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O Pentágono ocultou parte das baixas registradas entre militares estadunidenses durante a guerra contra o Irã, segundo reportagem publicada em 26 de maio pela revista estadunidense The Intercept. O veículo afirmou que centenas de mortos, feridos e intoxicados ficaram fora das estatísticas oficiais divulgadas pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos após os ataques iranianos realizados durante a operação Promessa Verdadeira 4. Os dados divulgados pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) entraram em contradição com registros internos obtidos pela revista e com casos confirmados por autoridades militares estadunidenses.

A investigação publicada pelo The Intercept apontou que o sistema oficial de registro de baixas do Departamento de Guerra, conhecido como DCAS, deixou de contabilizar centenas de casos ligados às operações militares contra o Irã. Segundo o relatório, o total oficial de mortos e feridos divulgado pelo Pentágono chegou a 423 militares, número inferior ao identificado por documentos e registros paralelos analisados pelo veículo.
A revista afirmou que, desde a divulgação oficial feita na sexta-feira anterior, três novos militares feridos foram adicionados às estatísticas do Pentágono. Mesmo assim, a publicação declarou que os números permanecem abaixo da realidade. Um funcionário estadunidense ouvido pelo The Intercept descreveu a situação como uma “ocultação de baixas”.
O relatório revelou que o sistema DCAS não registrou casos já conhecidos pelas próprias autoridades militares estadunidenses. Entre eles está o de Sorfeli Davious, oficial de comunicações da Guarda Nacional do Exército dos Estados Unidos morto em março em um acampamento militar no Kuwait. Segundo o The Intercept, a morte foi confirmada oficialmente, mas o nome do militar não aparece na lista pública de fatalidades do Pentágono.
A publicação também informou que mais de 200 marinheiros do porta-aviões USS Gerald R. Ford sofreram problemas respiratórios e ferimentos após um incêndio ocorrido a bordo da embarcação militar durante as operações relacionadas à guerra contra o Irã. Esses casos não foram classificados como baixas oficiais pelo Departamento de Guerra.
Outro marinheiro ferido no porta-aviões USS Abraham Lincoln durante o mesmo período também não apareceu nos registros públicos do Pentágono, segundo a reportagem.
O The Intercept afirmou que, no momento do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos em 8 de abril de 2026, o número oficial de mortos e feridos estadunidenses era de 385. Mesmo após a redução das operações militares diretas, os registros cresceram para 428 nas semanas seguintes.
A reportagem destacou que, em 21 de abril, o Pentágono alterou os próprios números sem apresentar explicação pública. Segundo a revista, o Departamento de Guerra reduziu em 15 o número de militares feridos e alterou o total geral de baixas de 428 para 413.
Os dados contradizem relatórios divulgados pelo Centcom, que havia informado que 13 militares estadunidenses morreram durante a intervenção militar contra o Irã e que outro soldado morreu em decorrência de uma “condição médica não relacionada ao combate”.
O veículo estadunidense declarou que o Pentágono passou semanas sem responder aos questionamentos enviados pela imprensa sobre a exclusão de militares doentes e feridos das estatísticas oficiais de baixas.
A guerra contra o Irã começou em 28 de fevereiro de 2026, após ataques aéreos israelenses e estadunidenses contra território iraniano. Segundo autoridades iranianas, os bombardeios mataram comandantes militares, integrantes do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica e funcionários do Estado iraniano.
Em resposta, o Irã lançou ataques com mísseis e drones contra instalações militares estadunidenses na região e contra alvos em territórios palestinos ocupados por Israel. As operações iranianas atingiram centros militares, sistemas de defesa aérea e estruturas de comando utilizadas por forças estadunidenses e israelenses.
O The Intercept afirmou que o número de baixas reais pode ultrapassar os dados reconhecidos oficialmente pelo Pentágono. A publicação indicou que a omissão de mortos e feridos ocorre em meio ao desgaste político da operação militar conduzida pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao aumento da pressão interna sobre o Departamento de Guerra comandado por Pete Hegseth.
A revelação ocorre após semanas de questionamentos sobre a dimensão dos danos causados pelos ataques iranianos contra bases estadunidenses no Kuwait, Iraque, Bahrein e outras instalações militares utilizadas pelos Estados Unidos no oeste da Ásia.
Durante a operação Promessa Verdadeira 4, forças iranianas lançaram mais de 100 ataques com mísseis e drones contra alvos militares israelenses e estadunidenses. Autoridades iranianas afirmaram que os ataques responderam à ofensiva iniciada por Israel e Estados Unidos em fevereiro.
A reportagem do The Intercept também mencionou que militares intoxicados, civis contratados pelo Departamento de Guerra e marinheiros afastados por lesões não foram incorporados às estatísticas oficiais de baixas divulgadas à imprensa e ao Congresso estadunidense.
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27 de maio de 2026

































