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Cuba alerta para uma “catástrofe humanitária” causada pela agressão dos EUA

Cuba denunciou no Conselho de Segurança da ONU que o endurecimento das sanções estadunidenses pode provocar uma “catástrofe humanitária” na ilha. O chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla afirmou em Nova York, em 27 de maio de 2026, que o bloqueio energético imposto por Washington equivale a um “ato de guerra e genocídio”. A declaração ocorreu após meses de escalada das medidas adotadas pelo governo do presidente estadunidense Donald Trump contra Havana.


O chanceler cubano. Bruno Rodríguez. Foto: Félix San Nicolás/Ministério das Relações Exteriores de Cuba
O chanceler cubano. Bruno Rodríguez. Foto: Félix San Nicolás/Ministério das Relações Exteriores de Cuba

Durante discurso no Conselho de Segurança das Nações Unidas, Bruno Rodríguez afirmou que o bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos contra Cuba produz efeitos equivalentes aos de um bloqueio naval. Segundo ele, a política aplicada por Washington submete a população cubana a condições que ameaçam “sua integridade e existência” e configura “punição coletiva”.


“O embargo de petróleo ou energia que os Estados Unidos impõem a Cuba equivale, em seus efeitos, a um bloqueio naval, que é um ato de guerra e genocídio que submete a população cubana a condições que ameaçam sua integridade e existência e constitui uma ‘punição coletiva’ cruel e indiscriminada que hoje causa mortes”, declarou o chanceler cubano.


Bruno Rodríguez apresentou indicadores sociais para sustentar a denúncia. Segundo ele, a taxa de mortalidade infantil em Cuba passou de 4 para 9,2 mortes por mil nascidos vivos, enquanto a taxa de sobrevivência de crianças com câncer caiu de 85% para 65%. O chanceler vinculou esses dados ao endurecimento das restrições financeiras, energéticas e comerciais impostas por Washington.

O ministro acusou setores políticos estadunidenses de utilizarem acusações sobre suposta corrupção e incompetência do governo cubano para preparar apoio internacional a uma intervenção estrangeira. “Uma plutocracia corrupta e imoral utiliza a lenda da incompetência e da alegada corrupção” como justificativa para uma ação externa, afirmou.


Rodríguez declarou que a política estadunidense contra Cuba entrou em uma etapa de “agressão unilateral sem precedentes”. Segundo ele, Washington tenta obrigar outros países a aderirem ao bloqueio por meio de ameaças de sanções secundárias contra governos e empresas que mantenham relações comerciais com Havana.


O chanceler cubano apelou à comunidade internacional para impedir o agravamento da situação. “Exijo que a comunidade internacional se mobilize para impedir uma catástrofe humanitária que poderia ser imposta, seja por meio de armas, seja por meio de bloqueios energéticos e do endurecimento extremo do bloqueio, que também matam e causam sofrimento”, afirmou perante os representantes do Conselho de Segurança.


Bruno Rodríguez também pediu que países da América Latina e do Caribe atuem para preservar a região como “Zona de Paz”. Segundo ele, uma agressão militar estadunidense contra Cuba teria impacto regional e abriria um novo ciclo de instabilidade política no Caribe.


Ao abordar acusações formuladas por Washington contra Raúl Castro, o chanceler afirmou que os Estados Unidos ocupam posição de violação do direito internacional em relação a Cuba. Ele declarou que as acusações apresentadas por autoridades estadunidenses possuem motivação política e buscam fabricar apoio para uma operação de mudança de regime.


“É uma decisão politicamente motivada, fraudulenta e dirigida a enganar cidadãos estadunidenses e estrangeiros, 30 anos depois dos acontecimentos, com o propósito de que apoiem uma aventura militar contra Cuba para conseguir uma ‘mudança de regime’ ou uma ‘construção de nação’, como chamam eufemisticamente agora”, afirmou.


O presidente cubano Miguel Díaz-Canel também alertou para as consequências de uma possível agressão militar contra a ilha. Segundo declarações reproduzidas pela HispanTV, Díaz-Canel afirmou que uma operação militar provocaria “um banho de sangue” e resultaria na morte de “milhares de cubanos” dispostos a defender o país.


“Uma agressão militar provocaria um banho de sangue”, declarou o presidente cubano. Ele acrescentou que jovens estadunidenses seriam enviados ao combate “sem causa nem ideal para defender”, arrastados por uma política “imperialista, neofascista; de dominação, saqueio e conquista”.


Rodríguez afirmou que Washington passou mais de seis décadas tentando justificar políticas hostis contra Cuba com acusações que classificou como falsas. Segundo ele, os Estados Unidos insistem em apresentar a ilha como ameaça à segurança nacional da principal potência militar do planeta, apesar da ausência de evidências concretas.


“Como reiterou o presidente Miguel Díaz-Canel, Cuba não é nem pode ser uma ameaça. Não é inimiga dos Estados Unidos nem quer sê-lo, apesar de diferenças com seu governo. Cuba possui vínculos profundos e fraternos com o povo e a cultura estadunidense”, afirmou o chanceler.


A HispanTV informou que, desde janeiro de 2026, o governo do presidente estadunidense Donald Trump acumulou mais de 240 sanções contra Cuba e ampliou medidas financeiras, energéticas e comerciais contra a ilha. A Casa Branca sustenta que Cuba representa ameaça à segurança nacional estadunidense.


Havana acusa Washington de utilizar sanções econômicas para provocar fome, colapso econômico e instabilidade social. O governo cubano classifica as medidas como política genocida dirigida contra a população da ilha.

Segundo a HispanTV, Donald Trump assinou em 1º de maio uma ordem executiva para intensificar as sanções contra Cuba. A emissora também informou que o presidente estadunidense ameaçou “assumir o controle de Cuba” após o encerramento das operações militares envolvendo os Estados Unidos e o Irã.

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