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  • Mamdani exalta Sócrates e mobilização social no futebol

    O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, utilizou as celebrações em torno da Copa do Mundo de 2026 para destacar o papel do futebol como instrumento de organização social e intervenção política. Em vídeo divulgado em 13 de junho nas redes sociais, o dirigente novaiorquino exaltou o ex-jogador brasileiro Sócrates e a experiência da Democracia Corinthiana, movimento que desafiou a ditadura militar brasileira dentro e fora dos gramados. A declaração ocorreu antes da partida entre Brasil e Marrocos, disputada no MetLife Stadium, em Nova Jersey, pela fase de grupos do torneio. Zohran Mamdani I FRANCE24 Ao abordar a dimensão política do esporte, Mamdani afirmou que o futebol ultrapassa os limites da competição e pode servir como espaço de mobilização popular. “O futebol criou movimentos, ajudou a derrubar ditadores e, por 90 minutos, não só nos permitiu esquecer nossos problemas, como também encontrar maneiras de superá-los. Que jogo lindo”, declarou. No pronunciamento, o prefeito relacionou a realização da Copa do Mundo nos Estados Unidos ao significado social construído historicamente pelo futebol em diferentes países. Segundo ele, o torneio representa mais do que partidas e resultados esportivos. “Enquanto nos preparamos para celebrar a Copa do Mundo aqui em Nova York, estamos criando e comemorando algo muito maior do que gols marcados e desarmes realizados. Estamos celebrando um esporte que deu a milhões de pessoas, em todo o mundo, tantas delas pobres e esquecidas, um senso de pertencimento, uma conexão com o próximo, um sentimento de solidariedade”, afirmou. A principal referência histórica utilizada por Mamdani foi a Democracia Corinthiana, experiência organizada no início da década de 1980 dentro do Sport Club Corinthians Paulista. O movimento defendia a participação coletiva dos atletas e trabalhadores do clube nas decisões internas, incluindo temas relacionados à rotina esportiva, treinamentos e concentração. A iniciativa ganhou impulso após a eleição de Waldemar Pires para a presidência do Corinthians em 1982. Entre os jogadores que participaram do processo estavam Sócrates, Wladimir, Walter Casagrande, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon. Sob influência desse grupo, o clube passou a adotar mecanismos de votação interna e transformou-se em uma das expressões públicas da campanha pela redemocratização do Brasil durante os últimos anos da ditadura militar. A projeção política da equipe extrapolou o ambiente esportivo. Em meio à campanha pelas Diretas Já, o Corinthians passou a estampar mensagens políticas em seus uniformes, incluindo o slogan que defendia eleições diretas para a Presidência da República. O clube converteu parte de sua visibilidade nacional em instrumento de contestação ao regime instaurado após o golpe militar de 1964. Ao recordar aquele período, Mamdani destacou o papel desempenhado por Sócrates. “Foram anos difíceis para o Brasil. Uma ditadura militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força. No Corinthians, clube que capitaneou, Sócrates e seus companheiros participaram do que todo brasileiro comum sonhava: democracia. Eles iniciaram um experimento de autogoverno chamado Democracia Corintiana. Independentemente de ser o craque do ataque ou o funcionário da lavanderia, todos tinham o mesmo voto”, declarou. O prefeito também relacionou a atuação política dos jogadores às violações praticadas pelo regime militar brasileiro. “E, enquanto a ditadura militar torturava e assassinava seus cidadãos, Sócrates liderava os jogadores em campo, vestindo jaquetas com os dizeres ‘Quero votar no meu presidente’”, acrescentou. A Democracia Corinthiana manteve-se ativa durante parte da década de 1980. O movimento perdeu força a partir de 1984, após a transferência de Casagrande para o São Paulo Futebol Clube e de Sócrates para a Fiorentina, da Itália. Durante aquele período, o Corinthians conquistou o Campeonato Paulista em 1982, 1983 e 1988. Em 1990, o clube conquistaria pela primeira vez o Campeonato Brasileiro. A partida entre Brasil e Marrocos, realizada em 13 de junho pelo Grupo C da Copa do Mundo de 2026, terminou empatada por 1 a 1. O confronto ocorreu no MetLife Stadium, localizado em Nova Jersey, uma das sedes do torneio organizado conjuntamente por cidades estadunidenses. Zohran Mamdani assumiu a prefeitura de Nova York em janeiro de 2026, aos 34 anos. Ele tornou-se o primeiro muçulmano a ocupar o cargo e o prefeito mais jovem da cidade desde 1892. Filho de imigrantes, o político do Partido Democrata define-se como socialista, mantém posições de oposição ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e manifesta apoio à causa palestina.

  • O Hezbollah desfere golpes contínuos contra as forças israelenses e repele múltiplos drones Hermes-450

    O Hezbollah realizou no domingo uma sequência de operações contra posições militares israelenses no sul do Líbano, incluindo ataques a veículos, concentrações de tropas e interceptação de drones. As ações ocorreram em diferentes horários ao longo do dia e foram registradas em comunicados divulgados pela mídia militar do movimento. As operações foram apresentadas como resposta a violações do cessar-fogo atribuído às forças israelenses. Hezbollah A Hezbollah informou que as ações ocorreram em 14 de junho de 2026 e incluíram o uso de drones, foguetes e mísseis contra posições militares israelenses distribuídas por diversas localidades do sul libanês. Entre os alvos citados estão Houla, Addaisseh, Al-Qantara, Yohmor Al-Shaqif, Majdal Zoun, Naqoura, Chamaa, Rshaf, Taybeh e Maroun al-Ras. Às 00h50, combatentes atacaram uma posição em Houla com dois drones de ataque. Às 2h15, foi relatado o disparo de um míssil pesado contra uma posição de artilharia recém-instalada em Addaisseh. Às 8h50, um grupo de veículos e soldados foi atingido por foguetes na colina de Al-Sala’a, em Al-Qantara. Às 2h, outra operação com drone atingiu veículos e soldados nos arredores de Yohmor Al-Shaqif. No mesmo período, uma posição de artilharia na Fazenda Sarda foi atacada com drone suicida. Às 00h30, veículos e soldados foram alvos de foguetes nos arredores de Majdal Zoun. Às 14h20, outro ataque com drone atingiu um grupo de soldados em Al-Qantara. Durante o dia, o Hezbollah registrou ações contra aeronaves não tripuladas israelenses. Drones Hermes-450 foram interceptados e forçados a recuar em diferentes pontos do espaço aéreo libanês, incluindo Sidon e Iqlim Al-Tuffah. Um dos episódios ocorreu às 15h00, quando um drone Hermes-450 foi atingido por míssil terra-ar. Às 15h20 e 16h10, novos casos de recuo de drones foram relatados na mesma região. Às 11h45, foguetes atingiram veículos e soldados na praça central de Taybeh. Às 12h, um grupo militar em Naqoura foi alvo de drones suicidas, enquanto em Chamaa uma força posicionada dentro de um prédio foi atacada simultaneamente. Às 17h05, foguetes atingiram veículos e soldados em Rshaf. O grupo também informou que às 14h30 um veículo blindado Namer foi atingido em Majdal Zoun por um drone Ababil, com impacto confirmado. Às 3h30, foguetes e artilharia atingiram forças israelenses nos arredores de Yohmor Al-Shaqif. Às 14h20, um tanque Merkava foi atingido por drone de ataque Ababil na mesma área. Às 14h, um robô de engenharia foi atingido em operação separada no mesmo entorno. Às 11h30, outra posição de artilharia em Addaisseh foi alvo de foguetes. Às 15h40, uma posição recém-estabelecida em Maroun al-Ras foi atingida por foguetes. Às 19h, veículos e soldados foram atacados na estrada Saf Al-Hawa, em Bint Jbeil. Os comunicados descrevem as ações como resposta às operações militares israelenses no sul do Líbano, enquanto o cenário de confrontos segue concentrado nas áreas fronteiriças e em rotas de movimentação militar na região.

