Exploração de migrantes expõe limites das políticas de combate ao trabalho escravo no Brasil
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- Rússia intercepta 180 drones ucranianos em ataque contra Moscou
As forças russas anunciaram na madrugada de 18 de junho a interceptação de cerca de 180 drones ucranianos durante uma ofensiva direcionada contra Moscou e sua infraestrutura energética. Parte dos drones conseguiu atingir a Refinaria de Petróleo de Moscou (MNPZ), uma das principais instalações de abastecimento da capital russa. O ataque ocorreu em meio à ampliação das operações contra alvos energéticos localizados em território russo. © Alexander Polegenko_TASS O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, informou que os drones foram detectados nas primeiras horas da manhã e que sistemas de defesa aérea foram acionados para impedir sua aproximação da capital. Em mensagem divulgada por meio de seu canal oficial no Telegram, Sobyanin declarou: “No total, cerca de 180 drones foram abatidos nas proximidades de Moscou. As operações de defesa aérea estão em andamento”. Segundo as autoridades russas, a ofensiva teve como um dos alvos a Refinaria de Petróleo de Moscou, conhecida pela sigla MNPZ. A instalação está localizada na região sudeste da capital russa, a aproximadamente 15 quilômetros do Kremlin. Sobyanin afirmou que parte dos drones conseguiu alcançar a refinaria apesar da atuação das defesas aéreas. “As defesas aéreas ainda estão repelindo um ataque massivo. Vários drones conseguiram atingir a MNPZ”, escreveu o prefeito. A refinaria ocupa posição central no sistema de abastecimento de combustíveis da região de Moscou. Dados citados pelas autoridades indicam que a unidade responde por cerca de 40% da gasolina consumida na região e por aproximadamente 50% da produção regional de diesel. Além do abastecimento civil, a instalação também fornece combustível de aviação utilizado por estruturas militares russas. O ataque provocou a interrupção das atividades da refinaria, ampliando os impactos da ofensiva sobre a infraestrutura energética do país. O episódio ocorreu poucos dias após outra ação contra instalações ligadas ao setor de energia russo. A sequência de ataques indica a continuidade das operações voltadas contra estruturas consideradas estratégicas para o funcionamento da economia e da logística militar da Federação Russa. Desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, instalações energéticas, refinarias, depósitos de combustível e centros logísticos passaram a ocupar posição central na disputa militar. Moscou acusa Kiev de ampliar operações contra alvos situados longe da linha de frente, enquanto as autoridades ucranianas sustentam que estruturas utilizadas para abastecimento militar constituem objetivos legítimos dentro da campanha militar em curso. Após o ataque, autoridades russas informaram que os sistemas de defesa aérea permaneceriam mobilizados na região da capital. Também foram anunciadas medidas de proteção para instalações consideradas essenciais em Moscou e em áreas vizinhas. As operações de monitoramento e defesa continuavam durante a manhã de 18 de junho, segundo informações divulgadas pelas autoridades locais.
- Operações do Hezbollah: soldado israelense morto e quase doze feridos
Pelo menos um militar israelense morreu e outros ficaram feridos em operações realizadas pelo Hezbollah no sul do Líbano. As ações envolveram artefatos explosivos improvisados e drones carregados com explosivos contra unidades israelenses que atuavam na região do rio Litani. Os ataques ocorreram em meio à continuidade das incursões militares israelenses em território libanês e à manutenção dos confrontos entre o Hezbollah e as forças israelenses. Funeral de soldado israelense, morto pela resistência em Gaza. 2025 I ARQUIVO O exército israelense informou que o soldado Alexander Filin, de 29 anos, morreu na quarta-feira após a explosão de um artefato explosivo improvisado instalado pelo Hezbollah no sul do Líbano. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades militares israelenses, outros sete militares ficaram feridos na mesma ação. Entre os feridos estão o vice-comandante da 36ª Divisão, com patente de coronel, um comandante de batalhão do 556º Regimento de Transporte e um oficial da reserva com patente de tenente-coronel. Também sofreram ferimentos um sargento de combate e três soldados da reserva, incluindo uma militar. De acordo com veículos da imprensa israelense, os militares atingidos participavam de uma patrulha nas margens do rio Litani quando o explosivo foi detonado. A área permanece como um dos principais pontos de atrito desde a intensificação das operações israelenses no sul do Líbano. Em outra operação realizada pelo Hezbollah, dois drones explosivos atingiram forças israelenses que atuavam na mesma região. Segundo relatos divulgados pelo exército israelense, o primeiro drone explodiu próximo a um tanque da Brigada Givati. Os estilhaços da explosão atingiram quatro soldados israelenses, que foram retirados da área por helicópteros e encaminhados para atendimento médico. Pouco depois, um segundo drone atingiu a mesma zona operacional e feriu outro militar. O total de feridos no ataque com drones chegou a cinco. Somados aos atingidos na explosão do artefato improvisado, os ataques elevaram o número de baixas israelenses registradas nas operações realizadas pelo Hezbollah durante o dia. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde israelense apontam que o número total de feridos registrados pelo sistema hospitalar israelense chegou a 9.230 desde 28 de fevereiro, data associada ao início de uma escalada militar envolvendo Israel e o Irã que foi seguida por uma retomada dos ataques contra o Líbano. O mesmo ministério informou que 21 novos feridos foram contabilizados desde a atualização anterior divulgada na segunda-feira. Números oficiais também indicam que hospitais israelenses registraram 1.331 feridos na frente norte em operações atribuídas ao Hezbollah após a entrada em vigor do cessar-fogo entre Irã e Israel em 8 de abril. Os registros apontam ainda que o número de feridos contabilizados na frente libanesa após a implementação do cessar-fogo entre Israel e o Líbano alcançou 913 casos. As operações ocorreram enquanto o governo libanês mantém iniciativas diplomáticas contra Israel em organismos internacionais. Entre elas está uma ação apresentada na Organização das Nações Unidas relacionada ao uso de armamentos e à morte de três soldados libaneses. Os confrontos prosseguem no sul do Líbano, onde unidades do Hezbollah realizam ataques contra concentrações de tropas, veículos militares e posições israelenses. As ações são apresentadas pelo movimento como resposta às operações militares israelenses realizadas em território libanês. As forças israelenses continuam conduzindo incursões terrestres em áreas do sul do Líbano, enquanto o Hezbollah mantém operações de emboscada, emprego de drones e utilização de artefatos explosivos contra unidades militares que atuam na região.
