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A ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã já acumula perdas econômicas massivas após cinco semanas de ataques. Autoridades iranianas estimam danos na ordem de US$ 270 bilhões, enquanto Tel Aviv divulga cifras significativamente menores para seus próprios custos. A discrepância revela não apenas divergências contábeis, mas também disputas políticas sobre a narrativa da destruição. O conflito também deixou milhares de mortos e devastação de infraestrutura civil iraniana. Os dados expõem o peso econômico de uma campanha militar sustentada por interesses geopolíticos e estratégicos na região.

De acordo com a porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, em declaração à agência russa Ria Novosti em 14 de abril de 2026, os ataques combinados das forças estadunidenses e israelenses causaram cerca de US$ 270 bilhões em prejuízos. Ela afirmou que os números ainda são “preliminares e muito grosseiros”, destacando que uma avaliação mais detalhada será conduzida posteriormente, com base em danos estruturais, perdas de receita estatal e impactos industriais. A destruição inclui infraestrutura crítica e áreas residenciais atingidas por bombardeios sistemáticos ao longo de cinco semanas.
Além do impacto econômico, o Irã contabiliza perdas humanas significativas. Relatórios indicam pelo menos 3.540 mortos, incluindo 244 crianças, resultado direto da campanha militar intensificada após ameaças públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de bombardear o país “de volta à Idade da Pedra”. Os ataques ampliaram a destruição urbana e aprofundaram o colapso de serviços essenciais em diversas regiões iranianas.
No campo diplomático, Teerã busca responsabilização internacional. A delegação iraniana em Islamabad declarou que qualquer acordo de paz deverá incluir mecanismos de reparação. Mohajerani afirmou que a equipe de negociação pressiona por compensações militares por parte dos Estados Unidos. Paralelamente, o representante permanente do Irã na ONU, Amir Saeed Iravani, enviou carta ao secretário-geral Antonio Guterres exigindo compensações também de Bahrein, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia. Segundo o documento, obtido pela Ria Novosti, permitir o uso de seus territórios por forças “agressoras” configura ato de agressão internacional.
Enquanto isso, Israel apresenta uma versão financeira muito mais contida de sua participação no conflito. Em comunicado divulgado no domingo, o Ministério das Finanças israelense estimou o custo da guerra em 35 bilhões de shekels, cerca de US$ 1,5 bilhão. O valor inclui 22 bilhões de shekels em despesas militares diretas, 12 bilhões destinados a compensações para empresas e residências, e 1 bilhão em gastos civis. O ministério afirmou que o orçamento nacional aprovado em 30 de março, de 850,6 bilhões de shekels, seria suficiente para absorver os custos.
No entanto, o próprio aparato militar israelense contestou esses números. O Ministério da Defesa declarou que apenas a campanha contra o Irã custou 39 bilhões de shekels, superando a estimativa oficial, e indicou a necessidade de recursos adicionais para sustentar operações paralelas no Líbano, onde cerca de 120 mil soldados foram mobilizados. Também foi solicitado um acréscimo de 7 bilhões de shekels para reconstrução.
Do lado estadunidense, a opacidade domina os dados oficiais. Não há até o momento um balanço completo divulgado por Washington sobre os custos totais da guerra. Uma apresentação do Pentágono ao Congresso, no início da campanha, indicou que apenas os seis primeiros dias consumiram US$ 11,3 bilhões. Outras estimativas independentes sugerem cifras ainda mais elevadas.
O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais calculou perdas de aproximadamente US$ 1,4 bilhão em danos de combate no período inicial e ao menos US$ 3,5 bilhões ao longo das cinco semanas. Entre os prejuízos materiais estão um sistema de radar avaliado em US$ 1,1 bilhão destruído na base aérea de Al Udeid, no Catar, além da perda de quatro caças F-15E Strike Eagle e uma aeronave AWACS estimada em US$ 700 milhões na Arábia Saudita.
Uma projeção mais elevada, elaborada por especialistas da Harvard Kennedy School, estima que o custo da guerra para os Estados Unidos alcançou cerca de US$ 2 bilhões por dia. Esse ritmo de gastos ajuda a explicar o pedido de US$ 1,5 trilhão feito por Donald Trump ao Congresso para ampliar o orçamento militar estadunidense.
A ausência de um balanço oficial consolidado mantém em aberto o impacto real da guerra sobre os cofres públicos dos Estados Unidos, enquanto operações contínuas, como o bloqueio naval no Estreito de Ormuz e a reposição de equipamentos militares, indicam que os custos tendem a se prolongar indefinidamente.
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15 de abril de 2026

