  • ONU: Alta demanda por minerais críticos está remodelando comércio global

    A demanda por minerais críticos utilizados em veículos elétricos, inteligência artificial, semicondutores e sistemas de energia renovável está reconfigurando as relações comerciais internacionais e ampliando a disputa pelo controle de recursos estratégicos. Relatório divulgado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) em 12 de junho aponta que governos intensificam medidas para garantir acesso a matérias-primas consideradas centrais para a transição energética e para a economia digital. O avanço dessas políticas ocorre em meio à crescente competição entre potências industriais pelo domínio das cadeias globais de fornecimento e processamento mineral. Ikbal Alahmad | ©Pexels Segundo a Unctad, o comércio de minerais críticos ocupa posição central nas estratégias industriais adotadas por diversos Estados diante da expansão dos setores de inteligência artificial, energia renovável, armazenamento de energia e mobilidade elétrica. O relatório examina a resposta dos governos ao crescimento da demanda por cobre, níquel, lítio, cobalto, grafite e elementos de terras raras, matérias-primas empregadas em baterias, centros de dados, painéis solares, turbinas eólicas e semicondutores. Os dados apresentados pela agência indicam uma transformação acelerada do mercado global. A demanda por lítio deverá crescer mais de 350% até 2040, enquanto a procura por grafite poderá aumentar mais de 130% no mesmo período. Para a Unctad, a questão não se limita ao crescimento do consumo desses recursos, mas envolve também a localização das reservas, o controle do processamento industrial e a distribuição dos ganhos econômicos ao longo das cadeias produtivas. O relatório destaca que a produção mundial continua concentrada em poucos países. Em 2025, a República Democrática do Congo respondeu por 74% da produção global de cobalto extraído em minas. No mesmo período, a China concentrou 78% da produção mundial de grafite natural. Austrália, Chile e China foram responsáveis por mais de 70% da produção global de lítio. A concentração torna-se ainda mais acentuada nas etapas de refino e processamento, onde são geradas parcelas maiores do valor econômico associado aos minerais. A China mantém posição dominante no processamento de diversos minerais críticos utilizados pela indústria tecnológica e energética. A Indonésia responde por 43% da capacidade global de refino de níquel, consolidando posição relevante na cadeia internacional desse insumo. A estrutura atual do mercado reproduz uma divisão internacional do trabalho observada historicamente na exploração de recursos naturais. Países detentores de reservas minerais continuam exportando matérias-primas, enquanto atividades de transformação industrial, manufatura e incorporação tecnológica permanecem concentradas em centros industriais capazes de controlar as etapas de maior valor agregado. Diante desse cenário, governos passaram a utilizar instrumentos de política comercial para assegurar acesso aos recursos estratégicos e ampliar sua participação nas cadeias produtivas. A Unctad registra que, desde 2020, quase 100 medidas relacionadas à exportação de minerais críticos foram implementadas em diferentes países. Entre essas medidas estão sistemas de licenciamento, impostos sobre exportações e restrições comerciais. República Democrática do Congo, China e Indonésia aparecem entre os países que mais recorreram a esse tipo de mecanismo para administrar a exploração e a comercialização de seus recursos minerais. Paralelamente às restrições comerciais, cresce o número de acordos internacionais voltados ao setor mineral. A Unctad identificou 73 instrumentos de cooperação e parceria relacionados a minerais críticos. Desse total, 58 foram assinados nos últimos quatro anos. Os acordos deixaram de se limitar à extração mineral e passaram a abranger todas as etapas da cadeia produtiva, incluindo exploração geológica, mineração, refino, processamento industrial, fabricação de componentes tecnológicos e reciclagem de materiais estratégicos. Para a agência da ONU, essa expansão simultânea de restrições comerciais e acordos bilaterais cria o risco de fragmentação do sistema internacional de comércio. A multiplicação de normas, padrões regulatórios e mecanismos distintos de cooperação pode elevar custos operacionais e aumentar a complexidade dos investimentos internacionais. A Unctad alerta que esse cenário pode pressionar países em desenvolvimento a escolher entre blocos econômicos concorrentes, reduzindo sua margem de atuação e condicionando sua inserção internacional aos interesses das potências industriais que disputam acesso aos recursos estratégicos. O relatório sustenta que uma coordenação internacional mais ampla poderia reduzir barreiras, aumentar a previsibilidade dos fluxos comerciais e ampliar as possibilidades de desenvolvimento para países produtores de matérias-primas. Segundo a agência, o debate central consiste em definir se os minerais críticos serão utilizados como instrumentos de disputa geopolítica ou como base para mecanismos internacionais de cooperação econômica. A discussão ocorre em um contexto de expansão simultânea da inteligência artificial, da eletrificação dos transportes e da transição energética global, processos que elevam a dependência das economias industriais em relação a minerais concentrados em um número reduzido de países produtores.

