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- Cuba alerta para uma “catástrofe humanitária” causada pela agressão dos EUA
Cuba denunciou no Conselho de Segurança da ONU que o endurecimento das sanções estadunidenses pode provocar uma “catástrofe humanitária” na ilha. O chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla afirmou em Nova York, em 27 de maio de 2026, que o bloqueio energético imposto por Washington equivale a um “ato de guerra e genocídio”. A declaração ocorreu após meses de escalada das medidas adotadas pelo governo do presidente estadunidense Donald Trump contra Havana. O chanceler cubano. Bruno Rodríguez. Foto: Félix San Nicolás/Ministério das Relações Exteriores de Cuba Durante discurso no Conselho de Segurança das Nações Unidas, Bruno Rodríguez afirmou que o bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos contra Cuba produz efeitos equivalentes aos de um bloqueio naval. Segundo ele, a política aplicada por Washington submete a população cubana a condições que ameaçam “sua integridade e existência” e configura “punição coletiva”. “O embargo de petróleo ou energia que os Estados Unidos impõem a Cuba equivale, em seus efeitos, a um bloqueio naval, que é um ato de guerra e genocídio que submete a população cubana a condições que ameaçam sua integridade e existência e constitui uma ‘punição coletiva’ cruel e indiscriminada que hoje causa mortes”, declarou o chanceler cubano. Bruno Rodríguez apresentou indicadores sociais para sustentar a denúncia. Segundo ele, a taxa de mortalidade infantil em Cuba passou de 4 para 9,2 mortes por mil nascidos vivos, enquanto a taxa de sobrevivência de crianças com câncer caiu de 85% para 65%. O chanceler vinculou esses dados ao endurecimento das restrições financeiras, energéticas e comerciais impostas por Washington. O ministro acusou setores políticos estadunidenses de utilizarem acusações sobre suposta corrupção e incompetência do governo cubano para preparar apoio internacional a uma intervenção estrangeira. “Uma plutocracia corrupta e imoral utiliza a lenda da incompetência e da alegada corrupção” como justificativa para uma ação externa, afirmou. Rodríguez declarou que a política estadunidense contra Cuba entrou em uma etapa de “agressão unilateral sem precedentes”. Segundo ele, Washington tenta obrigar outros países a aderirem ao bloqueio por meio de ameaças de sanções secundárias contra governos e empresas que mantenham relações comerciais com Havana. O chanceler cubano apelou à comunidade internacional para impedir o agravamento da situação. “Exijo que a comunidade internacional se mobilize para impedir uma catástrofe humanitária que poderia ser imposta, seja por meio de armas, seja por meio de bloqueios energéticos e do endurecimento extremo do bloqueio, que também matam e causam sofrimento”, afirmou perante os representantes do Conselho de Segurança. Bruno Rodríguez também pediu que países da América Latina e do Caribe atuem para preservar a região como “Zona de Paz”. Segundo ele, uma agressão militar estadunidense contra Cuba teria impacto regional e abriria um novo ciclo de instabilidade política no Caribe. Ao abordar acusações formuladas por Washington contra Raúl Castro, o chanceler afirmou que os Estados Unidos ocupam posição de violação do direito internacional em relação a Cuba. Ele declarou que as acusações apresentadas por autoridades estadunidenses possuem motivação política e buscam fabricar apoio para uma operação de mudança de regime. “É uma decisão politicamente motivada, fraudulenta e dirigida a enganar cidadãos estadunidenses e estrangeiros, 30 anos depois dos acontecimentos, com o propósito de que apoiem uma aventura militar contra Cuba para conseguir uma ‘mudança de regime’ ou uma ‘construção de nação’, como chamam eufemisticamente agora”, afirmou. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel também alertou para as consequências de uma possível agressão militar contra a ilha. Segundo declarações reproduzidas pela HispanTV, Díaz-Canel afirmou que uma operação militar provocaria “um banho de sangue” e resultaria na morte de “milhares de cubanos” dispostos a defender o país. “Uma agressão militar provocaria um banho de sangue”, declarou o presidente cubano. Ele acrescentou que jovens estadunidenses seriam enviados ao combate “sem causa nem ideal para defender”, arrastados por uma política “imperialista, neofascista; de dominação, saqueio e conquista”. Rodríguez afirmou que Washington passou mais de seis décadas tentando justificar políticas hostis contra Cuba com acusações que classificou como falsas. Segundo ele, os Estados Unidos insistem em apresentar a ilha como ameaça à segurança nacional da principal potência militar do planeta, apesar da ausência de evidências concretas. “Como reiterou o presidente Miguel Díaz-Canel, Cuba não é nem pode ser uma ameaça. Não é inimiga dos Estados Unidos nem quer sê-lo, apesar de diferenças com seu governo. Cuba possui vínculos profundos e fraternos com o povo e a cultura estadunidense”, afirmou o chanceler. A HispanTV informou que, desde janeiro de 2026, o governo do presidente estadunidense Donald Trump acumulou mais de 240 sanções contra Cuba e ampliou medidas financeiras, energéticas e comerciais contra a ilha. A Casa Branca sustenta que Cuba representa ameaça à segurança nacional estadunidense. Havana acusa Washington de utilizar sanções econômicas para provocar fome, colapso econômico e instabilidade social. O governo cubano classifica as medidas como política genocida dirigida contra a população da ilha. Segundo a HispanTV, Donald Trump assinou em 1º de maio uma ordem executiva para intensificar as sanções contra Cuba. A emissora também informou que o presidente estadunidense ameaçou “assumir o controle de Cuba” após o encerramento das operações militares envolvendo os Estados Unidos e o Irã.
