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A crise envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro ampliou divisões na extrema direita brasileira e atingiu o Palácio dos Bandeirantes. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou em 27 de maio que o senador “tem muitas questões que ele mesmo precisa explicar”, em referência ao caso conhecido como “BolsoMaster”, investigado após revelações sobre pedidos milionários ligados ao filme “Dark Horse”. A movimentação ocorre enquanto setores do bolsonarismo tentam conter o desgaste eleitoral provocado pelas denúncias e pela investigação conduzida pela Polícia Federal.

A Câmara política da direita passou a operar em contenção desde que o The Intercept Brasil revelou, em 13 de maio, que Flávio Bolsonaro teria solicitado R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o projeto cinematográfico “Dark Horse”. O caso produziu reação em cadeia entre governadores, parlamentares e dirigentes partidários ligados ao bolsonarismo, que passaram a administrar distância pública do senador sem romper de forma definitiva com sua base eleitoral.
Tarcísio de Freitas afirmou, durante agenda no bairro de Perus, na capital paulista, que o caso “agride a sociedade como um todo” e disse que os fatos precisam ser esclarecidos. “Acho que tem muitas questões que ele mesmo precisa explicar. Acho que a população está vendo aí esse escândalo do Banco Master, que é uma coisa que agride a sociedade como um todo. Isso deixa a sociedade em alerta e aí tudo tem que ser muito bem explicado”, declarou o governador.
A fala ocorreu após movimentos semelhantes de Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ciro Nogueira, que passaram a reduzir exposição pública ao lado de Flávio Bolsonaro depois da repercussão do caso. O senador buscou reagir ao desgaste político aparecendo ao lado do presidente estadunidense Donald Trump em um encontro de poucos minutos nos Estados Unidos, tentativa interpretada por aliados como esforço para recuperar espaço entre setores do eleitorado bolsonarista e do empresariado alinhado à extrema direita continental.
Desde a publicação da reportagem do The Intercept Brasil, Tarcísio não voltou a aparecer publicamente ao lado de Flávio Bolsonaro. Em 16 de maio, três dias após a divulgação do áudio relacionado ao caso, o governador cancelou participação em um evento no qual encontraria o senador. Na ocasião, Tarcísio alegou estar gripado. O ato marcaria o lançamento da pré-candidatura do deputado Guilherme Derrite ao Senado.
Nos bastidores da direita paulista, dirigentes partidários avaliam que o governador tenta administrar uma operação de distanciamento controlado. Tarcísio coordena a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro em São Paulo, mas também disputa a própria sobrevivência eleitoral diante da possibilidade de o escândalo atingir diretamente seu governo e sua base de financiamento político.
Dados citados por veículos de imprensa apontam que um fundo administrado por advogado ligado a Eduardo Bolsonaro recebeu R$ 61 milhões relacionados ao caso investigado pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de que parte dos recursos teria sido utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A estratégia de Tarcísio consiste em preservar o apoio bolsonarista sem assumir integralmente o desgaste provocado pelas denúncias envolvendo Vorcaro. O cálculo político ganhou peso após pesquisas indicarem redução da vantagem do governador sobre Fernando Haddad em cenários eleitorais futuros em São Paulo.
O próprio entorno de Flávio Bolsonaro passou a admitir preocupação com novas revelações envolvendo conversas, transferências financeiras e negociações relacionadas ao Banco Master. Esse cenário levou dirigentes da extrema direita a iniciarem uma política de contenção pública, enquanto setores ligados ao mercado financeiro e ao empresariado tentam impedir que o caso atinja candidaturas nacionais da direita em 2026.
O escândalo também alcança Tarcísio de forma indireta. Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, doou R$ 2 milhões para a campanha do governador em 2022. O vínculo passou a circular entre grupos bolsonaristas depois que Tarcísio iniciou declarações cobrando explicações públicas de Flávio Bolsonaro.
A tensão interna no bolsonarismo aumentou após figuras da extrema direita começarem a sofrer ataques de setores alinhados ao núcleo familiar de Jair Bolsonaro. Entre os nomes atingidos por críticas e pressão política aparecem Romeu Zema, Nikolas Ferreira, Ricardo Salles, Rodrigo Constantino e Ciro Nogueira.
Enquanto aliados tentam controlar danos, partidos da base do governo Lula pressionam pela ampliação das investigações sobre o Banco Master, incluindo pedidos de CPI e solicitações de quebra de sigilo bancário e fiscal de envolvidos no caso. A Polícia Federal mantém apuração sobre movimentações financeiras relacionadas ao filme “Dark Horse”, às operações do Banco Master e aos repasses vinculados a integrantes do clã Bolsonaro.
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28 de maio de 2026

