  • Movimentos separatistas desafiam unidade dos EUA e do Canadá em novo cenário de tensão política

    Tramitações legislativas, campanhas por referendos e propostas de secessão avançam em diferentes regiões dos Estados Unidos e do Canadá. Os movimentos alegam divergências econômicas, políticas e territoriais com governos centrais que consideram distantes de seus interesses. O cenário se desenvolve em meio a disputas internas ampliadas durante o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. ARQUIVO A atividade de grupos separatistas voltou a ganhar visibilidade nos Estados Unidos, onde organizações políticas, autoridades locais e movimentos regionais defendem desde alterações de fronteiras estaduais até a criação de novos países independentes. Reportagem publicada pelo jornal estadunidense The New York Times relatou que iniciativas desse tipo estão sendo articuladas em estados do Oeste, do Sul e do Centro-Oeste do país, enquanto propostas semelhantes também avançam no Canadá. No estado de Washington, a organização Cascadia Democratic Action, sediada em Seattle, trabalha para organizar consultas populares em Washington e Oregon com o objetivo de criar uma entidade política denominada Cascadia. O projeto prevê a separação dos Estados Unidos em 2028 caso não ocorram mudanças na relação entre os governos estaduais da região e Washington. Andrew Engelson, dirigente da organização, afirmou ao The New York Times que o relacionamento entre a região e o governo federal se tornou insustentável. “Temos uma relação abusiva com o governo federal. O divórcio é uma resposta válida”, declarou. Outra iniciativa em andamento envolve a campanha conhecida como Greater Idaho. O movimento busca transferir condados do leste do Oregon para o estado de Idaho. De acordo com o jornal, a proposta já recebeu aprovação em referendos realizados em 13 condados. Os defensores da mudança argumentam que o leste do Oregon ocupa aproximadamente dois terços do território estadual, embora concentre entre 10% e 15% da população. Eles sustentam que existe uma diferença política e econômica entre as áreas rurais da região e os centros urbanos localizados na parte ocidental do estado. Dan Joyce, juiz do condado de Malheur, afirmou que os moradores da região não se sentem representados pelas autoridades estaduais. “Eles simplesmente não entendem aqueles de nós que vivem do outro lado das montanhas”, declarou. Segundo o The New York Times, iniciativas semelhantes surgem em outras partes do país. Parlamentares de Indiana aprovaram um projeto convidando condados de Illinois a se incorporarem ao estado vizinho. Na Virgínia Ocidental, um senador estadual apresentou proposta para que 30 condados localizados em áreas fronteiriças da Virgínia e de Maryland passem a integrar seu estado. No Texas e na Califórnia, grupos políticos também defendem projetos de independência. O jornal informou que alguns legisladores do interior californiano discutem a divisão da Califórnia em duas ou três unidades administrativas distintas. No sudeste do Novo México, ativistas promovem a incorporação da região ao Texas. O fenômeno não se limita aos Estados Unidos. No Canadá, a província de Alberta prepara um referendo previsto para outubro de 2026 sobre a possibilidade de se separar da federação canadense. Alberta concentra parte da produção petrolífera canadense e abriga setores políticos que contestam políticas adotadas pelo governo federal em Ottawa. A proposta separatista ganhou espaço após anos de disputas relacionadas à exploração de recursos energéticos, tributação e distribuição de receitas. Reportagens publicadas pelo Financial Times e pela Bloomberg relataram que integrantes do governo do presidente Donald Trump mantiveram contatos com grupos favoráveis à independência de Alberta. Segundo os veículos, as conversas abordaram cenários posteriores a uma eventual separação da província canadense. As mesmas reportagens afirmaram que foi discutida a hipótese de um empréstimo de US$ 50 bilhões para financiar despesas de transição entre uma eventual independência e uma possível incorporação de Alberta aos Estados Unidos como um "51º estado". Não existe acordo formal anunciado nesse sentido. As iniciativas surgem em meio ao aprofundamento de disputas políticas e econômicas em ambos os países. O debate envolve questões relacionadas à distribuição de recursos públicos, autonomia regional, políticas energéticas, representação política e competências dos governos centrais. O pesquisador Semir Dzebo, da Universidade de Oxford, afirmou ao The New York Times que movimentos separatistas costumam ganhar força quando diferenças culturais e políticas passam a ser percebidas como fatores que produzem consequências econômicas. “O que impulsiona esses movimentos é quando esse sentimento de ser diferente tem consequências econômicas”, declarou. O cientista político Ryan Griffiths, da Universidade de Syracuse e autor do livro Os Estados Desunidos, publicado em 2025, afirmou que o separatismo passou a refletir o ambiente político existente nos Estados Unidos. Segundo ele, apoiadores dessas iniciativas pertencem a correntes ideológicas distintas, mas compartilham críticas semelhantes ao funcionamento das instituições federais. Griffiths observou que muitos defensores desses projetos afirmam que o governo federal interfere em suas vidas, não responde às demandas locais e se encontra distante das populações regionais. Apesar do crescimento da discussão pública, os obstáculos jurídicos permanecem significativos. Em decisão de 1869, a Suprema Corte dos Estados Unidos estabeleceu que estados não possuem direito de se retirar unilateralmente da União. Alterações de fronteiras estaduais dependem de aprovação dos estados envolvidos e também do Congresso estadunidense. O aumento da insatisfação política nos Estados Unidos ocorre em um contexto marcado por disputas sobre imigração, política externa e custos econômicos associados ao envolvimento militar do país. O debate também se intensificou após a escalada das tensões entre Washington e Teerã, que provocou alta nos preços internacionais do petróleo e ampliou discussões sobre os impactos econômicos das operações militares para a população estadunidense.

  • Democratas dizem que acordo com Irã encerra conflito “desnecessário”