- China compartilha com África inovações agrícolas e projetos educacionais
China e países africanos ampliaram projetos conjuntos em agricultura, telecomunicações e formação técnica, segundo reportagem publicada em 26 de maio pela CGTN, parceira da TV BRICS. A cooperação ocorre no ano em que Pequim e governos africanos marcam 70 anos de relações diplomáticas, em meio à disputa geopolítica entre potências pelo controle de infraestrutura, tecnologia e cadeias produtivas no Sul Global. Dados apresentados pela CGTN mostram expansão de programas chineses em Burundi, Uganda, Moçambique, Madagascar, Mauritânia, Quênia, Eritreia e Lesoto. Plantio de novas sementes para cooperação agrícola China-África ©Xinhua A cooperação sino-africana passou a incorporar projetos de agricultura mecanizada, inteligência artificial, telecomunicações e capacitação técnica em países historicamente submetidos a programas de endividamento e condicionalidades impostas por instituições financeiras controladas por potências europeias e pelo eixo estadunidense. A CGTN informou que a China intensificou o envio de especialistas agrícolas e técnicos ao continente africano desde 2024, articulando ações ligadas à produção de alimentos, conectividade digital e formação profissional. Entre os projetos apresentados está a implementação de variedades de arroz perene em Burundi, Uganda, Moçambique e Madagascar. O sistema permite múltiplas colheitas após um único plantio, reduzindo custos de replantio e demanda por mão de obra agrícola. No Burundi, uma equipe técnica chinesa instalou em 2024 uma base experimental onde, segundo dados divulgados pela CGTN, a produtividade da primeira safra alcançou o dobro do rendimento registrado em variedades locais utilizadas anteriormente. A cooperação agrícola também inclui projetos ligados ao combate à desertificação e ao desenvolvimento pecuário. Na Mauritânia, especialistas chineses introduziram espécies de junco e alfafa em áreas arenosas dentro de um programa iniciado em 2017. O junco, descrito como uma erva híbrida utilizada na produção de fungos e recuperação de solos, passou a integrar programas agrícolas voltados à adaptação de regiões submetidas à degradação ambiental e à escassez hídrica. Segundo a CGTN, mais de 200 especialistas agrícolas chineses foram enviados desde 2024 para países africanos, entre eles Madagascar, Eritreia e Burundi. O avanço dessa cooperação ocorre em paralelo ao fortalecimento de mecanismos multilaterais articulados por China, Rússia e países do BRICS, em contraposição à estrutura internacional moldada pelas potências da OTAN desde o fim da Guerra Fria. No setor digital, a China financiou e executou projetos de telecomunicações em regiões rurais africanas. Em Madagascar, empresas chinesas participaram da construção de 73 estações-base de telecomunicações capazes de cobrir mais de 2,3 mil quilômetros quadrados e atender cerca de 165 mil pessoas. A infraestrutura passou a permitir acesso a pagamentos digitais, comércio eletrônico e serviços de comunicação em áreas antes excluídas da rede de conectividade. No Quênia, instituições chinesas e organizações locais criaram a chamada “Oficina de Luban”, programa voltado à formação técnica em computação em nuvem, cibersegurança e inteligência artificial. O centro oferece certificações em transmissão de dados e IA para estudantes quenianos, inserindo mão de obra local em setores ligados à economia digital. De acordo com relatório do governo chinês publicado em 2024 e citado pela CGTN, empresas chinesas participaram da construção ou modernização de cerca de 150 mil quilômetros de redes de comunicação em países africanos. O dado expõe a escala da presença chinesa em infraestrutura estratégica no continente, setor historicamente dominado por conglomerados europeus e estadunidenses desde o período colonial. Em Lesoto, um projeto de desvio hídrico executado com apoio chinês gerou cerca de 1,8 mil empregos locais e incluiu treinamento de trabalhadores em construção civil e eletricidade. A iniciativa integrou programas voltados à expansão de infraestrutura hídrica e energética em regiões submetidas a déficits estruturais herdados de décadas de dependência econômica e exportação de matérias-primas. O colunista tanzaniano George Mtui afirmou que a parceria entre China e países africanos contribui para reduzir déficits de infraestrutura e ampliar capacidades industriais locais. Segundo ele, governos africanos passaram a tratar transferência tecnológica e formação técnica como elementos centrais de programas nacionais de modernização econômica. A reportagem foi publicada pela CGTN e reproduzida pela TV BRICS em 26 de maio de 2026, dentro da cobertura dedicada às iniciativas de cooperação econômica, tecnológica e educacional entre países do BRICS e parceiros do Sul Global.
- Brasil conecta mais de 100 mil escolas à internet gratuita
O governo brasileiro informou em 26 de maio que 100,72 mil escolas públicas já receberam acesso gratuito à internet por meio de um programa coordenado pelos ministérios da Educação e das Comunicações. A iniciativa pretende alcançar todas as 138 mil escolas públicas do país até dezembro de 2026, segundo dados divulgados pela Agência Brasil e pela TV BRICS. O avanço ocorre em meio à disputa global pelo controle das infraestruturas digitais, setor dominado por conglomerados tecnológicos sediados em potências centrais do capitalismo internacional. Meta do governo é conectar todas as 138 mil escolas públicas de educação básica até o fim de 2026 (Lúcio Bernardo Jr. / Agência Brasília) Os dados apresentados pelo governo federal mostram crescimento contínuo da conectividade nas escolas públicas desde 2023. Naquele ano, 45,4% das unidades de ensino possuíam acesso considerado adequado à internet. Em dezembro de 2024, o índice passou para 57,3%. No final de 2025, atingiu 69,7%, chegando a 72,9% em abril de 2026. O programa envolve articulação entre governo federal, estados e municípios para instalação de infraestrutura digital, redes Wi-Fi e ampliação do acesso a plataformas de ensino. A medida busca integrar escolas públicas à estrutura tecnológica utilizada em atividades pedagógicas, formação de professores e acesso a conteúdos digitais. O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, atribuiu os resultados à modernização da infraestrutura iniciada em 2023. Segundo ele, “ter mais de 100 mil escolas com acesso gratuito à internet é uma realidade pela qual o governo trabalhou intensamente”. O ministro declarou ainda que a ampliação da conectividade cria possibilidades de aprendizagem e inserção profissional para estudantes da rede pública. O Ministério da Educação afirmou que o programa também prevê instalação de redes estáveis dentro das salas de aula. A proposta inclui acesso a aulas online, ferramentas digitais e plataformas pedagógicas utilizadas em processos de ensino remoto e híbrido. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, declarou que o projeto busca garantir igualdade de acesso entre estudantes da rede pública em diferentes regiões do país. O governo federal relaciona a expansão da conectividade à redução das desigualdades educacionais acumuladas por décadas de concentração de investimentos em áreas urbanas e regiões de maior renda. A política de inclusão digital nas escolas ocorre em um cenário de disputa internacional por soberania tecnológica. Países do BRICS passaram a ampliar mecanismos próprios de cooperação em ciência, tecnologia e infraestrutura digital diante da concentração do mercado global em empresas ligadas ao eixo estadunidense e europeu. O tema ganhou espaço nas agendas do BRICS desde o avanço das plataformas digitais privadas sobre sistemas educacionais nacionais durante a pandemia de covid-19. A TV BRICS informou que iniciativas semelhantes vêm sendo debatidas entre países do bloco. Em 25 de maio, Brasil e países africanos discutiram cooperação em educação superior durante evento realizado em Brasília. Em 20 de maio, Irã e Malásia anunciaram ampliação da cooperação em ciência e ensino superior. Em 6 de maio, a Índia lançou um programa para capacitar 15 mil profissionais da indústria criativa em inteligência artificial. A diretora-geral da TV BRICS, Janna Tolstikova, afirmou que a rede construiu “um sistema internacional de cooperação com universidades” para difundir pesquisas científicas e iniciativas educacionais dos países do BRICS+. Segundo ela, a cooperação busca ampliar a circulação de conhecimento fora dos circuitos controlados pelos conglomerados midiáticos do Norte Global. A discussão sobre infraestrutura digital ganhou peso dentro do BRICS após os países do grupo ampliarem projetos de integração tecnológica e financeira. A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma Rousseff, declarou que o banco precisa ampliar mecanismos próprios de sustentação financeira e fortalecer operações em moedas nacionais. A política busca reduzir dependência de estruturas financeiras controladas por instituições ligadas ao dólar estadunidense. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou que Moscou e Pequim atuam “em defesa do direito internacional e das disposições da Carta da ONU” por meio do BRICS e da Organização para Cooperação de Xangai. O presidente da China, Xi Jinping, afirmou que Rússia e China trabalham para tornar “o sistema global de governança mais justo e razoável”. No campo tecnológico, o primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin afirmou que o mercado de inteligência artificial na Rússia cresce em ritmo superior ao restante do setor de tecnologia da informação. Segundo ele, mais da metade das empresas russas já participa da adoção dessas tecnologias, embora parte delas ainda esteja fora da fase de uso industrial. O programa brasileiro de conectividade escolar surge em um período de ampliação da disputa global por dados, infraestrutura de rede e soberania digital. Países periféricos passaram a enfrentar dependência tecnológica construída ao longo de décadas por empresas transnacionais que controlam serviços de nuvem, plataformas de comunicação, softwares educacionais e sistemas de armazenamento de dados.
