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As consequências do colonialismo “ainda são sentidas até hoje”, afirmou em 18 de fevereiro de 2022 o chefe de gabinete da ONU, Courtenay Rattray, ao Comitê Especial de Descolonização, em Nova Iorque. Falando em nome do secretário-geral António Guterres, ele destacou que 17 Territórios Não Autônomos permanecem sob administração externa. Esses territórios somam quase dois milhões de pessoas que ainda vivem sob estruturas herdadas da era colonial. Desde a criação da ONU, mais de 80 ex-colônias, com cerca de 750 milhões de habitantes, conquistaram independência formal. Mesmo assim, a organização reconhece que o processo de descolonização está longe de concluído.

Rattray declarou ao chamado C-24 — o Comitê Especial de Descolonização — que a cooperação internacional é “fundamental para lidar com os impactos” do colonialismo e pediu que 2022 fosse “um ano de recuperação para todos”. Ele descreveu o comitê como “uma plataforma única para promover a implementação da Declaração sobre a Descolonização”, instrumento aprovado há mais de seis décadas pela Assembleia Geral. Em dezembro de 2020, completaram-se 60 anos da adoção da Declaração, enquanto a sessão de 2022 marcou o início da Quarta Década Internacional para a Erradicação do Colonialismo.
A subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, afirmou que as “consequências sanitárias, sociais e econômicas da COVID-19” agravaram desafios históricos enfrentados pelos territórios ainda submetidos a potências administradoras. “O nacionalismo vacinal é contraproducente e só atrasará a recuperação global”, declarou, ao defender acesso equitativo às vacinas. A fala expõe uma contradição estrutural: enquanto discursos multilaterais prometem solidariedade, a distribuição global de recursos segue marcada por assimetrias herdadas do sistema colonial e reproduzidas na arquitetura financeira contemporânea.
Segundo dados apresentados na sessão, a conclusão do processo de descolonização depende do diálogo entre as potências administradoras, os 29 Estados-membros que compõem o C-24 e os próprios territórios afetados. Rattray afirmou que o diálogo transparente é “fundamental” para abrir novas oportunidades rumo à descolonização completa. DiCarlo reforçou que “uma relação construtiva com todos os envolvidos é indispensável para o avanço do processo de descolonização, caso a caso”.
O reconhecimento formal de que o colonialismo ainda produz efeitos concretos contrasta com a narrativa de que a ordem internacional atual teria superado essa etapa histórica. A permanência de 17 territórios sob administração externa demonstra que a descolonização não é apenas capítulo encerrado nos livros de história, mas processo político inconcluso. Ao admitir que seus impactos persistem, a própria ONU evidencia que o sistema internacional contemporâneo ainda convive com estruturas de poder moldadas pela expansão colonial europeia e suas continuidades institucionais.
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17 de fevereiro de 2026

