- Kim Yo Jong afirmou que a questão da desnuclearização é "uma agenda irreversivelmente finalizada" para Pyongyang
A Coreia do Norte respondeu em 19 de junho às declarações emitidas pelo G7 durante sua cúpula na França e rejeitou qualquer possibilidade de negociação sobre seu arsenal nuclear. Kim Yo-jong, dirigente do Partido dos Trabalhadores da Coreia e irmã do líder Kim Jong-un, declarou que o estatuto nuclear do país é permanente e não está sujeito a revisão por potências estrangeiras. A manifestação foi divulgada pela agência estatal KCNA um dia após os chefes de governo do G7 voltarem a exigir a desnuclearização completa de Pyongyang. Kim Yo-jong, vice-diretora do departamento do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia e irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un. | Yonhap Em comunicado publicado pela KCNA na quinta-feira, Kim Yo-jong, vice-diretora de departamento do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, criticou a declaração conjunta divulgada pelos integrantes do G7 ao término da reunião realizada em Évian-les-Bains, na França. Segundo ela, a insistência na desnuclearização da Coreia do Norte demonstra incapacidade de reconhecer mudanças ocorridas no cenário internacional e ignora decisões políticas e constitucionais adotadas por Pyongyang nos últimos anos. A reação ocorreu após os líderes dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão reafirmarem, em 18 de junho, compromisso com a "desnuclearização completa" da Coreia do Norte em conformidade com resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Na declaração final da cúpula, os governos do G7 manifestaram preocupação com os programas nucleares e de mísseis balísticos norte-coreanos. O documento também exigiu que Pyongyang abordasse a questão dos cidadãos estrangeiros sequestrados pelo país ao longo das últimas décadas e prometeu ampliar a coordenação internacional contra operações cibernéticas atribuídas à Coreia do Norte e contra supostos esquemas de obtenção de criptomoedas. Em resposta, Kim Yo-jong afirmou que o debate sobre desnuclearização já foi encerrado pelo Estado norte-coreano. Segundo a dirigente, os apelos repetidos das potências do G7 não alteram a realidade estratégica criada pelo desenvolvimento do programa nuclear de Pyongyang. Ela declarou que o grupo não possui autoridade para questionar decisões relacionadas à soberania da Coreia do Norte e acusou os países integrantes do G7 de interferirem na ordem constitucional do país. A dirigente também argumentou que as exigências formuladas pelo bloco ignoram transformações ocorridas na correlação internacional de forças e nas condições de segurança da Península Coreana. Kim sustentou que as armas nucleares norte-coreanas constituem instrumento de dissuasão diante do que Pyongyang define como ameaças nucleares permanentes provenientes de Estados considerados hostis. Segundo a dirigente, o arsenal foi desenvolvido para garantir a soberania estatal e impedir agressões externas. A declaração acrescenta que a posse de armas nucleares integra interesses nacionais definidos pelo Estado norte-coreano e não constitui tema passível de negociação. O documento reafirma a posição mantida por Pyongyang de que sua estratégia nuclear faz parte da arquitetura permanente de segurança nacional. O novo confronto diplomático evidencia a distância entre as posições defendidas pela Coreia do Norte e pelas potências ocidentais sobre o futuro do programa nuclear norte-coreano. Enquanto o G7 continua exigindo o desmantelamento do arsenal de Pyongyang, a liderança norte-coreana sustenta que a questão já foi resolvida por meio de legislação interna e reformas constitucionais. Nos últimos anos, o governo norte-coreano consolidou juridicamente sua condição de potência nuclear. Em setembro de 2022, a Assembleia Popular Suprema aprovou uma lei sobre forças nucleares que definiu o estatuto nuclear do país como irreversível e estabeleceu condições para eventual utilização do arsenal. Em 2023, a Constituição foi modificada para incorporar o fortalecimento das capacidades nucleares como componente da defesa estatal. Além da questão coreana, a declaração do G7 abordou temas relacionados ao Indo-Pacífico, à Ucrânia e ao Oriente Médio. O documento registrou apoio ao acordo anunciado entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar meses de confrontação regional e reafirmou a defesa da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, rota utilizada para o transporte de parte significativa do petróleo comercializado internacionalmente. A nova manifestação do G7 ocorre em meio a especulações sobre a possibilidade de o presidente estadunidense Donald Trump tentar restabelecer contatos diplomáticos com Pyongyang após o acordo firmado com o Irã. Durante seu mandato anterior, Trump participou de encontros com Kim Jong-un em Singapura, Hanói e na Zona Desmilitarizada da Península Coreana, sem alcançar entendimento sobre o programa nuclear norte-coreano. As declarações divulgadas por Kim Yo-jong indicam que Pyongyang continua considerando seu arsenal nuclear uma questão encerrada e fora de qualquer processo de negociação.
- Ben Gvir deverá participar da conferência da ONU em Nova York no próximo mês
Israel enviará o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, a Nova Iorque em julho para participar de uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) dedicada ao policiamento internacional. A presença do ministro ocorre após anos de declarações contra a ONU, incluindo acusações de colaboração com o Hamas e comemorações públicas relacionadas à destruição de instalações da agência da ONU para refugiados palestinos em Jerusalém Oriental ocupada. A viagem também acontece dias depois de Ben Gvir defender o sequestro de mulheres e jovens libaneses como instrumento de pressão contra o Hezbollah. Ben Gvir De acordo com informações publicadas pelo jornal Haaretz, Ben Gvir liderará uma delegação do Ministério da Segurança Nacional de Israel na conferência anual da UNCops, marcada para os dias 7 e 8 de julho em Nova Iorque. O encontro será realizado sob o tema “Investindo na Paz” e reunirá ministros da segurança e chefes de polícia de diversos países para discutir mecanismos de cooperação entre forças policiais nacionais e transnacionais. A participação do ministro chama atenção pelo histórico de confrontos políticos com a própria organização que sediará o evento. Em junho de 2024, após Israel ser incluído em uma lista da ONU relacionada a violações contra crianças em zonas de conflito, Ben Gvir declarou que “a ONU aliou-se ao Hamas e tornou-se colaboradora do terrorismo”. Meses antes, também celebrou a destruição do edifício da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) em Jerusalém Oriental ocupada. Na semana anterior ao anúncio da viagem, Ben Gvir voltou a provocar controvérsia ao defender medidas contra o Hezbollah que incluiriam a detenção de civis libaneses. “Vamos começar a pensar fora da caixa sobre o Hezbollah”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Conquistar território e matar muitos terroristas, mas também deter suas mulheres e jovens e levá-los para prisões terroristas... É isso que mais os machuca”. As declarações foram feitas em meio à escalada das tensões na fronteira entre Israel e o Líbano, onde confrontos armados se intensificaram desde o início do genocídio contra a população palestina na Faixa de Gaza em outubro de 2023. No mês anterior, Ben Gvir esteve no centro de outra controvérsia internacional após a divulgação de imagens envolvendo ativistas da Flotilha Global Sumud, que tentavam chegar a Gaza. O vídeo mostrou o ministro acompanhando ações de agentes do Serviço Prisional de Israel contra os ativistas detidos. Nas imagens, Ben Gvir aparece segurando uma bandeira israelense enquanto integrantes da flotilha eram forçados a se ajoelhar com o rosto voltado para o chão durante agressões praticadas por agentes penitenciários. A gravação circulou em diversos países e provocou manifestações de governos cujos cidadãos estavam entre os detidos. Dentro de Israel, as críticas concentraram-se na repercussão internacional do episódio e nos danos causados à imagem externa do Estado israelense. A trajetória política de Ben Gvir está associada ao movimento kahanista e à expansão dos assentamentos israelenses em territórios palestinos ocupados. Durante anos, ele participou e incentivou incursões de colonos contra a Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém. O próprio ministro reside em Kiryat Arba, assentamento considerado ilegal pelo direito internacional e instalado na cidade palestina de Hebron. Sua formação política foi influenciada pelo rabino Meir Kahane, fundador do partido Kach. A organização defendia a criação de uma sociedade baseada na exclusão da população palestina e acabou sendo proibida em Israel. Posteriormente, também foi classificada pelos Estados Unidos como organização terrorista. Ben Gvir ingressou no movimento aos 16 anos. A proibição do Kach ocorreu após o massacre de 1994 na Mesquita de Ibrahimi, em Hebron, quando Baruch Goldstein, integrante da organização, assassinou dezenas de palestinos durante orações. Ao longo dos anos, o atual ministro expressou admiração tanto por Kahane quanto por Goldstein. Em declarações públicas, descreveu Kahane como um “homem santo, homem justo”. Durante muito tempo, manteve um retrato de Goldstein exposto em sua residência. Um vídeo divulgado posteriormente mostrou Ben Gvir fantasiado como Goldstein durante a celebração judaica de Purim, afirmando: “Ele é meu herói”. Em 2007, a Justiça israelense condenou Ben Gvir por incitação ao racismo e apoio a organização terrorista. Entre as evidências apresentadas estavam cartazes com slogans como “Árabes fora”, “Ou nós ou eles” e “Há uma solução: expulsar o inimigo árabe”. Antes de ingressar no governo, Ben Gvir atuou como advogado em casos envolvendo acusados de ataques contra palestinos. Um dos processos de maior repercussão foi sua atuação na defesa de dois adolescentes acusados de incendiar uma residência palestina na aldeia de Duma, na Cisjordânia ocupada, em 2015. Entre os mortos estava um bebê palestino de 18 meses que morreu queimado no ataque. Nos últimos dias, o ministro foi obrigado a cancelar uma viagem particular aos Estados Unidos para participar do casamento de um amigo após enfrentar dificuldades na obtenção de visto. Segundo uma fonte citada pelo Haaretz, não há expectativa de obstáculos para sua entrada no país durante a conferência da ONU em razão de sua condição de ministro da Segurança Nacional de Israel.