    O anúncio do memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos provocou reações favoráveis entre parlamentares democratas no Senado estadunidense. Apesar de saudarem o fim das hostilidades, os legisladores afirmaram que a guerra lançada contra a República Islâmica era desnecessária e produziu custos políticos, econômicos e militares para Washington. As declarações ocorreram após a confirmação de que o texto do acordo será assinado na Suíça na próxima sexta-feira. ARQUIVO Senadores do Partido Democrata avaliaram que o acordo firmado entre Teerã e Washington representa o encerramento de um confronto que poderia ter sido evitado. Em manifestações públicas divulgadas nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, os parlamentares argumentaram que a campanha militar conduzida pela coalizão formada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã não produziu os objetivos anunciados por seus defensores e terminou com um entendimento que, na prática, restaura condições que existiam antes do início das operações militares. O senador Chris Coons afirmou, em publicação divulgada em sua conta na rede X, que o cessar-fogo e a retomada das negociações constituem um passo positivo. Ao mesmo tempo, declarou que a guerra tornou militares e cidadãos estadunidenses menos seguros e deixou uma série de questões sem definição. Coons também advertiu que diferentes interpretações sobre os termos acordados podem gerar novos riscos. Segundo o parlamentar, diversos pontos permanecem sem esclarecimento, o que exige acompanhamento do processo de implementação do memorando negociado entre Teerã e Washington. O senador Chris Murphy adotou posição semelhante ao comentar o acordo. Em suas declarações, classificou o entendimento como uma "rendição ao Irã", mas acrescentou que os Estados Unidos deveriam receber o resultado de forma positiva diante dos custos produzidos pelo prolongamento das hostilidades. "Quanto mais guerra houver, pior será a situação", afirmou Murphy. O senador sustentou que cada dia adicional de confronto enfraquecia os Estados Unidos política e economicamente. Murphy observou ainda que a principal concessão obtida por Washington foi a reabertura do Estreito de Ormuz. O parlamentar ressaltou que a passagem marítima permanecia aberta antes da escalada militar entre as partes e destacou que o Irã já havia assumido compromissos relacionados ao seu programa nuclear por meio do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), firmado em 2015. O senador recordou que o acordo nuclear estabelecia limites e mecanismos de monitoramento para o programa atômico iraniano e destacou que a retirada unilateral dos Estados Unidos do JCPOA ocorreu durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump. Outro integrante da bancada democrata, Ro Khanna, declarou na plataforma X que a guerra contra o Irã representou uma "lição cara" para Washington. O parlamentar afirmou que a operação não alcançou uma mudança de governo em Teerã, objetivo que vinha sendo defendido por setores favoráveis à escalada militar contra a República Islâmica. As críticas democratas surgem após meses de confrontação militar entre Estados Unidos, Israel e Irã. O confronto produziu impactos sobre o comércio marítimo regional, afetou rotas estratégicas de transporte de energia e elevou preocupações sobre seus efeitos na economia estadunidense. O desgaste político interno também foi apontado por parlamentares oposicionistas. Segundo as declarações divulgadas por representantes democratas, parte da população estadunidense demonstrou insatisfação com os custos financeiros da campanha militar e com o envolvimento do país em mais uma guerra no Oriente Médio, em contraste com promessas feitas durante a campanha presidencial de evitar novos conflitos externos. Na manhã desta segunda-feira, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou que as negociações mediadas por Islamabad resultaram em um acordo entre os Estados Unidos, Israel e o Irã para encerrar as operações militares. Poucas horas depois, o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Qaribabadi, confirmou que o texto do memorando de entendimento entre Teerã e Washington foi finalizado e informou que a assinatura oficial do documento ocorrerá na Suíça na próxima sexta-feira.

  • Vance: O acordo EUA-Irã é ótimo para o povo estadunidense

    O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que o acordo firmado entre Washington e Teerã poderá reduzir os custos de energia para consumidores estadunidenses após meses de instabilidade provocada pela guerra contra o Irã. As declarações foram feitas um dia após o anúncio do memorando de entendimento que estabelece o encerramento das operações militares e do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos. O posicionamento expõe a relação entre a escalada militar no Golfo Pérsico e os impactos econômicos sentidos pela população estadunidense por meio dos preços dos combustíveis e da energia. Vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance Em entrevista concedida à emissora Fox News no domingo, Vance classificou o acordo como benéfico para os cidadãos dos Estados Unidos e associou diretamente o entendimento diplomático à redução dos preços da energia. “Isto é algo magnífico para o povo americano”, declarou o vice-presidente. Em seguida, reconheceu o impacto econômico produzido pela crise. “Sei que o povo americano sofreu com o alto preço da gasolina. O presidente, sem dúvida, está preocupado com essa situação.” Segundo Vance, a política adotada pela administração estadunidense após o acordo contribuirá para reduzir os custos energéticos e diminuir as tensões no Oriente Médio. O vice-presidente afirmou que o entendimento poderá criar o que descreveu como um “verdadeiro motor de prosperidade” para a região. As declarações ocorreram após a queda dos preços internacionais do petróleo registrada depois do anúncio conjunto feito por Washington e Teerã sobre o encerramento das operações militares iniciadas meses antes. O acordo também prevê o fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos contra o Irã e está ligado aos desdobramentos envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do planeta. Durante o período de guerra, o risco de interrupções no fluxo energético através do Golfo Pérsico provocou preocupações nos mercados internacionais. O Estreito de Ormuz ocupa posição central nesse sistema, servindo como corredor para parte significativa das exportações globais de petróleo e gás natural. O debate sobre os custos econômicos da guerra ganhou força nos Estados Unidos após a divulgação de análises que associaram a escalada militar contra o Irã ao aumento dos preços dos combustíveis. Em relatório divulgado pela HispanTV, a ofensiva militar iniciada em fevereiro foi descrita como responsável pela criação de um "imposto iraniano" sobre a economia estadunidense, refletido nos valores pagos pelos consumidores nos postos de combustível. O memorando de entendimento anunciado por Washington e Teerã foi resultado de vários meses de negociações realizadas em meio a confrontos militares, ataques regionais e sucessivas crises diplomáticas. As conversas enfrentaram obstáculos ao longo do processo e chegaram a ser ameaçadas por acontecimentos registrados em outras frentes do conflito. Entre esses episódios esteve um ataque israelense contra Beirute, no Líbano, que elevou as tensões regionais e colocou em risco o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã. Autoridades iranianas classificaram a ação como um ataque terrorista e advertiram Washington sobre possíveis consequências para a estabilidade regional. Durante a entrevista à Fox News, JD Vance também revelou informações sobre a avaliação feita pelos serviços de inteligência estadunidenses após o ataque a Beirute. Segundo o vice-presidente, Washington identificou sinais de que o Irã preparava uma resposta militar contra Israel. Vance afirmou que autoridades estadunidenses detectaram indícios de que Teerã estava se preparando para lançar um grande número de mísseis contra Israel após os acontecimentos registrados na capital libanesa. O acordo alcançado entre Washington e Teerã foi anunciado após meses de confrontação militar e deverá servir de base para a assinatura formal do memorando de entendimento pelas partes envolvidas.