- A desinformação e o ódio que as elites alimentam contra o Bolsa Família
Declarações do apresentador Luciano Huck contra o Bolsa Família reacenderam a ofensiva de setores empresariais e midiáticos contra políticas de transferência de renda no Brasil. Dados da Fundação Getulio Vargas, da Fiocruz, do IBGE e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura contradizem as afirmações de que o programa “estimula dependência”. A polêmica ganhou força após Huck afirmar, em evento empresarial no Guarujá, em 24 de maio, que famílias “criam atalhos” para permanecer no programa “ad aeternum”. Entre janeiro de 2023 e outubro de 2025, a média mensal de famílias que deixaram o programa foi de 447 mil A declaração foi feita durante o 5º Fórum Esfera, realizado no litoral de São Paulo, diante de empresários e representantes do mercado financeiro. O apresentador afirmou que o Bolsa Família “não gera nenhum tipo de estímulo para as famílias quererem sair” e declarou que beneficiários encontrariam meios para continuar recebendo o auxílio de forma permanente. Após a repercussão negativa nas redes sociais, Huck alegou que a fala foi retirada de contexto e afirmou não ser contrário a programas sociais. Os números oficiais apresentados por instituições públicas e centros de pesquisa desmontam a narrativa repetida por parte da elite econômica brasileira desde a criação do programa em 2003, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Estudo da Fundação Getulio Vargas e do Ministério do Desenvolvimento Social mostrou que, em dez anos, 60,7% dos beneficiários deixaram o Bolsa Família. Entre jovens de 15 a 17 anos, a taxa chegou a 71,25%. Outro levantamento da FGV, intitulado “Filhos do Bolsa Família”, registrou que cerca de 31,25% dos beneficiários observados no início de 2023 já haviam deixado o programa até outubro de 2025. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, o índice de saída atingiu 42,59% no mesmo período. O estudo também mostrou que, entre janeiro de 2023 e outubro de 2025, a média mensal de famílias que deixaram o programa foi de 447 mil, enquanto a entrada média ficou em 359 mil famílias. Os dados apresentados pela pesquisa indicam relação entre permanência escolar, emprego formal e saída do programa. Em áreas urbanas, 67% dos jovens entre 6 e 17 anos deixaram o Bolsa Família, contra 55% nas zonas rurais. Entre famílias cuja pessoa de referência possuía emprego com carteira assinada, a taxa de saída chegou a 79,4%. Nos lares com trabalhadores sem carteira, o índice caiu para 57,51%. Entre trabalhadores por conta própria, ficou em 65,54%. A Fiocruz informou que o programa evitou mais de 700 mil mortes e oito milhões de internações em duas décadas. O levantamento destacou impactos entre crianças menores de cinco anos e idosos. Outro dado apresentado pela Agência Brasil, com base em estudo do IBGE divulgado em 2025, mostrou que mais de oito milhões de brasileiros deixaram a linha da pobreza em 2024. A taxa nacional de pobreza caiu para 23,1%, o menor índice desde 2012. O estudo “Mulheres no centro da redução da insegurança alimentar no Brasil”, da FGV, apontou redução maior da fome em famílias chefiadas por mulheres beneficiárias do Bolsa Família entre 2023 e 2024. A política de transferência de renda também apresentou impacto sobre mortalidade infantil, frequência escolar feminina e desigualdade regional. Levantamento citado pela BBC News Brasil mostrou que, entre 2003 e 2021, o programa retirou 3,4 milhões de pessoas da pobreza extrema. O estudo registrou redução de 16% na mortalidade infantil e apontou efeito multiplicador sobre a economia nacional: cada R$ 1 investido gerou R$ 1,78 no Produto Interno Bruto brasileiro. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura apontou o Bolsa Família como uma das políticas públicas utilizadas pelo Brasil para sair do Mapa da Fome. O país deixou o indicador em dois períodos ligados aos governos petistas. Em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, o representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, declarou que o combate à fome “exige coerência nas políticas públicas, participação social ativa e vontade política” e definiu a saída do Mapa da Fome como “a reafirmação de um pacto nacional baseado em direitos”. A repercussão das declarações de Huck gerou aumento das menções ao Bolsa Família e ao apresentador nas redes sociais. Pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados mostrou crescimento de 2.786% nas menções ao nome de Huck entre 23 e 24 de maio nas plataformas X, Facebook e Instagram. As referências ao Bolsa Família cresceram 2.084% no mesmo período. O discurso contra programas de transferência de renda aparece de forma recorrente entre empresários, figuras televisivas e representantes da direita brasileira desde o início dos anos 2000. O empresário Luciano Hang já atacou o programa em diversas ocasiões. Jair Bolsonaro declarou em entrevista à RedeTV!, em 28 de outubro de 2021, que beneficiários do Bolsa Família “não sabem fazer quase nada”. As campanhas contra o programa também se articulam por meio de desinformação digital. Entre as notícias falsas disseminadas nos últimos anos apareceram mensagens sobre pagamento do benefício para “bebê reborn”, criação de falso 13º salário, cobrança de taxas para atualização cadastral e ameaças de bloqueio por mudança de endereço. As mensagens circularam em aplicativos de mensagens e redes sociais. A jornalista e pesquisadora Eliara Santana, autora do texto publicado pelo Partido dos Trabalhadores em 25 de maio, relacionou os ataques ao Bolsa Família à reação de setores da elite contra políticas de redução da desigualdade social. Santana afirmou que o programa garante “dignidade humana” ao permitir acesso a alimentação, autonomia financeira e redução da submissão a condições degradantes de trabalho. O texto também associou a ofensiva contra o Bolsa Família à tolerância de parte do empresariado e do setor midiático diante da expansão das plataformas de apostas digitais. Huck atua em campanhas publicitárias ligadas ao setor de apostas esportivas, mercado que movimenta bilhões de reais no Brasil e passou a ser alvo de investigações e debates no Congresso Nacional por impacto financeiro sobre famílias endividadas.