- O México rejeita o bloqueio contra Cuba e defende a autodeterminação dos povos
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, reafirmou em 17 de junho de 2026 a oposição de seu governo ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba. Durante sua coletiva de imprensa diária, a mandatária declarou que o México defende a autodeterminação dos povos e considera que as sanções atingem a população cubana, não o governo da ilha. As declarações ocorreram em meio ao endurecimento das medidas adotadas pela administração estadunidense contra Cuba e à ampliação das restrições sobre o setor energético cubano. Claudia Sheinbaum, presidente do México Sheinbaum afirmou que a posição mexicana está baseada em princípios constitucionais e em uma tradição diplomática que rejeita medidas coercitivas contra Estados soberanos. “Sempre buscaremos a autodeterminação dos povos. Nossa Constituição afirma isso, e agimos por convicção. Não concordamos com os bloqueios. Eles prejudicam o povo, não os governos”, declarou. A presidente mexicana acrescentou que seu governo sustenta a defesa do diálogo como instrumento para a resolução de divergências entre países. “Jamais soluções violentas”, afirmou ao abordar a relação entre México e Cuba. Durante a coletiva, Sheinbaum recordou que o México manteve posição distinta da adotada pela maioria dos governos alinhados a Washington durante a consolidação do bloqueio contra Cuba. Segundo a presidente, o país foi o único da América Latina a votar contra as sanções estadunidenses impostas à ilha em 1961, preservando relações diplomáticas com Havana durante décadas de pressão política e econômica exercida pelos Estados Unidos sobre o Caribe. A mandatária também revelou que discutiu o tema cubano em conversas bilaterais recentes com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Sheinbaum, ela destacou ao dirigente estadunidense que Cuba implementou medidas de abertura em diferentes setores de sua economia em resposta às restrições externas. “Quando Trump me perguntou sobre esse assunto, eu dei minha opinião, como costumo fazer, e obviamente sempre buscando um bom relacionamento com o governo dos Estados Unidos, porque essa sempre foi a nossa posição, mas também defendendo nossos princípios”, declarou. As declarações ocorreram poucos dias depois de iniciativas políticas adotadas em diferentes estados mexicanos em apoio a Cuba. A teleSUR informou que legislaturas estaduais aprovaram resoluções de solidariedade à ilha e de rejeição às medidas coercitivas aplicadas por Washington. A posição do governo mexicano também foi reafirmada em 2 de junho de 2026, quando Sheinbaum confirmou a continuidade da assistência humanitária enviada a Cuba. Na ocasião, a presidente anunciou a manutenção do programa Sembrando Vida na ilha, iniciativa criada pelo governo mexicano para apoiar produtores rurais e estimular a produção agrícola. O posicionamento do México ocorre em um contexto de intensificação da pressão econômica estadunidense sobre Cuba. O bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto por Washington permanece em vigor há mais de seis décadas e continua sendo um dos instrumentos centrais da política externa estadunidense para pressionar o governo cubano. Em janeiro de 2026, Donald Trump assinou uma ordem executiva que ampliou as restrições contra o setor energético da ilha. A medida passou a limitar o acesso cubano a combustíveis e estabeleceu mecanismos para impor tarifas a produtos originários de países que forneçam petróleo a Cuba. A nova política ampliou dificuldades já existentes no abastecimento energético cubano. Segundo a teleSUR, as restrições atingem setores relacionados à geração de eletricidade, ao funcionamento de hospitais, ao abastecimento de água e à cadeia de produção e distribuição de alimentos. A pressão foi ampliada em 11 de junho de 2026, quando o governo estadunidense incluiu a empresa estatal Unión Cuba-Petróleo (Cupet) na lista de Nacionais Especialmente Designados (SDN) do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. A inclusão da principal empresa petrolífera cubana nessa lista impõe restrições financeiras adicionais e amplia obstáculos para operações comerciais internacionais relacionadas ao fornecimento de combustíveis à ilha. A medida integra um conjunto de sanções que, ao longo de décadas, afetou setores ligados à energia, transporte, sistema bancário, importação de insumos e comércio exterior cubano. Ao reafirmar a posição mexicana, Sheinbaum vinculou a defesa de Cuba ao princípio da autodeterminação nacional e ao direito dos povos de definirem seus próprios caminhos políticos e econômicos sem coerção externa. Segundo a presidente, a política do México continuará baseada na manutenção do diálogo, na cooperação e na rejeição a medidas de bloqueio econômico dirigidas contra a população cubana.