  • Unicef diz que existe avanço iminente do ebola entre crianças na RD Congo

    O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou em 12 de junho que o surto de ebola no leste da República Democrática do Congo pode registrar aumento de casos entre crianças nos próximos dias. Dados das autoridades sanitárias congolesas- apontam 676 casos confirmados e 136 mortes até 11 de junho. O avanço da doença ocorre em uma região marcada por conflitos armados, limitações estruturais do sistema de saúde e dificuldades para a resposta humanitária. Azeem_USA | ©Pinterest As crianças já representam entre 14% e 17% das infecções registradas, segundo estimativas do Unicef. A agência das Nações Unidas afirma que o receio da população de procurar hospitais e centros médicos pode ampliar a transmissão dentro das residências, alterando o perfil atual do surto, concentrado entre adultos. O alerta foi divulgado enquanto equipes sanitárias tentam ampliar o rastreamento de contatos, a testagem de casos suspeitos e o trabalho junto às comunidades afetadas. O Unicef informou que mobilizou suprimentos médicos, equipes de saúde, apoio psicossocial e estruturas de assistência voltadas para crianças. O surto já alcançou 34 zonas de saúde distribuídas pelas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a área afetada cobre aproximadamente mil quilômetros. A expansão territorial da doença ocorre em uma das regiões mais instáveis da África Central, onde décadas de guerra, deslocamentos populacionais e disputas por recursos minerais deixaram estruturas públicas fragilizadas. As condições enfrentadas pelas crianças na região incluem desnutrição, cobertura vacinal insuficiente, deslocamentos provocados por confrontos armados e acesso limitado a serviços médicos. Esses fatores aumentam a exposição da população infantil tanto ao ebola quanto a outras enfermidades. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, destacou a cooperação entre a organização e o Programa Mundial de Alimentos (WFP) para garantir logística e abastecimento às equipes de resposta. Segundo a agência, a manutenção das cadeias de suprimento tornou-se elemento central para a continuidade das operações em áreas onde estradas, comunicações e serviços públicos enfrentam interrupções. O Unicef sustenta que a contenção da epidemia depende do fortalecimento da confiança da população nos serviços de saúde, da identificação precoce dos casos e da obtenção de novos recursos financeiros para sustentar as operações de emergência. O impacto da epidemia já ultrapassou as fronteiras congolesas e alcançou Uganda, onde autoridades sanitárias iniciaram medidas de contenção e monitoramento. Após visita à cidade de Bunia, considerada o epicentro do surto, Douglas Noble, líder global do Unicef para Emergências de Saúde Pública e gerente global de incidentes relacionados ao ebola, relatou que profissionais do Hospital de Rwampara observaram uma redução na procura por atendimento médico. Segundo ele, moradores deixaram de buscar consultas e tratamentos por receio de contaminação. Noble afirmou que a interrupção do atendimento médico rotineiro produz consequências que vão além do próprio ebola. Quando famílias deixam de frequentar unidades de saúde, campanhas de vacinação são interrompidas e doenças tratáveis deixam de receber acompanhamento. O representante do Unicef resumiu esse processo afirmando que o “surto começa a ceifar vidas que ele sequer tocou diretamente”. Segundo Noble, a maior parte dos casos registrados até o momento ocorreu entre adultos inseridos em atividades econômicas e sociais. Ele advertiu, porém, que a evolução da epidemia pode alterar esse cenário. “É preciso estar preparados para um aumento na transmissão domiciliar, o que significa que se poderá ver mais crianças afetadas nos próximos dias”, declarou. A OMS também expressou preocupação com a dimensão real da epidemia. Olivier le Polain, especialista da organização, informou que o surto continua crescendo tanto em número de casos quanto em alcance geográfico. A entidade identificou 17 zonas consideradas de alto impacto que necessitam de apoio imediato. Para a OMS, os números conhecidos podem representar apenas parte da disseminação efetiva do vírus, uma vez que persistem lacunas na vigilância epidemiológica e dificuldades para monitorar áreas afetadas por confrontos armados. Entre os obstáculos apontados pelas agências internacionais estão a mobilidade da população, os deslocamentos provocados pela insegurança e a capacidade limitada dos sistemas de saúde locais. Organizações humanitárias também relatam dificuldades de acesso a determinadas áreas devido à situação de segurança. As agências das Nações Unidas defendem a ampliação do acesso humanitário às regiões atingidas como condição para interromper a cadeia de transmissão do vírus e ampliar a capacidade de atendimento às populações afetadas.

  • Trump: Israel deveria agradecer aos EUA por protegê-lo do Irã

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu deveria demonstrar gratidão a Washington após a conclusão de um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra iniciada há quase 110 dias. As declarações foram feitas após o anúncio do acordo que será oficialmente assinado na Suíça na próxima sexta-feira. O entendimento foi apresentado por Washington e Teerã como o instrumento que formaliza o fim das operações militares e estabelece novas bases para as negociações sobre o programa nuclear iraniano. Trump e Netanyahu ©WHITE HOUSE Em declarações reproduzidas pelo jornal The New York Times, Trump classificou o memorando concluído no domingo como um grande acordo e afirmou que governos estadunidenses anteriores não conseguiram alcançar um entendimento semelhante com a República Islâmica do Irã. O presidente estadunidense declarou que os termos finais ainda estão sendo ajustados pelas partes envolvidas. Entre os temas que permanecem em negociação está a possibilidade de o Irã interromper o enriquecimento de urânio por um período entre 15 e 20 anos. Segundo Trump, uma das disposições discutidas prevê que o programa nuclear iraniano permaneça limitado ao enriquecimento de urânio em níveis baixos. O presidente estadunidense afirmou que esse nível de enriquecimento "nunca teria uso militar". Ao comentar sua relação com Benjamin Netanyahu, Trump reconheceu divergências com o dirigente israelense e afirmou que o primeiro-ministro deveria reconhecer o papel desempenhado pelos Estados Unidos durante a guerra. “Netanyahu é uma pessoa muito difícil”, declarou Trump. Em seguida, acrescentou que “se o Irã tivesse obtido armas nucleares, Israel não teria durado duas horas”. O acordo foi finalizado na noite de domingo, após semanas de negociações que sucederam o cessar-fogo alcançado no início de abril. O entendimento surge cerca de 110 dias depois do início da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica do Irã. Mesmo após a entrada em vigor do cessar-fogo, episódios de tensão continuaram sendo registrados. De acordo com informações divulgadas pelas partes envolvidas nas negociações, ocorreram ações classificadas como terrorismo marítimo e ataques contra o Líbano durante o período posterior à suspensão das hostilidades diretas. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã divulgou comunicado após a conclusão do acordo. No documento, o órgão afirmou que os resultados obtidos refletem a superioridade iraniana diante do que descreveu como o eixo americano-sionista durante o período de confrontação. Autoridades iranianas sustentaram durante todo o processo de negociação que qualquer entendimento destinado a encerrar a guerra deveria abranger todas as frentes militares abertas durante o confronto e garantir os interesses nacionais do país. De acordo com os termos divulgados até o momento, o acordo estabelece a interrupção de todas as operações militares relacionadas à guerra. As disposições também incluem o encerramento das ações realizadas no território libanês e a suspensão do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos contra o Irã. O memorando deverá ser assinado oficialmente na Suíça na próxima sexta-feira por representantes dos governos envolvidos nas negociações.