- PF expõe “vínculo pessoal estreito” entre bolsonarista Cláudio Castro e Vorcaro
A Polícia Federal apontou “vínculo pessoal estreito” entre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro durante investigação sobre aportes de mais de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master. A 8ª fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em 26 de maio de 2026 por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, com mandados no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A investigação da PF sustenta que encontros entre Castro e Vorcaro ocorreram em paralelo às liberações de recursos públicos do fundo previdenciário estadual, apesar de alertas técnicos e manifestações de órgãos de controle. Cláudio Castro ©ARQUIVO A operação cumpriu 10 mandados de busca e apreensão contra Cláudio Castro, integrantes e ex-integrantes do Rioprevidência e pessoas ligadas ao processo de liberação dos investimentos. A decisão assinada por André Mendonça descreve “alterações deliberadas nos procedimentos internos, credenciamentos meramente formais, ausência de análises técnicas, concentração excessiva de risco e uso de intermediários para elevação de comissões e ocultação do pagamento de vantagens indevidas”. Segundo o relatório da Polícia Federal, a relação entre Castro e Vorcaro ultrapassava contatos institucionais. O documento afirma que o ex-governador mantinha “vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do Rioprevidência”. A investigação deriva da Operação Barco de Papel, que já havia identificado aplicações de R$ 970 milhões do Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master entre outubro de 2023 e julho de 2024. A PF apura a condução política dos investimentos e a liberação de recursos mesmo diante de pareceres técnicos contrários emitidos dentro da estrutura administrativa estadual. O Rioprevidência administra recursos previdenciários de servidores públicos do estado do Rio de Janeiro. A suspeita da PF é de que esses recursos tenham sido direcionados para operações de interesse do Banco Master em condições consideradas incompatíveis com os mecanismos de proteção financeira exigidos para fundos públicos. O caso ampliou o desgaste do núcleo bolsonarista fluminense. Cláudio Castro chegou ao governo estadual após o afastamento de Wilson Witzel em maio de 2021, durante processo de impeachment relacionado a suspeitas de corrupção em contratos da saúde na pandemia de covid-19. Em 2022, Castro venceu a eleição ao Palácio Guanabara com apoio da família Bolsonaro e obteve mais de 58% dos votos válidos. Em março de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral declarou Cláudio Castro inelegível por oito anos por abuso de poder econômico e político. Por cinco votos a dois, o TSE entendeu que houve uso da Fundação Ceperj e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro para financiar cabos eleitorais e ampliar apoio político durante a disputa estadual. Castro renunciou antes da conclusão do julgamento que poderia resultar em cassação formal do mandato. A ofensiva da PF também atinge o entorno político de Jair Bolsonaro e de seu filho Flávio Bolsonaro. Reportagem do Intercept Brasil divulgou áudios em que o senador Flávio Bolsonaro solicita R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. A defesa pública de Flávio Bolsonaro sustentou que os recursos envolvidos eram privados. O avanço das investigações sobre o uso de dinheiro do Rioprevidência no Banco Master passou a confrontar essa narrativa. Em coluna publicada em 26 de maio de 2026 na GloboNews, o jornalista Otávio Guedes afirmou que a cronologia dos fatos desmonta a alegação de desconhecimento feita pelo senador. “A investigação não relaciona os fatos, mas a cronologia desmonta a versão de Flávio de que ele desconhecia haver dinheiro público no escândalo do Master, já que, entre os entes federativos, o governo do PL do Rio foi quem mais deu dinheiro a Vorcaro”, escreveu Guedes. O colunista também apontou que Flávio Bolsonaro declarou ter conhecido Daniel Vorcaro apenas em dezembro de 2024. Segundo Guedes, dois meses antes, em 14 de outubro de 2024, a conselheira do Tribunal de Contas do Estado Mariana Montebello já havia informado Cláudio Castro sobre suspeitas de irregularidades envolvendo os investimentos do Rioprevidência. Onze dias antes da Operação Compliance Zero, Cláudio Castro também foi alvo da Operação Sem Refino. Essa investigação apura suspeitas de fraudes fiscais, evasão de recursos públicos e favorecimento ao Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, apontada como uma das maiores devedoras de impostos do país. A sequência de operações aprofundou a crise dentro do PL fluminense. Integrantes da direção partidária passaram a considerar inviável a candidatura de Cláudio Castro ao Senado após o avanço das investigações da Polícia Federal e a exposição da relação entre o ex-governador e Daniel Vorcaro. A investigação ocorre em meio ao aprofundamento da relação entre setores financeiros privados e grupos políticos da extrema direita brasileira, marcada pela circulação de recursos públicos por mecanismos de investimento ligados a interesses empresariais e eleitorais. Os relatórios da Polícia Federal apontam que os investimentos do Rioprevidência foram executados em paralelo a encontros políticos e relações pessoais entre autoridades estaduais e operadores do Banco Master.
- Maria Zakharova: "A multipolaridade do mundo já é uma realidade evidente"
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou em entrevista à TV BRICS publicada em 27 de maio que a multipolaridade “já é uma realidade evidente” diante do desgaste da ordem internacional dominada por potências ocidentais desde o fim da Guerra Fria. A diplomata russa declarou que estruturas como BRICS, Organização para Cooperação de Xangai e União Econômica Eurasiática surgiram como resposta ao controle político, financeiro e tecnológico exercido por antigos centros coloniais sobre países do Sul Global. Zakharova também acusou governos ocidentais de utilizarem o dólar, plataformas digitais e instituições financeiras internacionais como instrumentos de pressão política e econômica contra Estados que rejeitam alinhamento automático aos interesses euro-atlânticos. Maria Zakharova ©REUTERS A entrevista foi concedida à TV BRICS em meio ao avanço de iniciativas conduzidas por países do bloco para ampliar pagamentos em moedas nacionais, criar sistemas próprios de compensação financeira e coordenar políticas de segurança digital fora da estrutura dominada pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Zakharova afirmou que o modelo unipolar sustentado pelas potências ocidentais perdeu legitimidade diante da maioria da população mundial. Segundo ela, a tentativa de manter um centro único de decisão internacional contradiz os interesses de países da Ásia, África, América Latina e Oriente Médio. “Mesmo que essa abordagem agrade a alguns, é preciso entender que ela contradiz a visão da maioria global, ou seja, da maioria absoluta das pessoas no planeta”, declarou. A representante do governo russo afirmou que nenhum país possui direito de reorganizar outras nações conforme seus interesses políticos e econômicos. Ela associou a política externa das antigas metrópoles coloniais à manutenção de mecanismos de segregação econômica, racial e geopolítica. “Isso se transformou em uma política de nacionalismo extremo e segregação racial e nacional”, disse Zakharova ao comentar a atuação das potências ocidentais após o período colonial formal. Segundo a diplomata, a multipolaridade deixou de ser conceito teórico e passou a existir materialmente por meio de organizações internacionais criadas fora da órbita de Washington e Bruxelas. Ela citou o BRICS, a Organização para Cooperação de Xangai e a União Econômica Eurasiática como estruturas que sobreviveram ao que chamou de “indiferença do Ocidente” e às pressões posteriores exercidas contra esses blocos. Zakharova afirmou que os países integrantes dessas organizações buscam preservar soberania econômica, independência política e