- Líder do Hezbollah: Destruímos o projeto de Israel
O secretário-geral do Hezbollah, Sheikh Naim Qasem, declarou em 17 de junho de 2026 que a Resistência impediu os objetivos de Israel no Líbano e defendeu a retirada das forças israelenses presentes em território libanês. Em discurso televisionado divulgado pela HispanTV, Qasem afirmou que o projeto israelense busca remodelar a região por meio da ocupação, da intervenção militar e da eliminação de forças políticas e sociais que se opõem à expansão territorial do Estado israelense. O dirigente também relacionou a situação libanesa à disputa regional envolvendo o Irã, a Resistência e os interesses israelenses e estadunidenses na Ásia Ocidental. Naim Qassem, Líder do Hezbollah Durante o pronunciamento, o líder do Movimento de Resistência Islâmica Libanesa afirmou que Israel tenta impor sua hegemonia sobre o Líbano desde 1948. Segundo Qasem, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu manifestou publicamente apoio ao conceito de um “Grande Israel”, projeto que, de acordo com o dirigente, está ligado à expansão territorial e à incorporação de áreas de países vizinhos. “Há quem não veja nem ouça, mas os fatos no terreno demonstram a expansão israelense. Não estamos falando de intenções expansionistas, mas da expansão em si”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Não estamos falando de intenções agressivas, mas de agressão. Não estamos falando de um objetivo criminoso, mas de criminalidade”. Qasem afirmou que o objetivo de Israel não se limita ao enfrentamento militar contra o Hezbollah. Segundo ele, o projeto israelense busca eliminar o movimento “militar, cultural, política e socialmente”, processo que, em sua avaliação, atingiria uma parcela da sociedade libanesa vinculada à Resistência. “Este é o plano deles para facilitar a absorção do Líbano. Eles não se contentam em atacar apenas aqueles que lutam contra eles; querem escravizar toda a região”, declarou. Ao abordar a dimensão do confronto, o dirigente afirmou que a disputa ultrapassa questões territoriais. “Não estamos lutando por um pedaço de terra, mas estamos defendendo nossa existência, nossas vidas, nossa terra, nosso futuro, nosso caminho e nossa trajetória”, disse. Segundo Qasem, as operações conduzidas pela Resistência impediram a concretização dos objetivos israelenses. “Destruímos o projeto de Israel e o impedimos. Eles querem nos matar, tomar nossas terras, se estabelecer lá e levar adiante seu projeto do ‘Grande Israel’. Quão grande é esta resistência e seu povo, que pagou um preço alto por se opor ao projeto mais perigoso contra o Líbano”, afirmou. O secretário-geral do Hezbollah argumentou que a permanência da Resistência foi um fator para impedir a imposição dos objetivos israelenses no território libanês. Segundo ele, “se não tivéssemos permanecido firmes, o Líbano não teria sobrevivido durante anos, e se a resistência e seu povo não tivessem perseverado, também não teria sido salvo”. Ao defender a continuidade da mobilização contra Israel, Qasem pediu que o momento político posterior ao acordo firmado em 27 de novembro fosse utilizado para pressionar pela retirada israelense do território libanês. O dirigente declarou que combatentes da Resistência retornaram às linhas de frente mesmo após sofrerem ferimentos em operações anteriores. Durante o discurso, o secretário-geral apresentou números relacionados às atividades militares do Hezbollah. Segundo ele, a Resistência realizou 3.185 operações, numa média de 30 operações por dia. Qasem afirmou que foram atingidos 518 veículos israelenses, 85 aeronaves, 12 drones e 12 helicópteros. Também declarou que Israel registrou 1.347 feridos durante as operações mencionadas. O líder do Hezbollah afirmou confiar que a continuidade da Resistência permitirá ao Líbano recuperar soberania plena sobre seu território e seus direitos. Segundo ele, a retirada israelense permanece como objetivo político e militar. Ao tratar das negociações relacionadas à situação no sul do Líbano, Qasem rejeitou propostas associadas ao desarmamento do Hezbollah. “O limite para as negociações com o inimigo israelense é a segurança mútua, e nenhum projeto sob o pretexto do desarmamento passará”, declarou. O dirigente questionou a possibilidade de negociações que concedam a Israel objetivos não alcançados pela via militar. “Vamos negociar apenas para dar aos israelenses o que querem e o que não puderam obter pela guerra, agora pretendem conseguir pela via política?”, perguntou. Qasem também defendeu a implementação dos termos do acordo de 27 de novembro, incluindo a interrupção das operações militares israelenses por via aérea, terrestre e marítima, a retirada das forças israelenses, o retorno de prisioneiros e o retorno de famílias deslocadas. Ao abordar a situação no sul do país, declarou que o Exército libanês deverá ser a única força posicionada ao sul do rio Litani, conforme previsto nos acordos existentes. O dirigente rejeitou qualquer proposta de manutenção de áreas sob controle ou supervisão israelense. “Não existem zonas piloto, nem zonas seguras para Israel, nem zonas amarelas, nem vermelhas, nem verdes. Israel deve retirar-se, e retirar-se-á”, afirmou. Qasem também apelou ao presidente do Líbano, às autoridades políticas e aos diferentes setores do país para que apresentem uma posição unificada diante das exigências relacionadas à soberania nacional. Segundo ele, questões internas não devem ser incorporadas às negociações conduzidas com Israel. O dirigente argumentou que qualquer processo de negociação deve ter como eixo a restauração da soberania libanesa e rejeitou a interferência israelense em assuntos internos do país. Também criticou iniciativas de negociação direta patrocinadas por Washington. “As negociações diretas nada mais são do que concessões em que americanos e israelenses conspiram contra o Líbano, reprimindo-o, silenciando-o e emitindo declarações em seu nome”, declarou. Em outro trecho do discurso, Qasem abordou os acontecimentos relacionados ao Irã. O líder do Hezbollah parabenizou o povo iraniano, a Resistência e os povos da região pelo que chamou de “grande vitória”, afirmando que os objetivos da campanha militar contra o Irã incluíam a derrubada do governo iraniano e a destruição das estruturas políticas da República Islâmica. Segundo o dirigente, esses objetivos fracassaram. Qasem afirmou que o Irã conectou a Resistência libanesa e o povo do Líbano à sua disposição para o sacrifício, contribuindo para pressionar Israel a interromper operações militares. O secretário-geral declarou ainda que o projeto colonial estadunidense direcionado contra o Irã não alcançou seus objetivos. Em sua avaliação, os acontecimentos recentes alteraram a correlação de forças na região. Qasem afirmou que o Irã realizou “imensos sacrifícios”, incluindo o martírio de Ali Khamenei, além de autoridades, dirigentes e cidadãos iranianos. Segundo ele, a República Islâmica consolidou posição política na região e no cenário internacional, produzindo mudanças no equilíbrio de poder na Ásia Ocidental. As declarações foram feitas durante discurso televisionado realizado em 17 de junho de 2026 e divulgado pela HispanTV.
- ONU diz que mundo deve estar preparado contra insegurança digital
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) afirmou em 16 de junho de 2026 que os mecanismos internacionais de combate ao crime enfrentam desafios decorrentes da digitalização das redes criminosas. A declaração foi feita pela diretora-executiva da agência, Monica Juma, a menos de três meses do Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime, marcado para começar em 26 de setembro em Abu Dhabi. A dirigente defendeu cooperação internacional, participação do setor privado e novas estruturas de governança para responder à expansão dos crimes transnacionais no ambiente digital. PARE_ Sua tela não é sua liberdade — é sua CADEIA_ Em entrevista à ONU News, Monica Juma declarou que o cenário internacional relacionado à criminalidade passa por mudanças impulsionadas pela evolução tecnológica. A diretora do Unodc afirmou que organizações criminosas utilizam ferramentas digitais e recursos baseados em inteligência artificial para ampliar operações que atravessam fronteiras nacionais, exigindo respostas coordenadas entre Estados e instituições internacionais. À frente do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime em Viena há cerca de um mês, a ex-ministra e diplomata queniana argumentou que a cooperação internacional se tornou um requisito para enfrentar redes criminosas que operam por meio de plataformas digitais. Segundo ela, "nenhuma nação pode navegar nestas questões sozinha". A declaração ocorre em um contexto de expansão de crimes praticados através de sistemas digitais, incluindo ataques cibernéticos, fraudes eletrônicas, lavagem de dinheiro por meios tecnológicos e operações conduzidas por grupos transnacionais que utilizam infraestrutura digital para movimentação financeira, comunicação e ocultação de atividades. Juma afirmou que a diplomacia deve ser utilizada não apenas como instrumento de diálogo entre governos, mas também como mecanismo de coordenação para enfrentar ameaças que operam em escala global. Segundo a dirigente, a velocidade das transformações tecnológicas impõe desafios aos sistemas regulatórios e aos mecanismos de fiscalização existentes. Durante a entrevista, a chefe do Unodc declarou que a inovação tecnológica avança em ritmo superior ao das estruturas de governança internacional. Ela definiu a tecnologia como uma "faca de dois gumes", argumentando que os mesmos instrumentos