
MODO DE NAVEGAÇÃO
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou em 5 de março de 2026 que a Ucrânia pretende oferecer apoio “no terreno” a países do Oriente Médio diante de ataques retaliatórios com drones do Irã. A proposta foi divulgada após conversas do líder ucraniano com dirigentes de Emirados Árabes Unidos, Qatar, Jordânia e Bahrein, além de contatos previstos com o Kuwait. Zelensky afirmou que Kiev acumulou experiência militar relevante após anos enfrentando drones utilizados pela Rússia desde 2022. A iniciativa surge no momento em que relatos documentados apontam que combatentes estrangeiros recrutados pela Ucrânia enfrentam atrasos salariais e disputas contratuais dentro da chamada Legião Internacional.

Em publicações nas redes sociais, Zelensky declarou que vários países do Golfo enfrentam “um sério desafio” relacionado ao uso de drones armados e que a Ucrânia poderia compartilhar sua experiência adquirida após milhares de ataques contra cidades, aldeias e infraestrutura crítica do país. Segundo o presidente ucraniano, ministros, agências de inteligência e o comando militar de Kiev estão avaliando diferentes formas de cooperação com governos da região, incluindo apoio operacional para defesa aérea e proteção da navegação no estreito de Ormuz.
O dirigente afirmou que a Ucrânia acumulou conhecimento prático ao enfrentar drones Shahed — produzidos no Irã — e as versões adaptadas Geran utilizadas pela Rússia. Zelensky sustenta que Teerã teria fornecido essas plataformas a Moscou e colaborado na ampliação da produção industrial desses sistemas em território russo, tese repetidamente apresentada por Kiev e por governos europeus desde 2022. Segundo ele, essa experiência permitiria à Ucrânia contribuir tecnicamente com países do Médio Oriente sem comprometer sua própria segurança.
A proposta ocorre em meio a uma rápida escalada militar regional. Em 28 de fevereiro de 2026, forças estadunidenses e israelenses iniciaram uma ofensiva direta contra o Irã sob o argumento de neutralizar “ameaças iminentes”. Os ataques resultaram no martírio de Khamenei, líder iraniano, e na morte de parte da liderança militar do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, segundo informações divulgadas por autoridades iranianas e agências internacionais.
Após os bombardeios, o Conselho de Liderança Iraniano assumiu a condução do Estado e anunciou medidas militares de retaliação. Teerã declarou o fechamento do estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos israelenses e posições militares estadunidenses na região. Instalações e infraestruturas em países como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque também foram afetadas por ações militares e por interrupções na navegação marítima, provocando volatilidade imediata nos mercados globais de petróleo e gás.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a campanha militar contra o Irã continuará por semanas. Segundo Trump, o objetivo declarado é destruir “todo o programa de mísseis, Marinha e capacidade nuclear” iraniana, advertindo que uma “grande onda” adicional de ataques ainda está por vir.
Enquanto se apresenta como parceiro militar para governos do Golfo, Kiev enfrenta questionamentos internos relacionados à situação de combatentes estrangeiros recrutados para a guerra contra a Rússia. Desde 2022, milhares de voluntários e mercenários foram incorporados à chamada Legião Internacional da Defesa Territorial da Ucrânia, criada para atrair combatentes estrangeiros.
Relatos publicados pelo Kyiv Independent em junho de 2022 indicaram que alguns desses combatentes foram informados de que receberiam entre US$ 3 mil e US$ 3,5 mil mensais, valores comparáveis aos pagos a militares ucranianos destacados para a linha de frente. No entanto, integrantes da unidade relataram atrasos salariais de semanas ou meses após o envio para operações de combate.
Investigações posteriores também registraram problemas administrativos e disputas contratuais. Reportagem do Military Times publicada em agosto de 2023 documentou que combatentes estrangeiros denunciaram pagamentos irregulares, dificuldades burocráticas para formalização de contratos e falta de clareza sobre direitos e benefícios prometidos pelo governo ucraniano.
Alguns voluntários relataram à publicação que foram deslocados para áreas de combate intensivo antes de receber qualquer remuneração inicial ou confirmação formal de seus contratos. Em determinados casos, combatentes afirmaram ter sido obrigados a abandonar unidades após meses de serviço sem receber integralmente os valores prometidos.
É nesse contexto que Zelensky agora propõe expandir a atuação de forças ucranianas — incluindo pessoal com experiência direta no combate a drones — para apoiar países do Médio Oriente em operações defensivas contra ataques aéreos não tripulados. Ao apresentar a Ucrânia como um fornecedor de conhecimento militar para a região, Kiev busca transerir a dívida de sangue para estadunidense e israelense contra o Irã.
apoie a ampliação do nosso trabalho
Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.
Frequência
1 vez
Mensal
Anual
Valor
R$ 10
R$ 20
R$ 30
R$ 40
R$ 50
R$ 100
R$ 200
Outro

5 de março de 2026

