autonomia civilizacional. A diplomata declarou ainda que a Carta da Organização das Nações Unidas deve servir de base para a reorganização da ordem internacional. Ao abordar diplomacia cultural, Zakharova acusou governos europeus de promover campanhas de apagamento cultural contra artistas e escritores russos após o agravamento das tensões entre Rússia e OTAN. Ela citou episódios envolvendo destruição de monumentos, retirada de obras de compositores russos de programações culturais e ataques contra símbolos ligados à cultura russa. “Se alguém acredita que é preciso proibir a execução de obras de Shostakovitch, Rachmaninoff ou Glinka, por exemplo, tudo isso demonstra uma ausência absoluta de cultura”, afirmou. A diplomata associou essas ações ao que classificou como “neobarbarismo”, comparando a perseguição cultural à lógica de segregação racial e nacional utilizada historicamente por regimes coloniais e movimentos neonazistas. Zakharova também comentou os esforços conduzidos pelo BRICS para reduzir dependência do dólar em operações comerciais e financeiras. Segundo ela, a moeda estadunidense deixou de funcionar apenas como instrumento de pagamentos internacionais e passou a operar como mecanismo de coerção política. “O dólar surgiu como uma moeda que deveria ajudar o mundo a realizar pagamentos. Depois, acabou se tornando um instrumento nas mãos daqueles que já não conseguiam manter um nível competitivo”, declarou. A representante do Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que instituições financeiras internacionais passaram a ser utilizadas como ferramentas de pressão econômica contra países em desenvolvimento. Segundo ela, as discussões realizadas nas cúpulas do BRICS em Kazan, em 2024, e no Rio de Janeiro, em 2025, consolidaram propostas para criação de sistemas de pagamentos transfronteiriços e mecanismos conjuntos de compensação financeira. As declarações de Zakharova ocorreram no mesmo contexto em que a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma Rousseff, ampliou a defesa de emissões financeiras em moedas locais dentro do BRICS. Em declaração reproduzida pela TV BRICS, Dilma afirmou que o banco já realizou emissões em rands sul-africanos e prepara operações em rúpias indianas. “Emitir em moeda local é uma questão crucial. Nós temos que fazer disso um dos nossos objetivos”, declarou Dilma Rousseff. O debate sobre independência financeira ganhou força após o uso de sanções econômicas pelos Estados Unidos e pela União Europeia contra Rússia, Irã, Venezuela e outros países submetidos a bloqueios financeiros, congelamento de reservas internacionais e restrições ao sistema SWIFT. Zakharova também afirmou que a digitalização global ampliou formas de dependência tecnológica sobre países periféricos. Segundo ela, softwares, plataformas digitais e equipamentos produzidos por conglomerados ocidentais passaram a operar como instrumentos de coleta de dados e vigilância internacional. “Ao receber equipamentos e programas de TI ocidentais e ao se integrar rapidamente ao ambiente digital, esses países perceberam que obtêm não só benefícios, mas também uma vulnerabilidade absoluta”, declarou. A diplomata afirmou que os países do BRICS trabalham desde 2013 em mecanismos conjuntos de segurança digital e resposta a ataques cibernéticos. Segundo ela, em 2024 o bloco criou um registro de pontos de contato para cooperação entre equipes responsáveis por incidentes cibernéticos. Zakharova declarou que o grupo também atua em fóruns multilaterais ligados à inteligência artificial, cibersegurança e crimes digitais dentro da Organização das Nações Unidas e de outras estruturas internacionais. A entrevista ocorreu enquanto o BRICS amplia articulações para consolidar sistemas financeiros, tecnológicos e diplomáticos paralelos aos mecanismos dominados pelas potências ocidentais. O bloco reúne atualmente Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Indonésia, além de países parceiros associados às iniciativas econômicas e políticas coordenadas pelo grupo.
- Janones propõe PEC para impor escala 6×1 a parlamentares, igual à dos trabalhadores que eles negam
O deputado federal André Janones apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição para obrigar deputados e senadores a cumprirem jornada de trabalho em escala 6×1 no Congresso Nacional. A proposta altera o artigo 57 da Constituição Federal e estabelece sessões deliberativas obrigatórias de segunda-feira a sábado, com controle nominal de presença e pontualidade. O texto foi apresentado em 25 de maio de 2026 em meio ao debate nacional sobre a manutenção da escala 6×1 imposta à classe trabalhadora brasileira. Janones ©ARQUIVO A PEC foi protocolada por Janones, deputado da Rede Sustentabilidade de Minas Gerais, e prevê que o Congresso Nacional passe a funcionar sob o mesmo regime aplicado a milhões de trabalhadores submetidos a jornadas de seis dias consecutivos de trabalho para um dia de descanso semanal remunerado. O parlamentar argumenta que a medida busca criar correspondência entre as condições impostas à população trabalhadora e a rotina dos representantes eleitos. O texto altera diretamente a organização das atividades legislativas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Pela proposta, o Congresso deverá realizar sessões deliberativas obrigatórias de segunda-feira a sábado, encerrando a dinâmica atual que concentra votações entre terça e quinta-feira, enquanto os demais dias ficam reservados para atividades parlamentares em bases eleitorais e articulações políticas nos estados. Na justificativa da proposta, Janones afirma que o atual funcionamento do Congresso produz distanciamento entre parlamentares e trabalhadores submetidos à rotina de jornadas extensas, baixos salários e deslocamentos diários. “Se a jornada de seis dias de trabalho semanais é considerada adequada e viável para o cidadão comum”, escreveu o deputado, “ela também deveria ser aplicada à rotina daqueles que legislam”. O parlamentar também criticou o modelo de funcionamento do Legislativo brasileiro, no qual grande parte das votações ocorre em apenas três dias da semana. Segundo Janones, o Congresso “afasta-se visualmente e rotineiramente do ritmo enfrentado pelo trabalhador ordinário” ao concentrar sessões entre terça e quinta-feira sob o argumento de atividades parlamentares nos estados. A PEC determina controle nominal de presença e pontualidade nas sessões deliberativas. As únicas exceções previstas no texto são missões oficiais autorizadas e afastamentos previstos em lei. A proposta também estabelece que Câmara e Senado deverão adaptar seus regimentos internos às novas exigências constitucionais caso a emenda seja aprovada. Ao defender a medida, Janones relacionou a proposta ao debate nacional sobre a escala 6×1, modelo defendido por setores empresariais e mantido como base de funcionamento em segmentos do comércio, serviços e indústria. A discussão ganhou força nos últimos anos diante do aumento da precarização do trabalho, da expansão de contratos informais e da resistência empresarial à redução da jornada semanal sem redução salarial. “Se a produção do país exige seis dias de suor na base da pirâmide social, os formuladores das leis devem liderar pelo exemplo, dedicando idêntica carga horária ao serviço da nação”, declarou o deputado na justificativa da proposta. A iniciativa surge em meio ao desgaste da imagem pública do Congresso Nacional, marcado por críticas relacionadas a salários parlamentares, verbas de gabinete, emendas orçamentárias e baixa presença em sessões legislativas. O debate sobre carga horária parlamentar também ocorre paralelamente às discussões sobre privilégios institucionais mantidos por setores da elite política brasileira desde a redemocratização. A proposta de Janones deverá iniciar tramitação pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados antes de eventual análise em comissão especial e votação em plenário. Para ser aprovada, uma PEC necessita do apoio de três quintos dos deputados e senadores em dois turnos de votação em cada Casa legislativa.