utilizados por organizações criminosas podem ser empregados por governos e instituições para investigação, cooperação jurídica e prevenção de delitos. A diretora da agência destacou que grupos envolvidos em atividades ilícitas exploram inteligência artificial, sistemas digitais e redes globais de comunicação para ampliar alcance e capacidade operacional. Ao mesmo tempo, sustentou que essas ferramentas criam possibilidades para novas formas de cooperação entre países, organismos multilaterais, pesquisadores e empresas do setor tecnológico. Segundo Monica Juma, o desafio consiste em reduzir a distância existente entre a velocidade das transformações tecnológicas e a capacidade das instituições internacionais de estabelecer regras, mecanismos de fiscalização e instrumentos jurídicos capazes de acompanhar essas mudanças. Ela afirmou que esse processo "exige não apenas a colaboração entre governos, mas uma parceria essencial com o setor privado, a sociedade civil e as mentes brilhantes". A dirigente acrescentou que o objetivo dessa articulação é direcionar o desenvolvimento tecnológico para atividades voltadas à proteção de direitos e não para mecanismos de exploração humana. A declaração reflete uma preocupação recorrente dentro do sistema das Nações Unidas sobre o uso de tecnologias digitais por organizações criminosas e por estruturas envolvidas em crimes transnacionais. O tema estará no centro do Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime, programado para ocorrer entre 26 de setembro e 1º de outubro de 2026 em Abu Dhabi. O encontro reunirá representantes dos Estados-membros da ONU, integrantes do setor privado, organizações da sociedade civil e pesquisadores ligados à área de segurança, justiça e governança digital. De acordo com Monica Juma, a expectativa é que o congresso produza compromissos institucionais relacionados à cooperação internacional contra o crime transnacional. Ela afirmou que a proposta não se limita à identificação dos problemas existentes, mas envolve a construção de mecanismos de coordenação entre investigações criminais, perícias digitais, recuperação de ativos e assistência jurídica entre países. A diretora do Unodc declarou que a meta do encontro é "desenhar um ecossistema de justiça que conecte investigações, perícias digitais, recuperação de ativos e assistência jurídica", associando essa estrutura à capacidade dos Estados de responder às transformações produzidas pela era digital. Durante a entrevista concedida à ONU News, Monica Juma também mencionou a participação de jovens e mulheres em áreas relacionadas à tecnologia, justiça e segurança digital. A dirigente destacou experiências observadas no Quênia e em outros países africanos, apontando a presença desses grupos em iniciativas ligadas à inovação tecnológica e ao desenvolvimento de capacidades institucionais voltadas para o ambiente digital.
- Direitos das mulheres em foco na renovação da missão da ONU no Afeganistão
O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou em 16 de junho de 2026 a renovação do mandato da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) até 2027. A decisão foi adotada por unanimidade pelos 15 integrantes do órgão reunidos na sede da ONU, em Nova Iorque. O debate foi marcado pelas denúncias sobre a exclusão de mulheres e meninas afegãs da vida pública e pelas restrições impostas aos seus direitos. ©️ UNICEF / Mark Naftalin A resolução aprovada mantém a presença política da ONU no país e incorpora de forma explícita a defesa dos direitos das mulheres e meninas afegãs como parte do mandato da missão. Os integrantes do Conselho registraram preocupação com o que classificaram como uma deterioração dos direitos humanos no Afeganistão, destacando medidas que afetam o acesso feminino à educação, ao emprego, à participação social e aos serviços públicos. No texto aprovado, o Conselho de Segurança manifesta “preocupação com a crescente e generalizada erosão do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais, em particular pelos direitos das mulheres e das meninas”. A resolução também faz referência à violência baseada em gênero e às limitações impostas à presença de mulheres na vida econômica e social do país. Durante a sessão, representantes dos Estados-membros afirmaram que as restrições à educação e à participação pública de mulheres e meninas reduzem sua capacidade de participar dos processos sociais e políticos do Afeganistão. O documento aprovado inclui um apelo para a revogação das políticas consideradas incompatíveis com os compromissos internacionais assumidos pelo Estado afegão em matéria de direitos humanos. A renovação da Unama ocorre em um contexto de continuidade da atuação da ONU no Afeganistão, onde a organização mantém presença desde 2002. Segundo o Conselho de Segurança, a missão constitui um dos mecanismos utilizados pela comunidade internacional para acompanhar a situação humanitária e os direitos humanos no país. O texto reafirma que a atuação da Unama deve ocorrer em conformidade com a soberania afegã. Os membros do Conselho reiteraram o compromisso da missão de “apoiar o povo do Afeganistão de forma consistente com a soberania, liderança e apropriação afegãs”. A resolução determina que a missão continue desenvolvendo ações relacionadas ao acesso de mulheres e meninas à educação, ao emprego, à saúde, à justiça e a outros serviços públicos. O documento também menciona a liberdade de circulação e a participação em processos decisórios como elementos incluídos nas atribuições da missão internacional. Segundo a ONU News, a renovação do mandato reflete a avaliação de que os desafios humanitários e sociais enfrentados pela população afegã permanecem sem solução. A organização sustenta que a continuidade da missão permite manter canais de interlocução internacional diante da situação enfrentada pela população do país. Em declaração divulgada pela ONU, a organização afirmou que a aprovação unânime da resolução transmite a mensagem de que o “povo do Afeganistão merece proteção, dignidade, responsabilização e um futuro definido por direitos, oportunidades e esperança, e não pelo medo e pela repressão”.
- Guterres visita Haiti e diz que país não está só na luta contra violência
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em 16 de junho que o Haiti enfrenta a crise humanitária mais grave do Hemisfério Ocidental e a que apresenta a deterioração mais acelerada. Durante visita a Porto Príncipe, ele declarou que a comunidade internacional não pode continuar ignorando a situação do país caribenho, marcado por violência armada, deslocamentos internos e insegurança alimentar. A visita ocorreu em meio ao avanço de grupos armados sobre áreas urbanas, ao déficit de financiamento humanitário e às discussões sobre o fortalecimento da força internacional presente no país. António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas Falando a jornalistas na capital haitiana, Guterres afirmou que o Haiti vive uma emergência que ultrapassa os números estatísticos apresentados pelas organizações internacionais. Segundo ele, existe uma população que continua resistindo à violência apesar da deterioração das condições de vida.“O mundo não tem o direito de desviar o olhar”, declarou o secretário-geral da ONU ao apresentar sua avaliação sobre a situação haitiana. Guterres afirmou que a insegurança permanece como elemento central da crise. Segundo ele, grupos armados expandiram sua presença territorial, provocando deslocamentos de famílias, interrupção de atividades econômicas e enfraquecimento das estruturas estatais. A crise de segurança afeta diretamente mulheres e crianças. Dados apresentados durante a visita apontam que o número de menores recrutados por grupos armados triplicou em apenas um ano. Essas crianças enfrentam interrupções no acesso à educação, à proteção social e a serviços básicos. A violência contra mulheres também aparece entre os indicadores destacados pelas Nações Unidas. Segundo Guterres, mais de 20 mulheres e meninas são vítimas de agressões diariamente no país. A deterioração das condições sociais ocorre paralelamente ao agravamento da crise humanitária. Atualmente, quase 6 milhões de haitianos enfrentam insegurança alimentar severa, enquanto aproximadamente 1,5 milhão de pessoas foram deslocadas internamente em consequência da violência. As Nações Unidas estimam que 6,4 milhões de habitantes necessitam de assistência humanitária, número que representa mais da metade da população do Haiti. Desde o início de 2026, a violência deixou mais de 2,3 mil mortos e cerca de 1,1 mil feridos. Durante a visita, Guterres chamou atenção para a insuficiência dos recursos destinados à resposta humanitária. Segundo dados da ONU, apenas 25% dos recursos necessários para alcançar a meta de US$ 880 milhões prevista no Plano de Resposta Humanitária foram obtidos até o momento. O secretário-geral destacou o trabalho realizado por agências internacionais e organizações humanitárias que atuam no território haitiano. Segundo ele, a maior parte desses trabalhadores é composta por haitianos que continuam prestando assistência apesar da deterioração das condições de segurança. No último ano, essas organizações forneceram ajuda humanitária a cerca de 3 milhões de pessoas, segundo dados apresentados pela ONU. Guterres afirmou que o Haiti não solicita caridade internacional. Segundo ele, o país exige o cumprimento dos compromissos assumidos pela comunidade internacional diante da crise. O secretário-geral também declarou que a violência armada não constitui o único problema enfrentado pela população haitiana. Para ele, a ausência de