  • Milhares protestam enquanto Trump e outros líderes mundiais se preparam para se reunir na cúpula do G7

    Milhares de manifestantes ocuparam as ruas de Genebra em 14 de junho, na véspera da cúpula do G7 realizada em Évian-les-Bains, na França. Os protestos reuniram organizações palestinas, movimentos feministas, grupos ambientalistas e entidades sociais que denunciaram as políticas econômicas, militares e diplomáticas defendidas pelas potências que compõem o bloco. A mobilização ocorreu em meio ao aumento das críticas internacionais ao papel do G7 em temas como o genocídio em Gaza, a crise climática, as desigualdades econômicas e as disputas geopolíticas lideradas por potências ocidentais. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil A manifestação foi organizada pela coalizão "Não ao G7", formada por mais de 60 associações e movimentos. O ato ocorreu um dia antes do início da reunião dos chefes de governo e chefes de Estado do grupo, marcada para os dias 15 a 17 de junho na cidade francesa de Évian-les-Bains, localizada às margens do Lago Léman, próximo à fronteira suíça. Entre os participantes estavam organizações de solidariedade à Palestina, coletivos feministas, entidades sindicais, movimentos ambientais e grupos anticapitalistas. Cartazes exibidos durante o protesto criticavam o papel do G7 na economia global, nas intervenções militares e na condução das políticas ambientais. Uma das faixas carregadas pelos participantes afirmava: "Só existe um planeta, não sete". Françoise Nyffeler, porta-voz da coalizão organizadora, declarou que a mobilização buscava expressar oposição às políticas adotadas pelos governos integrantes do bloco. "Temos muito medo da política e das manobras políticas do Sr. Trump, assim como dos outros líderes do G7, porque eles estão brigando, fazendo guerra por todos os lados", afirmou. Nyffeler também relacionou as críticas ao bloco às questões ambientais. "O planeta está em perigo, e estamos muito assustados com isso. Queremos protestar e dizer que os povos do mundo são contra as políticas deles", acrescentou. Segundo estimativas da polícia suíça, cerca de 20 mil pessoas participaram da manifestação. O protesto percorreu áreas centrais de Genebra e ocorreu sob forte presença policial. Autoridades suíças e francesas mobilizaram milhares de agentes para acompanhar os eventos relacionados à cúpula do G7. As medidas de segurança incluíram bloqueios de estradas, restrições a concentrações não autorizadas e a implementação de esquemas especiais de vigilância em regiões próximas ao local da reunião dos líderes do bloco. Governos locais também anunciaram programas de compensação financeira para empresas que pudessem ser afetadas por transtornos decorrentes das operações de segurança. O reforço policial foi influenciado pela memória dos protestos realizados durante a cúpula do G8 em Évian, em 2003. Na ocasião, confrontos e atos de vandalismo ocorreram em diversas áreas de Genebra. Em preparação para o encontro deste ano, dezenas de estabelecimentos comerciais e edifícios reforçaram fachadas e vitrines com painéis de madeira. Durante a cobertura do ato para a Al Jazeera, a jornalista Natacha Butler relatou que muitos participantes acusavam o G7 de representar interesses econômicos concentrados em um grupo restrito de países industrializados. Segundo os manifestantes entrevistados pela emissora, as decisões adotadas pelo bloco produzem impactos globais relacionados à pobreza, às desigualdades econômicas e às políticas climáticas. Butler informou que diversos participantes afirmavam que o grupo "serve apenas para os ricos ficarem mais ricos e os pobres ficarem mais pobres". Os manifestantes também argumentavam que o bloco não representa a composição demográfica nem os interesses da maior parte da população mundial. Ao longo do dia, ocorreram confrontos entre grupos de manifestantes e forças policiais. Unidades de choque utilizaram gás lacrimogêneo e canhões de água durante a noite. Parte dos manifestantes, muitos vestidos de preto e utilizando máscaras, lançou garrafas, pedras, blocos de cimento e fogos de artifício contra os agentes de segurança. Diversos edifícios foram atingidos durante os confrontos. Entre eles estavam escritórios da União Internacional de Telecomunicações da ONU e uma instalação da empresa PricewaterhouseCoopers localizada nas proximidades do trajeto da manifestação. Os protestos ocorreram em um momento de questionamentos sobre a influência e a representatividade do G7. O grupo reúne Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. Quando foi consolidado como principal fórum das economias industrializadas ocidentais, seus integrantes respondiam por aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto mundial. Atualmente, essa participação está próxima de 40%. Ao mesmo tempo, o bloco representa cerca de um décimo da população global. A redução de sua participação econômica ocorre paralelamente ao crescimento de agrupamentos como o BRICS, que ampliou sua composição de cinco para onze países, incorporando novos membros e expandindo seu alcance político e econômico. A edição de 2026 da cúpula também ocorre em meio a críticas internacionais dirigidas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionadas às tarifas comerciais, ao apoio estadunidense a Israel durante o genocídio contra os palestinos em Gaza e às negociações envolvendo o Irã. As mobilizações começaram antes da manifestação principal de domingo. No sábado, uma flotilha formada por aproximadamente 20 embarcações navegou pelo Lago Léman próximo à costa de Évian exibindo faixas contra o G7 e em apoio à Palestina. Na noite de sexta-feira, cerca de 20 manifestantes foram detidos pelas autoridades suíças, segundo relatos divulgados pela imprensa local.

  • O "presidente da Somalilândia" se reúne com seu "homólogo israelense" em sua primeira visita a Jerusalém

