Kim Yo Jong afirmou que a questão da desnuclearização é "uma agenda irreversivelmente finalizada" para Pyongyang
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A Coreia do Norte respondeu em 19 de junho às declarações emitidas pelo G7 durante sua cúpula na França e rejeitou qualquer possibilidade de negociação sobre seu arsenal nuclear. Kim Yo-jong, dirigente do Partido dos Trabalhadores da Coreia e irmã do líder Kim Jong-un, declarou que o estatuto nuclear do país é permanente e não está sujeito a revisão por potências estrangeiras. A manifestação foi divulgada pela agência estatal KCNA um dia após os chefes de governo do G7 voltarem a exigir a desnuclearização completa de Pyongyang.

Em comunicado publicado pela KCNA na quinta-feira, Kim Yo-jong, vice-diretora de departamento do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, criticou a declaração conjunta divulgada pelos integrantes do G7 ao término da reunião realizada em Évian-les-Bains, na França. Segundo ela, a insistência na desnuclearização da Coreia do Norte demonstra incapacidade de reconhecer mudanças ocorridas no cenário internacional e ignora decisões políticas e constitucionais adotadas por Pyongyang nos últimos anos.
A reação ocorreu após os líderes dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão reafirmarem, em 18 de junho, compromisso com a "desnuclearização completa" da Coreia do Norte em conformidade com resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
Na declaração final da cúpula, os governos do G7 manifestaram preocupação com os programas nucleares e de mísseis balísticos norte-coreanos. O documento também exigiu que Pyongyang abordasse a questão dos cidadãos estrangeiros sequestrados pelo país ao longo das últimas décadas e prometeu ampliar a coordenação internacional contra operações cibernéticas atribuídas à Coreia do Norte e contra supostos esquemas de obtenção de criptomoedas.
Em resposta, Kim Yo-jong afirmou que o debate sobre desnuclearização já foi encerrado pelo Estado norte-coreano. Segundo a dirigente, os apelos repetidos das potências do G7 não alteram a realidade estratégica criada pelo desenvolvimento do programa nuclear de Pyongyang.
Ela declarou que o grupo não possui autoridade para questionar decisões relacionadas à soberania da Coreia do Norte e acusou os países integrantes do G7 de interferirem na ordem constitucional do país. A dirigente também argumentou que as exigências formuladas pelo bloco ignoram transformações ocorridas na correlação internacional de forças e nas condições de segurança da Península Coreana.
Kim sustentou que as armas nucleares norte-coreanas constituem instrumento de dissuasão diante do que Pyongyang define como ameaças nucleares permanentes provenientes de Estados considerados hostis. Segundo a dirigente, o arsenal foi desenvolvido para garantir a soberania estatal e impedir agressões externas.
A declaração acrescenta que a posse de armas nucleares integra interesses nacionais definidos pelo Estado norte-coreano e não constitui tema passível de negociação. O documento reafirma a posição mantida por Pyongyang de que sua estratégia nuclear faz parte da arquitetura permanente de segurança nacional.
O novo confronto diplomático evidencia a distância entre as posições defendidas pela Coreia do Norte e pelas potências ocidentais sobre o futuro do programa nuclear norte-coreano. Enquanto o G7 continua exigindo o desmantelamento do arsenal de Pyongyang, a liderança norte-coreana sustenta que a questão já foi resolvida por meio de legislação interna e reformas constitucionais.
Nos últimos anos, o governo norte-coreano consolidou juridicamente sua condição de potência nuclear. Em setembro de 2022, a Assembleia Popular Suprema aprovou uma lei sobre forças nucleares que definiu o estatuto nuclear do país como irreversível e estabeleceu condições para eventual utilização do arsenal. Em 2023, a Constituição foi modificada para incorporar o fortalecimento das capacidades nucleares como componente da defesa estatal.
Além da questão coreana, a declaração do G7 abordou temas relacionados ao Indo-Pacífico, à Ucrânia e ao Oriente Médio. O documento registrou apoio ao acordo anunciado entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar meses de confrontação regional e reafirmou a defesa da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, rota utilizada para o transporte de parte significativa do petróleo comercializado internacionalmente.
A nova manifestação do G7 ocorre em meio a especulações sobre a possibilidade de o presidente estadunidense Donald Trump tentar restabelecer contatos diplomáticos com Pyongyang após o acordo firmado com o Irã. Durante seu mandato anterior, Trump participou de encontros com Kim Jong-un em Singapura, Hanói e na Zona Desmilitarizada da Península Coreana, sem alcançar entendimento sobre o programa nuclear norte-coreano. As declarações divulgadas por Kim Yo-jong indicam que Pyongyang continua considerando seu arsenal nuclear uma questão encerrada e fora de qualquer processo de negociação.












