respostas internacionais durante anos contribuiu para o aprofundamento da crise. A atual situação do Haiti possui raízes históricas que antecedem o cenário contemporâneo de violência. Após protagonizar, em 1804, a única revolução de escravizados vitoriosa da história moderna e derrotar o colonialismo francês, o país passou a enfrentar isolamento diplomático, sanções econômicas e mecanismos de dependência financeira impostos por potências estrangeiras. Ao longo dos séculos XIX e XX, intervenções militares, ocupações estrangeiras e estruturas econômicas subordinadas condicionaram o desenvolvimento do Estado haitiano. Nas últimas décadas, missões internacionais, programas de ajuste econômico e crises políticas sucessivas coexistiram com a deterioração das condições sociais. O atual quadro de violência armada se desenvolve nesse contexto de fragilidade institucional, desigualdade social e dependência econômica. Durante sua passagem por Porto Príncipe, Guterres afirmou identificar sinais de recuperação em algumas áreas da capital. Segundo ele, determinados bairros estão sendo retomados e estruturas estatais voltaram a operar em partes do território anteriormente controladas por grupos armados. Para consolidar esse processo, o secretário-geral apresentou uma estratégia baseada em três eixos. O primeiro consiste no fortalecimento da segurança por meio da atuação da Força de Supressão de Gangues, apoiada logisticamente pelas Nações Unidas e por governos participantes da missão internacional. O segundo eixo envolve a transição política conduzida por lideranças haitianas. Segundo Guterres, o processo deve envolver atores políticos e organizações da sociedade civil para viabilizar eleições e restaurar a governabilidade institucional. O terceiro componente apresentado durante a visita está relacionado à criação de alternativas econômicas para a juventude haitiana. A proposta envolve investimentos em emprego, educação, saúde e recuperação econômica como forma de reduzir o recrutamento de jovens por grupos armados. Ao comentar o futuro do país, Guterres afirmou que o Haiti possui recursos humanos e culturais capazes de sustentar um processo de reconstrução nacional. Ele mencionou a juventude haitiana, a diáspora e a trajetória histórica do país. O secretário-geral recordou a Batalha de Vertières, travada em 1803, quando revolucionários haitianos derrotaram o exército colonial francês, abrindo caminho para a independência do país. “Esse mesmo espírito vive hoje”, afirmou. No primeiro dia da visita, Guterres esteve em um acampamento de deslocados internos. Em seguida, reuniu-se com integrantes da força internacional destacada para apoiar operações de segurança e discutir mecanismos de apoio logístico. O secretário-geral também manteve encontro com o primeiro-ministro haitiano, durante o qual defendeu rapidez na transição política e reafirmou que cabe aos haitianos definir os rumos do país.
- Risco de fome ameaça 13 zonas críticas no segundo semestre deste ano
Cerca de 266 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar aguda, segundo relatório divulgado em 17 de junho pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pelo Programa Mundial de Alimentos (WFP). O documento identifica 13 zonas críticas onde a fome deve se agravar entre junho e novembro de 2026, em um cenário marcado pela redução de 59% do financiamento humanitário destinado à assistência alimentar e agrícola de emergência. Sudão, Sudão do Sul, Iêmen, Territórios Palestinos, Nigéria e Somália aparecem entre os territórios classificados com maior risco de deterioração das condições alimentares. Entre as regiões classificadas na categoria de maior preocupação aparecem Sudão, Sudão do Sul, Iêmen e os Territórios Palestinos O estudo “Pontos Críticos de Fome”, publicado em Roma pelas duas agências da ONU, aponta que a combinação entre guerras, deslocamentos populacionais, bloqueios econômicos, eventos climáticos e retração do financiamento internacional está ampliando o número de pessoas expostas à fome em diversas regiões do planeta. Segundo a FAO e o WFP, os recursos destinados à resposta humanitária sofreram uma redução de 59% nos últimos anos. As agências informam que o volume de financiamento disponível retornou a níveis registrados há quase uma década, enquanto o número de pessoas afetadas pela insegurança alimentar continuou aumentando. O relatório afirma que a crise atual exige intervenções imediatas para impedir que as áreas classificadas como pontos críticos avancem para cenários de fome em larga escala. As agências defendem a ampliação do financiamento destinado à agricultura de subsistência e às capacidades locais de produção de alimentos como instrumento para reduzir a dependência de operações emergenciais. O WFP destaca que guerras, deslocamentos e eventos climáticos estão levando famílias a tomar decisões relacionadas à própria sobrevivência. A agência afirma que a liberação de recursos e a garantia de acesso humanitário às populações afetadas são condições necessárias para evitar o agravamento dos indicadores alimentares. Entre as regiões classificadas na categoria de maior preocupação aparecem Sudão, Sudão do Sul, Iêmen e os Territórios Palestinos. A lista também passou a incluir Nigéria e Somália devido à deterioração dos indicadores observados nos últimos meses. No Sudão, o relatório identifica risco de fome severa em 14 áreas localizadas nas regiões de Darfur e Cordofão. Mais de 19 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda e a projeção das agências da ONU indica que cerca de 200 mil pessoas poderão atingir o nível classificado como catástrofe nos próximos meses. A crise sudanesa ocorre em meio à continuidade da guerra iniciada em abril de 2023 entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido. O conflito provocou deslocamentos internos e interrupções em cadeias de abastecimento, afetando a produção agrícola e o acesso a alimentos. No Sudão do Sul, mais da metade da população enfrenta níveis críticos de privação alimentar. O relatório registra que milhares de pessoas já vivem em condições classificadas como catastróficas e que diversos condados permanecem ameaçados por cenários de fome até o final do período analisado. No Iêmen, mais de 18 milhões de pessoas são afetadas pela crise alimentar. O país permanece dividido entre diferentes autoridades políticas e militares após anos de guerra, bloqueios econômicos e destruição de infraestrutura civil. A Nigéria foi incluída na categoria de vigilância máxima após novas projeções para o estado de Borno. Segundo o relatório, parcelas da população enfrentam desnutrição aguda e risco de mortalidade associada à falta de alimentos. Na Somália, o distrito de Burhakaba foi identificado como área sob risco de fome. A ONU atribui o agravamento da situação à sucessão de secas, à redução das colheitas e aos impactos econômicos decorrentes das tensões internacionais sobre cadeias de abastecimento e preços. Nos Territórios Palestinos, o relatório afirma que a situação permaneceu crítica durante o primeiro semestre de 2026. Embora tenha ocorrido uma estabilização localizada após o cessar-fogo firmado anteriormente, toda a Faixa de Gaza continua exposta ao risco de fome. Mais de 1,5 milhão de palestinos dependem de assistência alimentar urgente. O relatório registra ainda que mais de 20 mil crianças foram internadas para tratamento de desnutrição aguda entre abril e meados de junho. A deterioração das condições alimentares ocorre em meio ao genocídio conduzido por Israel contra a população palestina desde outubro de 2023, processo que destruiu infraestrutura civil, hospitais, redes de abastecimento de água e sistemas de produção alimentar. Além das áreas classificadas na categoria máxima de alerta, a ONU identifica outros territórios como focos de preocupação. Afeganistão, República Democrática do Congo, Haiti, Mianmar, Mali, Líbano e Madagascar permanecem sob monitoramento devido à combinação entre fatores econômicos, conflitos armados e eventos climáticos. No Afeganistão, a persistência das secas, a inflação dos alimentos e a instabilidade econômica mantêm milhões de pessoas dependentes de assistência humanitária. Na República Democrática do Congo, a violência armada no leste do país, os deslocamentos populacionais e um surto recente de ebola afetam mercados locais, sistemas de transporte e operações de ajuda humanitária. O Haiti apresentou redução da inflação e reabertura parcial de algumas rotas rodoviárias utilizadas para abastecimento. Essas mudanças levaram o país a deixar a categoria de maior risco, embora o relatório indique que a crise social e alimentar continua presente em diversas regiões. Mianmar e Mali permanecem entre os territórios monitorados devido à combinação entre instabilidade política, dificuldades econômicas e impactos climáticos sobre a produção agrícola. Líbano e Madagascar foram incluídos na lista por causa de operações militares registradas ao longo de 2026 e por fenômenos climáticos que afetaram a disponibilidade de alimentos e a produção rural. Segundo a FAO e o WFP, conflitos armados e violência aparecem como fatores presentes em quase todas as 13 zonas críticas analisadas. O relatório acrescenta que oscilações econômicas internacionais e a perspectiva de novos impactos associados ao fenômeno El Niño podem ampliar secas e inundações durante o segundo semestre de 2026, afetando a produção agrícola em diversas regiões do planeta. Fonte: Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e Programa Mundial de Alimentos (WFP), relatório “Pontos Críticos de Fome”, publicado em 17 de junho de 2026.
