Brasil conecta mais de 100 mil escolas à internet gratuita
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O governo brasileiro informou em 26 de maio que 100,72 mil escolas públicas já receberam acesso gratuito à internet por meio de um programa coordenado pelos ministérios da Educação e das Comunicações. A iniciativa pretende alcançar todas as 138 mil escolas públicas do país até dezembro de 2026, segundo dados divulgados pela Agência Brasil e pela TV BRICS. O avanço ocorre em meio à disputa global pelo controle das infraestruturas digitais, setor dominado por conglomerados tecnológicos sediados em potências centrais do capitalismo internacional.

Os dados apresentados pelo governo federal mostram crescimento contínuo da conectividade nas escolas públicas desde 2023. Naquele ano, 45,4% das unidades de ensino possuíam acesso considerado adequado à internet. Em dezembro de 2024, o índice passou para 57,3%. No final de 2025, atingiu 69,7%, chegando a 72,9% em abril de 2026.
O programa envolve articulação entre governo federal, estados e municípios para instalação de infraestrutura digital, redes Wi-Fi e ampliação do acesso a plataformas de ensino. A medida busca integrar escolas públicas à estrutura tecnológica utilizada em atividades pedagógicas, formação de professores e acesso a conteúdos digitais.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, atribuiu os resultados à modernização da infraestrutura iniciada em 2023. Segundo ele, “ter mais de 100 mil escolas com acesso gratuito à internet é uma realidade pela qual o governo trabalhou intensamente”. O ministro declarou ainda que a ampliação da conectividade cria possibilidades de aprendizagem e inserção profissional para estudantes da rede pública.
O Ministério da Educação afirmou que o programa também prevê instalação de redes estáveis dentro das salas de aula. A proposta inclui acesso a aulas online, ferramentas digitais e plataformas pedagógicas utilizadas em processos de ensino remoto e híbrido.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, declarou que o projeto busca garantir igualdade de acesso entre estudantes da rede pública em diferentes regiões do país. O governo federal relaciona a expansão da conectividade à redução das desigualdades educacionais acumuladas por décadas de concentração de investimentos em áreas urbanas e regiões de maior renda.
A política de inclusão digital nas escolas ocorre em um cenário de disputa internacional por soberania tecnológica. Países do BRICS passaram a ampliar mecanismos próprios de cooperação em ciência, tecnologia e infraestrutura digital diante da concentração do mercado global em empresas ligadas ao eixo estadunidense e europeu. O tema ganhou espaço nas agendas do BRICS desde o avanço das plataformas digitais privadas sobre sistemas educacionais nacionais durante a pandemia de covid-19.
A TV BRICS informou que iniciativas semelhantes vêm sendo debatidas entre países do bloco. Em 25 de maio, Brasil e países africanos discutiram cooperação em educação superior durante evento realizado em Brasília. Em 20 de maio, Irã e Malásia anunciaram ampliação da cooperação em ciência e ensino superior. Em 6 de maio, a Índia lançou um programa para capacitar 15 mil profissionais da indústria criativa em inteligência artificial.
A diretora-geral da TV BRICS, Janna Tolstikova, afirmou que a rede construiu “um sistema internacional de cooperação com universidades” para difundir pesquisas científicas e iniciativas educacionais dos países do BRICS+. Segundo ela, a cooperação busca ampliar a circulação de conhecimento fora dos circuitos controlados pelos conglomerados midiáticos do Norte Global.
A discussão sobre infraestrutura digital ganhou peso dentro do BRICS após os países do grupo ampliarem projetos de integração tecnológica e financeira. A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma Rousseff, declarou que o banco precisa ampliar mecanismos próprios de sustentação financeira e fortalecer operações em moedas nacionais. A política busca reduzir dependência de estruturas financeiras controladas por instituições ligadas ao dólar estadunidense.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou que Moscou e Pequim atuam “em defesa do direito internacional e das disposições da Carta da ONU” por meio do BRICS e da Organização para Cooperação de Xangai. O presidente da China, Xi Jinping, afirmou que Rússia e China trabalham para tornar “o sistema global de governança mais justo e razoável”.
No campo tecnológico, o primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin afirmou que o mercado de inteligência artificial na Rússia cresce em ritmo superior ao restante do setor de tecnologia da informação. Segundo ele, mais da metade das empresas russas já participa da adoção dessas tecnologias, embora parte delas ainda esteja fora da fase de uso industrial.
O programa brasileiro de conectividade escolar surge em um período de ampliação da disputa global por dados, infraestrutura de rede e soberania digital. Países periféricos passaram a enfrentar dependência tecnológica construída ao longo de décadas por empresas transnacionais que controlam serviços de nuvem, plataformas de comunicação, softwares educacionais e sistemas de armazenamento de dados.



































