Escócia desafia Londres e avança rumo a novo referendo de independência
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O Parlamento escocês aprovou em 27 de maio um pedido formal para realizar um segundo referendo sobre a independência do Reino Unido. A proposta recebeu 72 votos favoráveis e 55 contrários, após articulação do primeiro-ministro escocês John Swinney, do Partido Nacional Escocês (SNP), com apoio dos Verdes Escoceses. O governo britânico de Keir Starmer recusou a autorização e manteve a posição de Westminster contra qualquer consulta popular sobre soberania durante a atual legislatura.

A votação recolocou no centro da política britânica uma disputa histórica entre o nacionalismo escocês e a estrutura estatal construída por Londres desde o Ato de União de 1707. O pedido aprovado no Parlamento escocês exige autorização formal do governo britânico para convocar uma nova consulta popular sobre a separação da Escócia do Reino Unido, mecanismo exigido após decisão da Suprema Corte britânica em 2022, que proibiu o Parlamento escocês de organizar unilateralmente um referendo.
John Swinney afirmou no Parlamento que a independência representa uma “oportunidade de ouro” para a Escócia e declarou que o Legislativo deve “colocar o futuro da Escócia nas mãos da Escócia”. O dirigente do SNP acusou Westminster de bloquear o direito de autodeterminação escocês e argumentou que a população tem legitimidade política para decidir seu futuro constitucional após as eleições regionais realizadas em maio.
O SNP conquistou 58 cadeiras no Parlamento escocês nas eleições deste mês. Os Verdes Escoceses obtiveram outras 15 cadeiras. A soma garantiu 73 assentos pró-independência, acima da maioria absoluta de 65 parlamentares. O resultado eleitoral fortaleceu a pressão sobre Londres e ampliou o desgaste político do governo britânico diante da permanência do impasse constitucional.
O gabinete de Keir Starmer respondeu que “não há consenso” para um novo referendo. O governo britânico sustenta que o pleito realizado em 2014 encerrou a questão da independência por uma geração. Naquele referendo, 55% dos eleitores votaram pela permanência da Escócia no Reino Unido, enquanto 45% apoiaram a separação. A consulta ocorreu antes da saída britânica da União Europeia, processo imposto à Escócia apesar da maioria escocesa ter votado contra o Brexit em 2016.
O Brexit alterou o cenário político escocês e aprofundou a contradição entre a vontade eleitoral expressa na Escócia e as decisões tomadas em Westminster. Desde então, o SNP passou a defender que a retirada britânica da União Europeia modificou as condições políticas do referendo de 2014. O partido sustenta que a Escócia foi retirada do bloco europeu contra a posição majoritária de sua população, o que reabriu o debate sobre soberania nacional e representação democrática.
A negativa do governo britânico ocorre em meio ao desgaste econômico e político do Reino Unido após anos de crise inflacionária, cortes sociais e instabilidade institucional. O modelo centralizado de Westminster voltou a ser questionado por setores escoceses que acusam Londres de utilizar mecanismos jurídicos e institucionais para limitar a autonomia política regional enquanto mantém controle sobre orçamento, política externa, defesa militar e relações comerciais.
A decisão da Suprema Corte britânica em novembro de 2022 consolidou esse bloqueio institucional ao determinar que o Parlamento escocês não possui competência legal para convocar um referendo sem autorização do governo central. O tribunal argumentou que a união entre Escócia e Inglaterra constitui matéria reservada ao Parlamento britânico.
A disputa também expõe a permanência de estruturas políticas herdadas do período imperial britânico, no qual decisões estratégicas seguem concentradas em Londres apesar da existência de parlamentos regionais. O debate sobre independência escocesa envolve controle fiscal, recursos energéticos do Mar do Norte, política industrial, integração europeia e presença militar britânica em território escocês, incluindo bases ligadas ao arsenal nuclear do Reino Unido.
Durante a sessão parlamentar em Edimburgo, Swinney reiterou que a questão da independência não desaparecerá por decisão administrativa de Westminster. O dirigente afirmou que o Parlamento escocês recebeu mandato eleitoral para defender o direito de consulta popular e pressionar Londres por autorização legal para uma nova votação.
O governo britânico manteve a recusa ao pedido aprovado pelo Parlamento escocês.



