- Cuba não precisa de mais atrasos, precisa de soluções
O presidente de Cuba, Miguel Mario Díaz-Canel Bermúdez, apresentou em 17 de junho uma ampla agenda de transformações econômicas e institucionais durante a Sessão Plenária Extraordinária do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba. O dirigente atribuiu a crise econômica enfrentada pelo país ao bloqueio econômico, comercial, financeiro e energético imposto pelo governo estadunidense, bem como às medidas adotadas pela atual administração de Washington. O plano inclui mudanças na gestão estatal, expansão de investimentos, reforma agrícola, modernização financeira, ampliação do setor privado e novas medidas para enfrentar a crise energética. Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel I ARQUIVO Em discurso realizado no Palácio da Revolução, em Havana, Díaz-Canel afirmou que Cuba atravessa um período definido por ele como decisivo para a continuidade da Revolução Socialista. O presidente cubano declarou que o país enfrenta um cenário marcado pela intensificação das sanções estadunidenses, pela permanência de Cuba na lista estadunidense de países supostamente patrocinadores do terrorismo e por medidas executivas adotadas em 29 de janeiro e 1º de maio que, segundo o governo cubano, ampliaram a perseguição financeira, energética e de investimentos contra a ilha. Ao abordar o contexto internacional, Díaz-Canel associou as dificuldades econômicas cubanas ao que classificou como uma política imperial estadunidense voltada para preservar sua hegemonia global. Segundo ele, a ofensiva econômica contra Cuba ocorre paralelamente a processos de pressão política, operações de influência em redes sociais e tentativas de enfraquecimento da unidade das forças de esquerda em escala internacional. O presidente afirmou que o bloqueio afeta diretamente a importação de combustíveis, medicamentos, alimentos, peças industriais e tecnologias. Segundo Díaz-Canel, o governo estadunidense também promove campanhas para negar os efeitos das sanções enquanto acusa Havana de rejeitar ajuda externa. Em seu pronunciamento, declarou que a população cubana suporta limitações econômicas impostas por medidas externas combinadas com dificuldades estruturais internas. Diante desse cenário, o dirigente cubano defendeu uma agenda de emergência baseada na estabilização macroeconômica, recuperação de receitas externas, ampliação da produção agrícola, fortalecimento dos mecanismos de controle contábil e mitigação dos impactos sociais das reformas. Segundo informou, as propostas foram elaboradas a partir de debates realizados pela Associação Nacional de Economistas e Contadores de Cuba (ANEC), consultas populares sobre o Programa Econômico e Social para 2026, contribuições de economistas, especialistas, órgãos do Partido Comunista e documentos aprovados nos congressos partidários anteriores. Díaz-Canel informou que o governo estudou experiências de construção socialista na China e no Vietnã. Também revelou a utilização de sistemas de inteligência artificial para analisar propostas econômicas e verificar sua compatibilidade com a legislação vigente. Durante o discurso, o presidente defendeu a ampliação das forças produtivas e criticou mecanismos de controle que, segundo ele, reduzem a oferta de produtos e favorecem o mercado informal. Argumentou que o país necessita aumentar a produção para gerar riqueza e sustentar programas de proteção social financiados pelo Estado. A proposta econômica apresentada prevê a integração entre empresas estatais, cooperativas, produtores agrícolas, micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e investidores estrangeiros. O governo pretende garantir maior segurança jurídica por meio da estabilidade de contratos, concessões, usufrutos e direitos de superfície, além da ampliação do uso de faturamento eletrônico, pagamentos digitais e registros públicos integrados. Na área agrícola, Díaz-Canel declarou que a produção de alimentos será tratada como questão de segurança nacional. O presidente anunciou medidas para eliminar a existência de terras improdutivas, ampliar concessões em usufruto e permitir que produtores, cooperativas e MPMEs obtenham acesso a áreas agrícolas mediante compromissos produtivos. Também defendeu mecanismos que permitam aos agricultores acesso à moeda estrangeira e importação direta de sementes, fertilizantes, equipamentos e peças. O governo cubano também pretende ampliar a autonomia das empresas estatais. Segundo Díaz-Canel, será criado um Instituto Nacional de Ativos Empresariais responsável por representar a propriedade estatal dos meios de produção, avaliar resultados e separar funções empresariais das funções regulatórias exercidas pelos ministérios. No comércio exterior, o presidente anunciou a intenção de autorizar importações e exportações diretas para empresas produtivas, exportadoras ou voltadas à substituição de importações. O plano também prevê mecanismos de renegociação da dívida externa mediante trocas entre ativos e passivos financeiros, além da utilização de instrumentos vinculados a desenvolvimento social e proteção ambiental. Outra medida anunciada foi a revisão das atividades econômicas atualmente proibidas ao setor privado. Díaz-Canel afirmou que o princípio orientador será substituir proibições por regulamentação. O governo também pretende flexibilizar objetos sociais das MPMEs, reduzir exigências burocráticas e acelerar parcerias entre agentes estatais e não estatais. No campo dos investimentos, Cuba pretende ampliar a participação de capitais estrangeiros. O presidente declarou que investidores externos poderão escolher setores econômicos para aplicação de recursos e selecionar diretamente seus trabalhadores. O governo também propõe autorizar investimento estrangeiro direto em MPMEs nacionais e criar condições para participação de cubanos residentes no exterior em projetos produtivos. A crise energética ocupou parte significativa do discurso. Díaz-Canel afirmou que os apagões afetam residências, hospitais, escolas, empresas e serviços públicos. Para enfrentar a situação, o governo pretende acelerar a incorporação da energia solar à matriz energética nacional, facilitar a entrada de empresas estrangeiras fornecedoras de equipamentos fotovoltaicos e ampliar incentivos tributários para sistemas de geração e armazenamento de energia. O plano também inclui incentivos ao transporte elétrico, instalação de estações de recarga em todo o território nacional e facilitação de licenças para prestadores de serviços de mobilidade elétrica. Na área social, o presidente anunciou a manutenção da cesta básica para aposentados, pessoas em situação de vulnerabilidade e famílias com crianças portadoras de doenças crônicas. O governo pretende direcionar recursos para bairros de menor renda, financiar cozinhas comunitárias, centros para idosos e programas de assistência social. Díaz-Canel reconheceu que os mecanismos de controle de preços adotados nos últimos anos não produziram os resultados esperados. Segundo afirmou, essas medidas contribuíram para escassez de produtos, crescimento de atividades ilegais e dificuldades