziu mudanças no padrão das operações realizadas pelos dois lados da fronteira.


Pobee declarou que o Hezbollah ampliou a utilização de armamentos em suas operações. Entre os sistemas citados estão mísseis antitanque, dispositivos explosivos, mísseis superfície-ar e drones guiados por fibra óptica. Segundo a representante da ONU, ataques recentes alcançaram áreas mais profundas do território israelense.

A representante também apontou o impasse político relacionado ao monopólio estatal do uso da força no Líbano. De acordo com Martha Pobee, dirigentes do Hezbollah reiteraram que não pretendem entregar suas armas, posição que colide com a política defendida pelo governo libanês de concentrar sob autoridade estatal todas as capacidades militares presentes no país.


O impacto humano da escalada aparece nos números apresentados pelo Ministério da Saúde Pública do Líbano. Segundo os dados citados pela ONU, ao menos 3.412 pessoas morreram e mais de 10 mil ficaram feridas desde o início das hostilidades. Entre os mortos e feridos estão civis, mulheres, crianças, jornalistas e trabalhadores da área da saúde.


O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirmou que os números registrados após o cessar-fogo permanecem elevados. Dados divulgados pela entidade indicam que 15 crianças morreram e outras 62 ficaram feridas desde a implementação da trégua.


Ricardo Pires, da equipe de comunicação do Unicef, informou que os números equivalem a uma média de 11 menores atingidos por dia. A organização reiterou que “ao abrigo do direito internacional humanitário, as crianças têm de ser protegidas em qualquer circunstância”.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) contabilizou mais de 600 mortes confirmadas desde a entrada em vigor do cessar-fogo em meados de abril. Os registros demonstram que a interrupção formal das hostilidades não resultou no encerramento das ações militares nem das consequências humanitárias associadas.


Além das vítimas diretas dos ataques, a população enfrenta uma crise alimentar. O Programa Mundial de Alimentos (WFP) informou que o deslocamento em massa ocorre simultaneamente ao aumento dos preços dos alimentos, à perda de renda das famílias e à redução da capacidade de funcionamento dos mercados locais.


Segundo o WFP, mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas pela violência. A agência informou que desde março já alcançou mais de 700 mil pessoas afetadas pela crise no Líbano.


Os dados apresentados pela organização indicam que aproximadamente 150 mil civis recebem assistência alimentar diariamente. A ajuda inclui refeições prontas, rações de emergência e pacotes distribuídos em abrigos que recebem famílias deslocadas. O Programa Mundial de Alimentos também pediu acesso humanitário contínuo às áreas atingidas e a manutenção de fluxos regulares de financiamento internacional para sustentar as operações de socorro.


A deterioração da situação no Líbano ocorre paralelamente ao genocídio israelense contra a população palestina em Gaza. A ONU relatou que famílias palestinas permanecem submetidas a condições impostas pela presença militar israelense e vivem sob ameaça constante de ataques.


Relatores das Nações Unidas denunciaram ainda o aumento da violência praticada por colonos israelenses nos territórios palestinos ocupados, incluindo Jerusalém Oriental. Um grupo composto por 13 especialistas independentes da ONU afirmou que comunidades palestinas enfrentam uma escalada de ataques e intimidações.


Segundo os dados apresentados pelos relatores, nos primeiros cinco meses de 2026 ao menos 13 palestinos foram mortos e quase 500 ficaram feridos em ações atribuídas a colonos israelenses. Os especialistas relataram que ataques diários continuam provocando deslocamentos de moradores palestinos em diferentes localidades dos territórios ocupados.


As informações foram apresentadas por relatores especiais das Nações Unidas, que atuam de forma independente e não recebem remuneração da organização pelo exercício de suas funções.

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