- Jornalista está entre os 11 palestinos detidos na Cisjordânia
As forças de ocupação israelenses prenderam 14 palestinos na Cisjordânia ocupada em 27 de maio, entre eles jornalistas, estudantes e moradores submetidos a invasões militares antes do amanhecer, segundo informações da agência palestina WAFA. As detenções ocorreram em Jerusalém, Jenin, Nablus e Ramallah enquanto soldados israelenses bloquearam o acesso de famílias palestinas ao cemitério de ash-Shuhada e lançaram gás lacrimogêneo contra civis. Os dados divulgados pela organização palestina Addameer indicam que 9.400 palestinos permanecem presos em cadeias israelenses, incluindo 360 crianças e 87 mulheres, em meio à expansão das detenções sem acusação formal durante o genocídio contra a população palestina. Cisjordânia, Palestina ocupada. ©WAFA arquivo A agência WAFA informou que soldados israelenses detiveram Feras Ad-Dibs, jornalista vinculado ao Departamento Islâmico de Waqf, nas proximidades do Portão de Hutta, uma das entradas da Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém ocupada. Uma mulher palestina também foi presa no mesmo local. As forças israelenses entregaram ainda ao jornalista Saif Kwasmi uma ordem proibindo sua entrada no complexo da Mesquita de Al-Aqsa por uma semana. Segundo a WAFA, as autoridades israelenses exigiram que ele comparecesse diante da inteligência israelense para interrogatório. Na cidade de Anata, na província de Jerusalém, soldados israelenses invadiram uma residência, realizaram buscas dentro da casa e prenderam um morador. Em Deir Jarir, na província de Ramallah, outra operação militar terminou com a prisão de um palestino. Na província de Jenin, tropas israelenses invadiram a cidade de Qabatiya com unidades de infantaria, arrombaram casas e prenderam cinco moradores. Em Jenin, um estudante do ensino médio também foi detido durante outra incursão militar. Na província de Nablus, soldados israelenses invadiram as cidades de Tell e Beit Iba. Segundo fontes locais citadas pela WAFA, militares revistaram casas e prenderam quatro palestinos. As detenções ocorreram depois que soldados israelenses impediram famílias palestinas de acessar o cemitério de ash-Shuhada, localizado próximo ao campo de refugiados de Jenin. De acordo com a WAFA, tropas israelenses lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra palestinos que tentavam visitar os túmulos de familiares. As operações militares israelenses na Cisjordânia ocupada ocorrem diariamente sob o argumento de busca por palestinos “procurados”. As invasões incluem entrada em residências sem mandado judicial, detenções durante a madrugada e interrogatórios conduzidos por militares israelenses. Segundo a legislação militar aplicada por Israel na Cisjordânia ocupada, comandantes do exército israelense concentram autoridade executiva, legislativa e judicial sobre cerca de 3 milhões de palestinos submetidos à ocupação militar. A população palestina não possui participação sobre as normas impostas pelas autoridades israelenses. Os dados mais recentes divulgados pela Addameer, Associação Palestina de Apoio aos Prisioneiros e Direitos Humanos, mostram que Israel mantém 9.400 palestinos presos em penitenciárias e centros de detenção. Entre os detidos estão 360 crianças e 87 mulheres. A Addameer informou que aproximadamente 3.376 palestinos estão submetidos ao mecanismo de “detenção administrativa”, procedimento que permite manter presos sem acusação formal ou julgamento por períodos renováveis de três a seis meses. O sistema utiliza provas secretas não acessíveis aos advogados de defesa dos detidos. Segundo relatório publicado pela Addameer em 2017, mais de 800 mil palestinos foram presos ou detidos por Israel ao longo de cinco décadas de ocupação militar. A organização palestina estima que esse número esteja próximo de 1 milhão atualmente. Os dados da entidade indicam que cerca de 40% dos homens e meninos palestinos que vivem sob ocupação israelense já passaram por prisões ou centros de detenção israelenses. A Addameer afirma que praticamente todas as famílias palestinas tiveram ao menos um integrante preso pelas autoridades israelenses. As prisões ocorrem em meio à ampliação das operações israelenses na Cisjordânia e à continuidade do genocídio contra a população palestina iniciado em outubro de 2023. Além das detenções, Israel intensificou demolições de casas palestinas, ataques militares em campos de refugiados e bloqueios de estradas em cidades palestinas ocupadas.
- The Intercept: EUA ocultam números reais de baixas na guerra com o Irã
O Pentágono ocultou parte das baixas registradas entre militares estadunidenses durante a guerra contra o Irã, segundo reportagem publicada em 26 de maio pela revista estadunidense The Intercept. O veículo afirmou que centenas de mortos, feridos e intoxicados ficaram fora das estatísticas oficiais divulgadas pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos após os ataques iranianos realizados durante a operação Promessa Verdadeira 4. Os dados divulgados pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) entraram em contradição com registros internos obtidos pela revista e com casos confirmados por autoridades militares estadunidenses. Soldado estadunidense morto I arquivo A investigação publicada pelo The Intercept apontou que o sistema oficial de registro de baixas do Departamento de Guerra, conhecido como DCAS, deixou de contabilizar centenas de casos ligados às operações militares contra o Irã. Segundo o relatório, o total oficial de mortos e feridos divulgado pelo Pentágono chegou a 423 militares, número inferior ao identificado por documentos e registros paralelos analisados pelo veículo. A revista afirmou que, desde a divulgação oficial feita na sexta-feira anterior, três novos militares feridos foram adicionados às estatísticas do Pentágono. Mesmo assim, a publicação declarou que os números permanecem abaixo da realidade. Um funcionário estadunidense ouvido pelo The Intercept descreveu a situação como uma “ocultação de baixas”. O relatório revelou que o sistema DCAS não registrou casos já conhecidos pelas próprias autoridades militares estadunidenses. Entre eles está o de Sorfeli Davious, oficial de comunicações da Guarda Nacional do Exército dos Estados Unidos morto em março em um acampamento militar no Kuwait. Segundo o The Intercept, a morte foi confirmada oficialmente, mas o nome do militar não aparece na lista pública de fatalidades do Pentágono. A publicação também informou que mais de 200 marinheiros do porta-aviões USS Gerald R. Ford sofreram problemas respiratórios e ferimentos após um incêndio ocorrido a bordo da embarcação militar durante as operações relacionadas à guerra contra o Irã. Esses casos não foram classificados como baixas oficiais pelo Departamento de Guerra. Outro marinheiro ferido no porta-aviões USS Abraham Lincoln durante o mesmo período também não apareceu nos registros públicos do Pentágono, segundo a reportagem. O The Intercept afirmou que, no momento do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos em 8 de abril de 2026, o número oficial de mortos e feridos estadunidenses era de 385. Mesmo após a redução das operações militares diretas, os registros cresceram para 428 nas semanas seguintes. A reportagem destacou que, em 21 de abril, o Pentágono alterou os próprios números sem apresentar explicação pública. Segundo a revista, o Departamento de Guerra reduziu em 15 o número de militares feridos e alterou o total geral de baixas de 428 para 413. Os dados contradizem relatórios divulgados pelo Centcom, que havia informado que 13 militares estadunidenses morreram durante a intervenção militar contra o Irã e que outro soldado morreu em decorrência de uma “condição médica não relacionada ao combate”. O veículo estadunidense declarou que o Pentágono passou semanas sem responder aos questionamentos enviados pela imprensa sobre a exclusão de militares doentes e feridos das estatísticas oficiais de baixas. A guerra contra o Irã começou em 28 de fevereiro de 2026, após ataques aéreos israelenses e estadunidenses contra território iraniano. Segundo autoridades iranianas, os bombardeios mataram comandantes militares, integrantes do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica e funcionários do Estado iraniano. Em resposta, o Irã lançou ataques com mísseis e drones contra instalações militares estadunidenses na região e contra alvos em territórios palestinos ocupados por Israel. As operações iranianas atingiram centros militares, sistemas de defesa aérea e estruturas de comando utilizadas por forças estadunidenses e israelenses. O The Intercept afirmou que o número de baixas reais pode ultrapassar os dados reconhecidos oficialmente pelo Pentágono. A publicação indicou que a omissão de mortos e feridos ocorre em meio ao desgaste político da operação militar conduzida pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao aumento da pressão interna sobre o Departamento de Guerra comandado por Pete Hegseth. A revelação ocorre após semanas de questionamentos sobre a dimensão dos danos causados pelos ataques iranianos contra bases estadunidenses no Kuwait, Iraque, Bahrein e outras instalações militares utilizadas pelos Estados Unidos no oeste da Ásia. Durante a operação Promessa Verdadeira 4, forças iranianas lançaram mais de 100 ataques com mísseis e drones contra alvos militares israelenses e estadunidenses. Autoridades iranianas afirmaram que os ataques responderam à ofensiva iniciada por Israel e Estados Unidos em fevereiro. A reportagem do The Intercept também mencionou que militares intoxicados, civis contratados pelo Departamento de Guerra e marinheiros afastados por lesões não foram incorporados às estatísticas oficiais de baixas divulgadas à imprensa e ao Congresso estadunidense.