na arrecadação tributária. Em substituição, o governo pretende avançar para um sistema baseado em tributação moderna, incluindo a implementação gradual de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) apoiado por faturação eletrônica. O presidente também apresentou propostas para o sistema financeiro. Entre elas estão a abertura regulada para instituições financeiras privadas e estrangeiras, expansão de mecanismos de crédito produtivo, modernização bancária, autorização de contas offshore e ampliação de operações internacionais auditáveis para empresas exportadoras e importadoras. No setor tecnológico, o governo pretende utilizar inteligência artificial e ferramentas digitais para modernizar agricultura, energia, saúde, educação, logística, comércio exterior, sistema bancário e administração pública. Díaz-Canel defendeu a digitalização de serviços estatais, estatísticas nacionais, procedimentos administrativos e mecanismos de controle fiscal. No turismo e mercado imobiliário, o plano prevê novas modalidades de negócios envolvendo imóveis estatais ociosos, concessões, direitos de uso, arrendamentos e licitações abertas à participação de empresas estatais, cooperativas, empreendedores privados e investidores estrangeiros. O presidente também anunciou medidas para ampliar a importação de veículos, priorizando modelos elétricos, e para eliminar restrições salariais em setores ligados à produção, exportação, tecnologia, energia e agroindústria. Segundo a proposta, trabalhadores poderão receber remunerações vinculadas a resultados econômicos verificáveis em moeda nacional e moeda estrangeira. Ao tratar da administração pública, Díaz-Canel afirmou que o governo continuará a reestruturar órgãos estatais e partidários, reduzir estruturas duplicadas e ampliar a autonomia dos municípios. Segundo ele, as administrações locais devem receber mais competências para impulsionar o desenvolvimento econômico territorial. Na parte final do discurso, o presidente convocou a população a participar das transformações anunciadas e afirmou que cada medida será acompanhada por responsáveis, prazos e indicadores de desempenho. Díaz-Canel declarou que Cuba não pode limitar-se à resistência diante das sanções estadunidenses e que a prioridade passa a ser aumentar a produção, remover obstáculos burocráticos e criar condições para o desenvolvimento econômico sob as condições impostas por mais de seis décadas de bloqueio econômico promovido por Washington. Encerrando a sessão plenária, o dirigente cubano vinculou as reformas ao centenário do nascimento de Fidel Castro e ao 95º aniversário de Raúl Castro, afirmando que a preservação da soberania nacional e do socialismo cubano ocorre em um contexto internacional marcado por guerras de intervenção, processos de neocolonização e disputas geopolíticas conduzidas pelas principais potências do sistema internacional.
- Acnur quer expansão urgente de reassentamento de milhões de refugiados
Cerca de 2,4 milhões de refugiados precisarão ser reassentados em 2027, segundo projeção divulgada em 17 de junho pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). O número expõe a distância entre as necessidades de proteção de populações deslocadas e as vagas disponibilizadas pelos Estados para programas de reassentamento. Enquanto países de baixa e média renda concentram a maior parte do acolhimento, governos das economias centrais reduziram admissões, endureceram critérios e ampliaram barreiras administrativas, segundo o relatório da agência da ONU. O relatório “Necessidades Globais Projetadas de Reassentamento”, estima que aproximadamente 2,4 milhões de refugiados necessitarão de reassentamento em 2027 Os dados constam do relatório “Necessidades Globais Projetadas de Reassentamento”, publicado pelo Acnur. O documento estima que aproximadamente 2,4 milhões de refugiados necessitarão de reassentamento em 2027 porque permanecem expostos a riscos nos países onde buscaram abrigo e não possuem condições de retornar com segurança aos seus locais de origem. Embora o total projetado represente redução de 6% em relação à estimativa para 2026, o Acnur informa que a queda decorre de mudanças em contextos nacionais específicos e não da resolução das causas que produzem deslocamentos forçados. A agência aponta que milhões de pessoas continuam sem acesso a mecanismos permanentes de proteção internacional. Os refugiados afegãos permanecem como o maior grupo com necessidade de reassentamento no mundo. Em seguida aparecem refugiados oriundos do Sudão do Sul, do Sudão e da Síria. O levantamento também destaca a situação dos refugiados rohingya de Mianmar, concentrados em Bangladesh após fugirem de perseguições e operações militares, permanecendo sujeitos a riscos identificados pelo Acnur. A dimensão da crise humanitária contrasta com a redução do número de reassentamentos efetivamente realizados. Em 2025, cerca de 37 mil refugiados foram transferidos para terceiros países por meio de programas assistidos pelo Acnur. No ano anterior, esse total havia superado 116 mil pessoas. O relatório destaca que a comunidade internacional estabeleceu em 2022 uma meta de 130 mil vagas de reassentamento para 2027. Entretanto, o Acnur afirma que a redução das cotas adotadas por diversos países torna improvável o cumprimento desse objetivo. Segundo a agência da ONU, a escassez de vagas está associada a mudanças políticas nos países de destino. O relatório cita suspensão de admissões, adoção de critérios mais restritivos e atrasos nos processos administrativos como fatores que reduziram o acesso de refugiados aos programas de reassentamento. O documento aponta que a discrepância entre necessidades humanitárias e respostas governamentais ocorre em um contexto no qual os países que menos concentram riqueza global assumem a maior parcela da responsabilidade pelo acolhimento. Dados das Nações Unidas indicam que países de baixa e média renda abrigam 68% dos refugiados do mundo. Essa distribuição revela um padrão persistente da ordem internacional contemporânea: Estados que enfrentam limitações orçamentárias, desafios sociais e pressões sobre infraestrutura pública absorvem a maior parte dos deslocamentos humanos produzidos por guerras, intervenções militares, ocupações, sanções econômicas e crises políticas. Ao mesmo tempo, governos das economias centrais mantêm mecanismos seletivos para admissão de refugiados, mesmo diante do crescimento das necessidades globais de proteção. O Acnur afirma que o reassentamento reduz a pressão sobre países de acolhimento, fortalece mecanismos de cooperação internacional e oferece alternativas a deslocamentos subsequentes realizados por rotas perigosas. A agência também sustenta que a ampliação das cotas, a participação de mais países e a aceleração dos processos administrativos permitiriam ampliar o alcance dos programas de reassentamento. Ao apresentar as projeções para 2027, o relatório reafirma que milhões de refugiados continuarão dependentes de mecanismos internacionais de proteção em um cenário marcado pela insuficiência de vagas disponibilizadas pelos Estados para reassentamento.











