O México rejeita o bloqueio contra Cuba e defende a autodeterminação dos povos
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A presidente do México, Claudia Sheinbaum, reafirmou em 17 de junho de 2026 a oposição de seu governo ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba. Durante sua coletiva de imprensa diária, a mandatária declarou que o México defende a autodeterminação dos povos e considera que as sanções atingem a população cubana, não o governo da ilha. As declarações ocorreram em meio ao endurecimento das medidas adotadas pela administração estadunidense contra Cuba e à ampliação das restrições sobre o setor energético cubano.

Sheinbaum afirmou que a posição mexicana está baseada em princípios constitucionais e em uma tradição diplomática que rejeita medidas coercitivas contra Estados soberanos. “Sempre buscaremos a autodeterminação dos povos. Nossa Constituição afirma isso, e agimos por convicção. Não concordamos com os bloqueios. Eles prejudicam o povo, não os governos”, declarou.
A presidente mexicana acrescentou que seu governo sustenta a defesa do diálogo como instrumento para a resolução de divergências entre países. “Jamais soluções violentas”, afirmou ao abordar a relação entre México e Cuba.
Durante a coletiva, Sheinbaum recordou que o México manteve posição distinta da adotada pela maioria dos governos alinhados a Washington durante a consolidação do bloqueio contra Cuba. Segundo a presidente, o país foi o único da América Latina a votar contra as sanções estadunidenses impostas à ilha em 1961, preservando relações diplomáticas com Havana durante décadas de pressão política e econômica exercida pelos Estados Unidos sobre o Caribe.
A mandatária também revelou que discutiu o tema cubano em conversas bilaterais recentes com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Sheinbaum, ela destacou ao dirigente estadunidense que Cuba implementou medidas de abertura em diferentes setores de sua economia em resposta às restrições externas.
“Quando Trump me perguntou sobre esse assunto, eu dei minha opinião, como costumo fazer, e obviamente sempre buscando um bom relacionamento com o governo dos Estados Unidos, porque essa sempre foi a nossa posição, mas também defendendo nossos princípios”, declarou.
As declarações ocorreram poucos dias depois de iniciativas políticas adotadas em diferentes estados mexicanos em apoio a Cuba. A teleSUR informou que legislaturas estaduais aprovaram resoluções de solidariedade à ilha e de rejeição às medidas coercitivas aplicadas por Washington.
A posição do governo mexicano também foi reafirmada em 2 de junho de 2026, quando Sheinbaum confirmou a continuidade da assistência humanitária enviada a Cuba. Na ocasião, a presidente anunciou a manutenção do programa Sembrando Vida na ilha, iniciativa criada pelo governo mexicano para apoiar produtores rurais e estimular a produção agrícola.
O posicionamento do México ocorre em um contexto de intensificação da pressão econômica estadunidense sobre Cuba. O bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto por Washington permanece em vigor há mais de seis décadas e continua sendo um dos instrumentos centrais da política externa estadunidense para pressionar o governo cubano.
Em janeiro de 2026, Donald Trump assinou uma ordem executiva que ampliou as restrições contra o setor energético da ilha. A medida passou a limitar o acesso cubano a combustíveis e estabeleceu mecanismos para impor tarifas a produtos originários de países que forneçam petróleo a Cuba.
A nova política ampliou dificuldades já existentes no abastecimento energético cubano. Segundo a teleSUR, as restrições atingem setores relacionados à geração de eletricidade, ao funcionamento de hospitais, ao abastecimento de água e à cadeia de produção e distribuição de alimentos.
A pressão foi ampliada em 11 de junho de 2026, quando o governo estadunidense incluiu a empresa estatal Unión Cuba-Petróleo (Cupet) na lista de Nacionais Especialmente Designados (SDN) do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
A inclusão da principal empresa petrolífera cubana nessa lista impõe restrições financeiras adicionais e amplia obstáculos para operações comerciais internacionais relacionadas ao fornecimento de combustíveis à ilha. A medida integra um conjunto de sanções que, ao longo de décadas, afetou setores ligados à energia, transporte, sistema bancário, importação de insumos e comércio exterior cubano.
Ao reafirmar a posição mexicana, Sheinbaum vinculou a defesa de Cuba ao princípio da autodeterminação nacional e ao direito dos povos de definirem seus próprios caminhos políticos e econômicos sem coerção externa. Segundo a presidente, a política do México continuará baseada na manutenção do diálogo, na cooperação e na rejeição a medidas de bloqueio econômico dirigidas contra a população cubana.












