- Brasil alcança pela primeira vez nível de “muito alto desenvolvimento humano”
O Brasil registrou em 2024 o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de sua série histórica e ingressou pela primeira vez na faixa de muito alto desenvolvimento humano, segundo dados divulgados em 26 de maio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), pela Fundação João Pinheiro e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice nacional atingiu 0,805 após recuperação iniciada no período pós-pandemia de Covid-19, impulsionada por crescimento da renda, ampliação do acesso à educação e programas de transferência social interrompidos ou desmontados durante os ciclos de austeridade fiscal das últimas décadas. O levantamento também apontou redução da desigualdade racial no país, embora a distância entre população negra e branca permaneça presente em todos os indicadores analisados. Presidente Lula Os dados integram o relatório Radar IDHM 2024, que acompanha a evolução do desenvolvimento humano brasileiro entre 2012 e 2024. O estudo mostra que o país passou de 0,788 em 2022 para 0,798 em 2023 até alcançar 0,805 em 2024, ultrapassando pela primeira vez o limite estatístico considerado de muito alto desenvolvimento humano. O indicador é calculado a partir de três dimensões: renda, educação e longevidade. Entre elas, a educação apresentou o maior crescimento médio anual da série, com avanço de 1,35%. O componente de longevidade alcançou 0,86 em 2024, maior patamar registrado desde o início da metodologia atual. O índice de renda também voltou a crescer após retração associada à crise sanitária e econômica agravada durante a pandemia. O levantamento aponta que a recuperação ocorreu após queda nos indicadores sociais registrada nos anos de maior impacto da Covid-19, período marcado por aumento da mortalidade, retração econômica, desemprego e redução da renda das famílias. O relatório associa a retomada a políticas públicas de transferência de renda, ampliação da matrícula escolar e recuperação parcial do mercado de trabalho. Segundo o PNUD, o crescimento do IDHM ocorreu em todas as unidades da federação. Os maiores avanços proporcionais foram registrados em estados do Nordeste, com destaque para Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte. A região concentrou parte dos investimentos sociais federais e programas de redistribuição de renda nos últimos anos, em contraste com décadas de concentração econômica no eixo Sudeste-Sul do país. O Distrito Federal registrou o maior IDHM do Brasil em 2024, com índice de 0,866. São Paulo apareceu em seguida, com 0,838. Na outra ponta, Maranhão apresentou 0,745 e Alagoas 0,746, embora ambos tenham registrado crescimento ao longo da série histórica. O estudo também identificou redução da desigualdade racial no acesso a renda, educação e expectativa de vida. Entre 2012 e 2024, o IDHM da população negra cresceu 10,3%, enquanto o da população branca avançou 5,5%. A população negra passou de índice 0,694 em 2012 para 0,774 em 2024. Entre a população branca, o indicador saiu de 0,804 para 0,851 no mesmo período. Com isso, a distância entre os dois grupos caiu de 14% para 9%. Apesar da redução, os números mantêm evidentes as estruturas históricas de desigualdade racial formadas desde o período escravista e reproduzidas por décadas de concentração de renda, acesso desigual à educação e exclusão territorial. Mesmo após crescimento superior ao da população branca, o IDHM negro em 2024 permaneceu abaixo do índice registrado entre brancos ainda em 2012. O relatório afirma que houve crescimento da população negra nas três dimensões analisadas: educação, longevidade e renda. O documento relaciona esse avanço à expansão de políticas sociais e à ampliação do acesso à educação básica e superior. Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD Brasil, declarou que programas de transferência de renda produziram efeitos diretos nos indicadores sociais do país. Segundo ela, o Bolsa Família contribuiu para retirar crianças do trabalho infantil e ampliar a permanência de estudantes nas escolas entre famílias de baixa renda. “Programas estruturantes costumam produzir efeitos graduais e de longo prazo, o que ajuda a explicar o avanço mais consistente observado nos últimos anos”, afirmou Betina Barbosa. O Bolsa Família voltou a ser ampliado após anos de redução orçamentária e mudanças promovidas durante governos alinhados à agenda de ajuste fiscal e compressão de gastos sociais defendida por organismos financeiros internacionais e setores do mercado financeiro. O retorno da política de transferência de renda coincidiu com a recuperação parcial de indicadores sociais deteriorados desde a recessão iniciada em 2015 e aprofundada pela pandemia. Os dados divulgados pelo PNUD, Fundação João Pinheiro e IBGE indicam que a combinação entre transferência de renda, expansão educacional e recuperação econômica alterou a trajetória do IDHM brasileiro após um período marcado por retração social, aumento da fome e precarização do trabalho.