    O presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdullahi, tornou-se em 14 de junho de 2026 o primeiro dirigente do território separatista a realizar uma visita oficial a Israel. A viagem ocorre meses após Israel reconhecer unilateralmente a independência da região, rompendo com a posição adotada pela ONU, pela União Africana e pela maioria dos governos do mundo. O encontro reforça uma aproximação que envolve interesses militares, comerciais e estratégicos em uma das principais rotas marítimas do planeta. O presidente de Israel, Isaac Herzog, e o presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdullahi, na residência presidencial em Jerusalém, 14 de junho de 2026 (Ronen Zvulun/Reuters) Recebido em Jerusalém pelo presidente israelense Isaac Herzog, Abdullahi classificou a visita como um marco nas relações entre o território separatista e Tel Aviv. Em mensagem publicada na plataforma X, o dirigente, conhecido como Cirro, afirmou sentir-se “honrado pela calorosa recepção” e declarou que a visita representa “um marco histórico” para a Somalilândia. “Durante trinta e cinco anos, o povo da Somalilândia construiu uma nação pacífica, democrática e resiliente. Perguntamos ao mundo: Vocês nos veem? Israel foi o primeiro a responder”, escreveu Abdullahi. O presidente acrescentou: “Hoje, a história está sendo escrita, e a Somalilândia está pronta para forjar um futuro compartilhado, baseado na amizade, na cooperação e no respeito mútuo”. Segundo o jornal israelense Maariv, Abdullahi deverá reunir-se durante a visita de dois dias com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e com o ministro das Relações Exteriores Gideon Saar. Os encontros ocorrem em um contexto de aprofundamento das relações políticas entre Israel e a administração instalada em Hargeisa, capital da Somalilândia. A Somalilândia declarou independência da Somália em 1991 após o colapso do governo central somali. Apesar de manter instituições próprias, forças de segurança e administração autônoma, o território continua reconhecido internacionalmente como parte integrante da Somália. A ONU, a União Africana e a maioria dos Estados mantêm essa posição. Em dezembro de 2025, Israel tornou-se o primeiro Estado-membro das Nações Unidas a reconhecer oficialmente a Somalilândia como país independente. A decisão inseriu Tel Aviv em uma disputa geopolítica que envolve o controle de corredores marítimos, instalações militares e influência política no Chifre da África e na entrada sul do Mar Vermelho. A posição geográfica da Somalilândia ocupa lugar central nesse processo. O território está localizado próximo ao Estreito de Bab el-Mandab, passagem marítima que conecta o Golfo de Aden ao Mar Vermelho e por onde transita parcela do comércio marítimo mundial. A distância entre a costa da Somalilândia e o estreito é de aproximadamente 30 quilômetros. O reconhecimento israelense ocorreu em um momento marcado pelo aumento das tensões no Mar Vermelho, onde o movimento Ansar Allah, do Iêmen, tem realizado operações contra embarcações ligadas a Israel e seus aliados. O grupo afirma que as ações constituem resposta ao genocídio israelense contra os palestinos em Gaza. A aproximação entre Tel Aviv e Hargeisa também ocorre após anos de presença dos Emirados Árabes Unidos na região. Em 2017, a administração da Somalilândia aceitou uma proposta dos Emirados para estabelecer uma base militar no porto de Berbera. Na ocasião, autoridades locais declararam que a parceria poderia fortalecer sua busca por reconhecimento internacional. Desde o reconhecimento israelense, autoridades da Somalilândia passaram a discutir a possibilidade de instalação de uma base militar israelense no território. Embora o Ministério das Relações Exteriores da Somalilândia tenha negado anteriormente a existência de um plano formal nesse sentido, o tema permanece presente nos debates políticos relacionados à cooperação entre as duas partes. Uma eventual presença militar israelense na Somalilândia colocaria Israel próximo ao território controlado pelo Ansar Allah no Iêmen. O posicionamento permitiria monitoramento de uma das principais rotas marítimas internacionais e ampliaria a capacidade de projeção militar israelense na região do Mar Vermelho e do Golfo de Aden. Durante o encontro em Jerusalém, Isaac Herzog afirmou esperar ampliação da cooperação bilateral. “Ambos buscamos segurança e estabilidade na região e no Chifre da África. Ambos reconhecemos a importância de proteger a liberdade marítima”, declarou o presidente israelense. O fortalecimento das relações entre Israel e a Somalilândia também coincide com a ampliação da cooperação entre Tel Aviv e os Emirados Árabes Unidos, que apoiam a administração separatista desde a última década por meio de investimentos em infraestrutura portuária e projetos de segurança. Em entrevista à agência Reuters no início de fevereiro de 2026, Abdullahi afirmou esperar a assinatura de um acordo comercial com Israel. Na ocasião, declarou que sua administração estaria disposta a conceder direitos de exploração sobre depósitos minerais localizados na Somalilândia como parte de futuras negociações econômicas. Além dos interesses comerciais, dirigentes da Somalilândia avaliam que os vínculos com Israel podem contribuir para o fortalecimento de suas forças de segurança. Autoridades do território manifestaram preocupação após a decisão da ONU de suspender parcialmente, em 2023, o embargo de armas imposto à Somália, medida vista pela administração separatista como fator de alteração do equilíbrio militar na região.

  • As Brigadas Al-Quds alvejam tropas israelenses durante ataque no sul da Cisjordânia

    Combatentes das Brigadas Al-Quds anunciaram ter realizado um ataque contra uma força de infantaria israelense durante uma incursão militar em Al-Dhahiriya, ao sul de Al-Khalil (Hebron), na Cisjordânia ocupada. O Hamas saudou a ação e afirmou que ela integra a resposta palestina ao genocídio em Gaza e às operações militares israelenses nos territórios palestinos ocupados. O episódio ocorreu enquanto forças israelenses ampliavam incursões e detenções em diversas cidades, vilas e campos de refugiados da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental ocupada. Abu Hamza, porta-voz das Brigadas al-Quds | Foto: Mustafa Hassona/Anadolu Agency via Getty Images As Brigadas Al-Quds, braço armado do Movimento Jihad Islâmica Palestina, divulgaram comunicado no domingo informando que seus combatentes abriram fogo contra uma unidade de infantaria israelense que participava de uma incursão em Al-Dhahiriya. Segundo o grupo, os combatentes dispararam uma "forte saraivada de tiros diretos" contra a força de ocupação, causando baixas entre os militares israelenses. A operação ocorreu durante uma nova rodada de ações militares israelenses na Cisjordânia ocupada. Nas últimas semanas, tropas israelenses intensificaram incursões em áreas urbanas palestinas, acompanhadas por operações de detenção, buscas domiciliares e mobilização de unidades militares em diferentes províncias do território ocupado. Em comunicado divulgado após o ataque, o Hamas afirmou que a operação demonstra a continuidade das ações de resistência palestina diante da expansão das operações militares israelenses. O movimento elogiou os combatentes envolvidos na ação e também aqueles que enfrentam as incursões israelenses em cidades, vilas e campos de refugiados palestinos. O Hamas declarou que a operação integra uma resposta mais ampla às ações militares israelenses em Gaza, na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental ocupada. O movimento também convocou os palestinos da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental a ampliarem diferentes formas de resistência contra as forças de ocupação israelenses. A ação em Al-Dhahiriya ocorreu em um contexto marcado pelo aumento de confrontos armados, ataques a tiros, atropelamentos e ataques com faca contra soldados israelenses na Cisjordânia ocupada. Organizações palestinas afirmam que essas operações surgem em resposta às incursões militares, detenções e expansão dos assentamentos israelenses em território palestino ocupado. Enquanto o ataque era reivindicado pelas Brigadas Al-Quds, forças israelenses realizavam novas operações de incursão e prisão em diferentes localidades da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental ocupada. Fontes locais relataram a detenção de diversos palestinos durante operações conduzidas ao longo da noite e da madrugada. Na área de Dahiyat Al-Salam, localizada em Anata, a leste de Jerusalém Oriental ocupada, tropas israelenses detiveram um palestino e seus quatro filhos durante uma operação de busca. Outros dois jovens palestinos também foram presos após revistas realizadas na região. Na província de Jenin, militares israelenses detiveram uma mulher palestina e seu filho durante uma incursão ao Bairro Alemão. Unidades militares também entraram na aldeia de Siris, situada ao sul da cidade, como parte das operações conduzidas na província. Em Jericó, forças israelenses prenderam o ex-detento Loay al-Najjar após invadirem e revistarem a residência de sua família no campo de refugiados de Aqabat Jaber. Outra detenção foi registrada no campo de refugiados de Al-Jalazone, ao norte de Ramallah, onde um jovem palestino foi levado pelas tropas israelenses. Moradores de Al-Dhahiriya relataram que a incursão militar israelense na cidade foi acompanhada pelo uso de munição real, gás lacrimogêneo e substâncias descritas por fontes locais como gás tóxico. Os residentes também informaram que soldados israelenses realizaram buscas em residências e promoveram saques durante a operação. O ataque reivindicado pelas Brigadas Al-Quds ocorreu durante essa mesma incursão militar israelense na cidade.

  • CICV: Milhares de palestinos soterrados sob os escombros de Gaza podem nunca ser identificados

    Trabalhadores de resgate e familiares de desaparecidos continuam procurando restos mortais sob os escombros acumulados pelo genocídio israelense em Gaza, enquanto o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) alerta que milhares de vítimas podem jamais ser identificadas. Autoridades de saúde do enclave estimam que pelo menos 10 mil pessoas permanecem soterradas, número que alguns especialistas elevam para até 14 mil. A deterioração dos corpos, associada aos obstáculos impostos à recuperação dos restos mortais, ameaça privar milhares de famílias do direito de conhecer o destino de seus parentes. Destruição em Gaza | Foto: mahmoudhamda Em relatório citado pelo jornal britânico The Guardian em 14 de junho de 2026, o CICV informou que os trabalhos de busca e recuperação seguem em ritmo reduzido, apesar do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos que entrou em vigor em outubro de 2025. Segundo a organização, o avanço do tempo reduz as possibilidades de identificação das vítimas, uma vez que a decomposição dos restos mortais compromete evidências utilizadas em exames forenses. Pat Griffiths, porta-voz do CICV em Jerusalém Oriental ocupada, afirmou que a situação se agrava a cada dia de atraso. “Não há dúvida de que esses corpos poderão em breve se tornar difíceis de identificar”, declarou. Segundo ele, quanto mais tempo os restos mortais permanecerem sob os escombros, maior será a probabilidade de serem encontrados em estágios avançados de decomposição ou já reduzidos a esqueletos. Griffiths acrescentou que o prolongamento das operações também reduz a disponibilidade de elementos capazes de confirmar a identidade das vítimas. “Os peritos forenses perdem o acesso a provas circunstanciais que podem ser usadas para corroborar a identidade das vítimas”, disse. Após mais de dois anos e meio de genocídio, os palestinos iniciaram a tarefa de vasculhar aproximadamente 61 milhões de toneladas de escombros espalhados por Gaza. A destruição acumulada durante a campanha militar israelense atingiu áreas residenciais, hospitais, escolas, edifícios públicos e redes de infraestrutura civil, transformando extensas regiões do enclave em campos de ruínas. De acordo com autoridades de saúde de Gaza, pelo menos 10 mil pessoas permanecem desaparecidas sob os destroços. Algumas avaliações apresentadas por especialistas apontam que o total pode alcançar 14 mil vítimas ainda não recuperadas. A dimensão da tarefa impõe dificuldades operacionais e amplia os riscos de perda definitiva de evidências que poderiam permitir a identificação dos mortos. O The Guardian relatou que as equipes de resgate vêm trabalhando com recursos limitados. Grande parte das operações depende do uso de pás, picaretas, ancinhos, enxadas, carrinhos de mão e do trabalho manual dos próprios socorristas. A ausência de maquinário pesado reduz a velocidade das buscas em áreas onde edifícios inteiros colapsaram sobre seus ocupantes. Segundo o CICV, pedidos repetidos para permitir a entrada de escavadeiras e outros equipamentos necessários às operações de recuperação não receberam autorização. A organização afirma que a falta dessas máquinas impede a ampliação das buscas e prolonga a permanência dos corpos sob os escombros. “As equipes de busca e resgate precisam ter acesso a todos os locais onde se acredita que estejam encontrados restos mortais”, afirmou Griffiths. Ele acrescentou que equipamentos essenciais continuam sem acesso ao território palestino. “Sabemos que grande parte dessas máquinas e equipamentos continua sendo praticamente impossível de levar para Gaza neste momento. E permanece nosso apelo, e parte do nosso diálogo direto em andamento com as autoridades competentes, para que permitam a entrada desses itens e equipamentos em Gaza.” Autoridades israelenses consultadas pelo The Guardian informaram que não existe autorização para a entrada em Gaza de equipamentos destinados à recuperação de corpos. A restrição mantém limitadas as capacidades das equipes encarregadas de localizar desaparecidos e recuperar restos mortais. O CICV alertou que os atrasos afetam não apenas a recuperação dos corpos, mas também as possibilidades futuras de identificação. Segundo a organização, fatores ambientais, deslocamentos provocados por desabamentos adicionais e a perda de objetos pessoais podem eliminar elementos utilizados por especialistas para estabelecer a identidade das vítimas. “Nós vemos a dimensão da tarefa e vemos o que está em jogo. Milhares de famílias ainda buscam respostas dessa maneira. É isso que está em jogo: o direito delas de saber o destino daqueles que amam”, declarou Griffiths. Os ataques de Tel Aviv contra Gaza continuaram mesmo após a entrada em vigor do cessar-fogo de outubro de 2025. O acordo tinha como objetivo encerrar o genocídio iniciado em outubro de 2023, que, segundo autoridades de Gaza, resultou na morte de cerca de 73 mil palestinos e deixou mais de 173 mil feridos, além de destruir ou danificar aproximadamente 90% da infraestrutura civil do enclave palestino.

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