- Soraya Thronicke abandona bolsonarismo e declara apoio à reeleição do Presidente Lula
A senadora Soraya Thronicke declarou apoio à reeleição do presidente Lula durante evento realizado no Assentamento Monjolinho, em Anastácio, no Mato Grosso do Sul. Ex-aliada de Jair Bolsonaro e candidata à Presidência em 2022, Soraya afirmou que Lula a deixou “de queixo caído” por sua “humanidade” e pela forma de conduzir o governo. A parlamentar também relacionou sua mudança política à atuação em CPIs e CPMIs, nas quais, aliados bolsonaristas evitaram prestar esclarecimentos ao Congresso. Senadora Soraya Thronicke A declaração foi feita em 26 de maio de 2026, durante agenda pública no interior sul-mato-grossense. No discurso, Soraya afirmou que passou a enxergar diferenças entre o comportamento institucional do atual governo e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem foi apoiadora na eleição de 2018, quando conquistou vaga no Senado pelo então PSL, partido que serviu de plataforma eleitoral ao bolsonarismo antes de sua fragmentação. “Eu tenho mil motivos pra dizer do lado de quem eu estou. Presidente Lula me deixou de queixo caído mesmo, pela humanidade, pela forma de agir”, afirmou a senadora. Em seguida, ela associou os problemas estruturais do país ao governo anterior e defendeu a continuidade do atual mandato presidencial. “Pra você estragar um estado, um município e um país, quatro meses você estraga, você detona, você coloca terra arrasada. Pra você reconstruir quatro anos é pouco. Então é por isso que nós vamos reeleger no primeiro turno o presidente Lula”, declarou. Soraya também afirmou que sua participação em Comissões Parlamentares de Inquérito e Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito alterou sua percepção sobre os grupos políticos em disputa no país. Segundo a parlamentar, representantes ligados ao governo Lula compareceram às comissões para responder questionamentos, enquanto aliados de Bolsonaro adotaram postura de ausência e blindagem política. “Participei de todas, todos do Lula compareceram, do Bolsonaro nenhum compareceu. Isso é uma vergonha. Então é este o motivo, contem conosco”, disse. A trajetória política de Soraya Thronicke acompanha parte da reorganização do campo conservador brasileiro após a crise do bolsonarismo e o desgaste institucional produzido durante os anos de governo de extrema direita no Brasil. Eleita em 2018 com 373.712 votos pelo PSL, legenda que capitalizou a ascensão de Jair Bolsonaro após a operação Lava Jato e a radicalização do ambiente político brasileiro, Soraya integrou a base bolsonarista no Senado durante o início do mandato. Em 2022, lançou candidatura à Presidência da República pelo União Brasil e terminou a disputa em quinto lugar. Naquele momento, tentou apresentar-se como alternativa de direita ao próprio Bolsonaro, em meio à fragmentação do campo conservador e ao desgaste político produzido pela condução do governo federal durante a pandemia de Covid-19, período marcado por ataques às instituições públicas, políticas de desinformação e alinhamento automático à política externa estadunidense. Durante o governo Lula, Soraya alterou sua posição política e partidária. Em 2023, filiou-se ao Podemos, permanecendo na legenda até 2026. Em abril deste ano, ingressou no PSB, partido que integra a base de sustentação do governo federal. A mudança integra as articulações para sua tentativa de reeleição ao Senado nas eleições de 2026. O anúncio do apoio à reeleição de Lula ocorre em um cenário de rearranjo político no Congresso Nacional, onde setores que participaram da sustentação do bolsonarismo buscam reposicionamento após derrotas eleitorais, investigações parlamentares e perda de influência institucional. Parte desse movimento envolve parlamentares que passaram a se distanciar da agenda ultraconservadora alinhada aos interesses estadunidenses e ao discurso de ruptura institucional adotado pelo bolsonarismo desde 2018. Soraya participou de CPIs relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro e às investigações sobre a condução política do governo Bolsonaro. Nessas comissões, houve sucessivas recusas de aliados do ex-presidente em comparecer para prestar depoimento, além de tentativas de obstrução das investigações parlamentares.
- Caso seja atacado, o Irã responderá com uma "resposta mais severa" do que em guerras anteriores
As Forças Armadas iranianas afirmaram em 26 de maio que responderão com ataques “mais intensos, mais pesados e mais fortes” caso Estados Unidos e Israel iniciem uma nova ofensiva contra o país. O porta-voz militar iraniano, brigadeiro-general Abolfazl Shekarchi, declarou à Al Jazeera que Teerã revisou sua lista de alvos e prepara novas táticas militares para uma eventual escalada regional. As declarações ocorreram após meses de confrontos iniciados pela ofensiva aérea conduzida por Washington e Tel Aviv em 28 de fevereiro, operação que resultou no martírio de Ali Khamenei e no assassinato de comandantes do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica. Irã pretende sobreviver à superioridade militar dos EUA e Israel Durante entrevista à emissora Al Jazeera, Shekarchi afirmou que qualquer nova resposta iraniana não repetirá os padrões militares das ofensivas anteriores. “Os ataques serão muito mais intensos, mais pesados e mais fortes do que nas duas guerras anteriores”, declarou o porta-voz das Forças Armadas iranianas. O militar acrescentou que os “inimigos enfrentarão surpresas e novas táticas”, indicando que uma nova rodada de confrontos poderá extrapolar os limites geográficos da Ásia Ocidental. Segundo ele, os ataques iranianos “se estenderiam além das fronteiras regionais” caso o território iraniano volte a ser alvo de bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos e pelo regime israelense. As declarações ocorreram em meio à continuidade das tensões militares após a ofensiva iniciada em 28 de fevereiro por Washington e Tel Aviv. Segundo autoridades iranianas, os ataques aéreos conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel atingiram instalações militares, centros estratégicos e lideranças políticas e militares iranianas. Entre os mortos, Teerã cita o martírio de Ali Khamenei e o assassinato de oficiais do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica. Após os bombardeios, o Irã iniciou operações diárias com mísseis e drones contra posições israelenses nos territórios palestinos ocupados e contra instalações militares estadunidenses espalhadas pela região. As operações integraram a resposta militar iraniana dentro da operação Promessa Verdadeira 4, lançada após os ataques de fevereiro. Shekarchi também comentou os impactos econômicos e energéticos de uma eventual retomada das hostilidades. Segundo ele, se o Irã for impedido de exportar petróleo, “isso impedirá completamente a saída do petróleo da região”. A declaração faz referência ao papel estratégico do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde transita parte significativa do petróleo comercializado globalmente. Após o início da ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel, o governo iraniano anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz para países considerados hostis e seus aliados. O controle naval da região passou a ser reforçado pelo Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica e pela Marinha iraniana. No mês anterior, o presidente estadunidense Donald Trump anunciou um bloqueio contra navios e portos iranianos. O governo iraniano classificou a medida como ilegal e afirmou que ela violava os termos do cessar-fogo mediado pelo Paquistão, acordo que entrou em vigor em 8 de abril após semanas de confrontos militares na região. Em declarações paralelas divulgadas pela Press TV, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica afirmou que as Forças Armadas iranianas estão preparadas para uma resposta “devastadora e infernal” em caso de nova agressão militar. Autoridades iranianas também afirmaram que o país revisou estratégias de defesa aérea, protocolos de lançamento de mísseis e planos de resposta naval diante da presença militar estadunidense na Ásia Ocidental. Nas últimas horas, a Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica informou que 25 embarcações transitam pelo Estreito de Ormuz sob proteção iraniana. Paralelamente, autoridades russas alertaram sobre planos envolvendo o uso de integrantes do Daesh contra o Irã, ampliando o cenário de tensão regional após meses de ofensivas militares, bloqueios econômicos e ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel.











